Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Terça-feira, 1 de Novembro de 2005
O Assalto à Noruega - II. Parte
Narvik.jpg



Contra-torpedeiros alemães da Classe Z afundados ao largo de Narvik depois do ataque britânico.



Só no regresso de alguns navios alemães, é que o novíssimo submarino britânico Truant de 1090 toneladas armado com 10 tubos lança-torpedos consegue torpedear o cruzador alemão Karlsruhe de 6650/8130t e 9 peças de 150 mm a 58.04 graus de latitude Norte e 8.05 de longitude, portanto, quase ao largo de Kristiansund, no extremo sul da Noruega. O navio não foi logo para o fundo, mas ficou tão avariado e de tal modo incapacitado que o torpedeiro alemão Greif teve de o despachar definitivamente para o fundo. Por sua vez, o submarino Sunfish de 768/960t consegue colocar um torpedo no “couraçado de bolso” Lützow quando regressava a Kiel, mas sem causar danos vitais. Pelos menos uma dúzia de navios mercantes vazios foram ainda afundados pelos submarinos britânicos, enquanto o cruzador Königsberg da mesma classe do Karlsruhe inaugurava na qualidade de vítima a supremacia do poder aéreo sobre o marítimo. Efectivamente, fazendo parte da Força 3 que fez desembarcar 1.100 homens em Bergen, o Königsberg foi avariado pelas baterias costeiras, tendo permanecido naquele porto.



No dia 10 de Abril, os caças-bombardeiros britânicos “Blackburn Skuas” conseguem incendiá-lo e pô-lo fora de acção de tal modo que acabou por ser posteriormente afundado. Foi o primeiro cruzador destruído por aviões.



Nesse mesmo dia, a marinha alemã sofre uma das mais pesadas derrotas da sua história, o afundamento ao largo de Narvik e no vizinho Rombaksfiord dos 10 contratorpedeiros que tinham transportado os “caçadores alpinos” do general Dietl. Estes navios esperavam a vinda de navios-tanques e municiadores para os reabastecer, que se atrasaram dadas as péssimas condições meteorológicas com intensos nevoeiros. Sem conhecer bem a situação, a 2ª Flotilha de “destroyeres” sob o comando do capitão Walburton-Lee, a bordo do Hardy, seguido do Hotspur, do Havock e do Hunter entrou no Vesterfiord para chegar a Narvique e afundar aí os navios alemães, quase todos ainda atracados aos cais do porto. Os alemães não se tinham precavido com um sistema de reconhecimento aéreo que permitisse avisá-los a tempo da presença da marinha britânica. O “destroyer” Hostile juntou-se à flotilha, enquanto esta tentava recolher informações sob a dimensão da força alemã. Quando o nevoeiro se dissipou, os contratorpedeiros britânicos viram os desacautelados navios alemãs. Em menos de uma hora, os torpedos do Hardy destruíram o Z-21, matando o comodoro Bonte, depois os torpedos dos restantes “destroyeres” afundaram o Z-22. O Z-18 e o Z-17 sofrem graves avarias causadas pelos canhões dos navios britânicos. Alguns navios mercantes foram igualmente afundados.



Entretanto, outros contratorpedeiros alemães, que estavam escondidos em pequenos canais que davam para o fiorde principal, iniciaram o ataque à flotilha inglesa. O Hardy recebeu uma chuva de granadas de 127 mm, pelo que ficou com a sua artilharia posta fora de combate e a arder, afundando-se em fundo baixo com o comandante morto. Depois coube a vez ao Hunter que é afundado, enquanto o Hotspur sofre avarias graves. Em compensação, dois contratorpedeiros alemães recebem granadas inglesas que lhes provocam avarias mais ou menos graves. Quatro outros contratorpedeiros alemães ficaram em bom estado, mas sem combustível para fazerem a perseguição ao Hotspur, Havock e Hostile. Neste combate de contratorpedeiros, os ingleses perderam duas unidades e afundaram ou destruíram seis outras alemãs.



Três dias depois, a 13, os ingleses voltam à carga, mas agora apoiados pelos poderosos canhões de 381 mm do couraçado Warspite e pelas armas dos “destroyeres” Punjab, Cossak e Eskimo. Apesar dos alemães já estarem de alerta, perderam os restantes contratorpedeiros, não deixando, contudo, de provocar estragos nos citados “destroyeres” britânicos.



Em duas batalhas, a Marinha Nazi perdeu 10 dos seus 21 contratorpedeiros. Por isso o general Dietl recebeu um “reforço” de quase três mil sobreviventes para juntar aos seus dois mil caçadores acrescidos com duas companhias de pára-quedistas e três batalhões de infantaria que, entretanto, foram aparecendo depois de uma caminhada muito difícil ao longo da fronteira com a Suécia. Naquela época não havia praticamente meios de comunicação terrestre entre o sul e o norte da Noruega.



As forças anglo-francesas desembarcam simultaneamente em Namsos e Aandalsnes para restabelecer as linhas de comunicação entre o norte e o centro da Noruega. A essas forças juntou-se a guarnição norueguesa de Trondheim que formou uma divisão de infantaria com recrutas convocados. Antes disso, os aliados desembarcaram 25 mil homens nas Ilhas Lafoten em más condições por não terem encontrado portos para desembarcar tanques e artilharia. Esses homens foram passando das ilhas para o continente.



Para contrariar o desembarque de forças aliadas, o almirante Dönitz, comandante da arma submarina, colocou 31 unidades num arco de protecção ao longo da costa norueguesa, mas foi um fiasco completo devido à chamada “crise dos torpedos”. Os submarinos alemães fizeram 36 ataques e todos falharam porque os detonadores magnéticos dos seus torpedos não dispararam devidamente e, noutros casos, os torpedos não mantinham a profundidade necessária ao longo da sua trajectória. No dia 15 de Abril, o “ás” dos submarinos, Günther Prien, ao comando do U-47, detecta seis grandes navios de transporte de tropas britânicos, três dos quais de trinta mil toneladas de deslocamento, nas águas estreitas do Fiorde de Bygden. A 750-1000 metros de distância dispara os seus quatro torpedos da proa contra os grandes navios britânicos e nenhum torpedo é detonado. Teimosamente Prien manda recarregar os tubos vazios e pessoalmente controla a regulação da profundidade dos torpedos para 4 metros. Novamente nenhum torpedo atinge um alvo, só um consegue explodir contra os rochedos, alarmando as guarnições dos navios britânicos que iniciam a caça ao submarino. Este, na tentativa de se escapulir com êxito, encalha num fundo rochoso e só com muita dificuldade e perícia consegue safar-se. Três dias depois, Prien vê o couraçado Warspite e a 900 metros de distância dispara dois torpedos que voltam a não explodir no alvo.



publicado por DD às 21:53
link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


posts recentes

Portugal Constrói o seu P...

Navio "Atlântida" proporc...

Coreia: Desencontros mili...

Submarino USS West Virgin...

Chris Bertish completa tr...

A Mentira do Fim das Pesc...

Expresso: Ana Gomes quer ...

10 Corvetas Modernas

Graneleiro Afundado no Me...

Nova Crise do "Shipping"

arquivos

Outubro 2017

Maio 2017

Abril 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Setembro 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Agosto 2015

Dezembro 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Agosto 2013

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Outubro 2011

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Dezembro 2008

Agosto 2008

Junho 2008

Abril 2008

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Junho 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

tags

1900 - ano de paz

1904: guerra russo-japonesa

ártico

batalha da jutlândia

batalha das falklands

batalha de midway

batalha de tsushima

batalha do atlântico

batalha do mar amarelo

batalha naval na selva

bluecher

canhão e couraça

corrupção

couraçado lion

couraçado petropavlotch

couraçado queen elizabeth

couraçado scharnhorst

cruzador de batalha derflinger

cruzador vasco da gama

dieter dellinger

dieter dellinger - arquitetura naval

dieter dellinger - envc

dieter dellinger - história náutica

dieter dellinger - motores navais

dreadnought

guerra

guerra da coreia

guerra no mar

guerra russo-japonesa

guerra submarina

i guerra mundial

i. guerra mundial

i.guerra mundial

israel

kamikazes

marinha

nau

navios

paulo portas

petróleo iraniano

revista de marinha

revista de marinha - dieter dellinger

revista do mar

seydlitz

shipping

submarino borei

submarino gymnote

submarinos

submarinos u209pn

torpedo e submarino

u-9

world explorer.

todas as tags

links
contador
Contador de visita
Contador de visita
online
web counter
blogs SAPO
subscrever feeds