Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Terça-feira, 1 de Novembro de 2005
O Assalto à Noruega - III. Parte
Furious.jpg


Porta-aviões HMS Furious de 22.450/27.165t que foi atacado e muito avariado pelos bombardeiros alemães Heinkel He 111 E-3 na batalha da Noruega.

Para fazer frente ao poder aéreo nazi, os aliados colocaram na região os porta-aviões Ark-Royal, Glorious e Béarn, este último francês. O Glorious transportou para a Noruega o Esquadrão 263 de caça equipado com os antiquados “Gloster Gladiators” de duas asas, os quais levantaram voo a 180 milhas da costa para aterrarem num lago gelado, já que os principais aeródromos estavam tomados pela “Luftwaffe”. Os aparelhos não estavam equipados com máscaras e sistemas de oxigénio, pelo que não puderam fazer frente aos bombardeiros bimotores alemães “Heinkel He 111 E-3” que bombardearam a área a 20 mil pés de altitude. Ao fim do segundo dia da chegada do Esquadrão britânico só restava um “Gladiator” e sem gasolina.



Um dos “Gladiators” conseguiu abater um bombardeiro “Heinkel” e ser igualmente abatido por outro. As respectivas tripulações lançaram-se de pára-quedas, tendo o piloto britânico e o seu observador encontrado abrigo numa barraca junto a um lago gelado. Pouco depois apareceram os alemães com a mesma intenção. Rapidamente, os dois grupos chegaram a um acordo pacífico e dividiram os aposentos entre si para descansarem calmamente. No dia seguinte foram descobertos por tropas esquiadoras norueguesas que conduziram os ingleses para a costa e aprisionaram os alemães. Posteriormente vieram mais “Gladiators” e alguns “Hurricanes”. Antes disso, o porta-aviões Furious foi atacado por um bombardeiro alemão que lhe causou grandes estragos. O navio foi obrigado a retirar-se e ser dado como provisoriamente perdido.



Com o reforço aéreo dos britânicos, os alemães retiram de Narvik que é ocupada pelas forças aliadas depois do couraçado Warspite ter bombardeado a cidade e o porto. As tropas anglo-francesas e polacas tinham averbado uma vitória nítida naquelas paragens ao norte do Círculo Polar Árctico. O ditador alemão chegou mesmo a autorizar o general Dietl a refugiar-se na Suécia, só que, quando a 10 de Maio de 1940, as forças nazis iniciam a grande ofensiva contra a França com passagem pelo flanco formado pelos países baixos, Churchill ordena a retirada do corpo expedicionário que ocupara o norte da Noruega.



Mais a sul, isto é, em Namsos e Andaalsness, as forças anglo-francesas iniciaram antes a retirada, batidas pelos contingentes alemães que aí tinham apoio aéreo. Durante a retirada, iniciada a 30 de Abril, os “Stukas” não deixaram de atacar os navios, tendo mesmo afundado o aviso francês Bittern e o contratorpedeiro Bison, além do “destroyer” britânico Afridi.



Mas, o pior estava para vir. A 5 de Junho, o Almirantado envia os couraçados Renown e Repulse e os cruzadores Newcastle e Sussex para a Islândia na base de informações erróneas sobre a presença de poderosas forças alemãs na região. Ao contrário disso, os couraçados Scharnhorst e Gneisenau acompanhados pelo cruzador Admiral Hipper, já reparado dos estragos que sofrera, iniciaram a caça às forças aliadas que retiravam da Noruega. No dia 8 de Junho, surpreendem o porta-aviões Glorious escoltado pelos “destroyeres” Ardent e Acasta. Utilizando o radar “Seetakt”, o Scharnhorst abre fogo a 14 milhas de distância. O primeiro tiro acerta na ponte de voo, precisamente quando quatro aviões “Swordfish” se preparavam para levantar voo com torpedos. Os tiros alemães abriram o “Glorious” como se fosse uma lata de sardinhas e apesar da tentativa de fuga e da furiosa resposta dos contratorpedeiros britânicos, o gigante foi despachado para o fundo num mar de chamas e explosões. Aos “destroyeres” aconteceu o mesmo, mas o Acasta com grande valentia ainda conseguiu colocar um dos seus torpedos no couraçado Scharnhorst numa espécie de ataque suicida. Esse torpedo causou 48 baixas à guarnição alemã do navio, colocou a torre da popa fora de combate e inundou dois compartimentos de máquinas que fez com que o couraçado não pudesse navegar a mais do que 20 nós. Este sacrifício levou a força alemã a retirar para Trondheim, mais a sul, pelo que os navios com as tropas aliadas de Narvique regressaram despercebidos à Grã-Bretanha. Entre eles, o cruzador Devonshire com a família real, o governo e as reservas de ouro do Banco da Noruega. Dos 1561 infelizes homens do Glorious e escolta, só sobreviveram quarenta e seis.



Saliente-se aqui que o porta-aviões Glorious não tinha conseguido colocar aviões de observação e ataque a eventuais navios agressores no ar por estar sobrecarregado com as unidades da RAF que tinham operado na Noruega. Efectivamente, quando receberam ordens para retirar, os pilotos dos “Hurricanes” e “Gladiators” da RAF aterraram no Glorious, sem nunca o terem feito antes num porta-aviões e sem acidentes.
Nessa altura, desde o dia 26 de Maio, a “Royal Navy” estava envolvida noutra evacuação bem maior. A das suas forças terrestres em França, cercadas pelos alemães em Dunquerque.



A campanha da Noruega, a única em que a marinha germânica actuou na sua totalidade em operações conjugadas com forças terrestres e aéreas saldou-se em prejuízos avultados para ambos os lados, mas bem mais graves em termos percentuais para os alemães. Efectivamente, os britânicos perderam 1 porta-aviões, 2 cruzadores, 7 “destroyeres” e 8 submarinos, enquanto os nazis deixaram no fundo das águas 3 cruzadores, 10 contratorpedeiros e 8 submarinos. E mais de um terço da aviação naval britânica perdeu-se na campanha da Noruega, mostrando que os aviões então embarcados eram muito inferiores aos que os alemães dispunham. Além disso, com medo de perder os porta-aviões, os britânicos dispuseram-nos sempre muito longe das costas, o que reduziu ainda mais a capacidade da sua aviação embarcada.



A aparente vulnerabilidade do porta-aviões levou os alemães a suspenderem a construção do seu “Graff Zeppelin” e recusarem de todo possuir uma aviação embarcada. O que foi um erro, já que os “Hurricanes” da RAF demonstraram, pela primeira vez, serem capazes de aterrar num porta-aviões, apesar da potência dos seus motores e mesmo na ausência de sistemas especiais de travagem, tanto nos aviões como no próprio porta-aviões e, principalmente, sem o mais pequeno treino para o efeito.
A derrota da França não envolveu muitas forças navais, excepto um pouco na evacuação do contingente britânico pela Mancha que não se sabe se foi permitido ou não pelos alemães que queriam acabar rapidamente a guerra na frente Ocidental e esperavam assinar também um armistício com a Grã-Bretanha.
A guerra naval passou, entretanto, para o Mediterrâneo por via da entrada da Itália na Guerra e esta “potência” possuía uma importante marinha além de uma posição geoestratégica absolutamente central naquele mar.



publicado por DD às 20:55
link do post | comentar | favorito
 O que é? |  O que é?

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


posts recentes

Portugal Constrói o seu P...

Navio "Atlântida" proporc...

Coreia: Desencontros mili...

Submarino USS West Virgin...

Chris Bertish completa tr...

A Mentira do Fim das Pesc...

Expresso: Ana Gomes quer ...

10 Corvetas Modernas

Graneleiro Afundado no Me...

Nova Crise do "Shipping"

arquivos

Outubro 2017

Maio 2017

Abril 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Setembro 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Agosto 2015

Dezembro 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Agosto 2013

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Outubro 2011

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Dezembro 2008

Agosto 2008

Junho 2008

Abril 2008

Fevereiro 2008

Dezembro 2007

Junho 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

tags

1900 - ano de paz

1904: guerra russo-japonesa

ártico

batalha da jutlândia

batalha das falklands

batalha de midway

batalha de tsushima

batalha do atlântico

batalha do mar amarelo

batalha naval na selva

bluecher

canhão e couraça

corrupção

couraçado lion

couraçado petropavlotch

couraçado queen elizabeth

couraçado scharnhorst

cruzador de batalha derflinger

cruzador vasco da gama

dieter dellinger

dieter dellinger - arquitetura naval

dieter dellinger - envc

dieter dellinger - história náutica

dieter dellinger - motores navais

dreadnought

guerra

guerra da coreia

guerra no mar

guerra russo-japonesa

guerra submarina

i guerra mundial

i. guerra mundial

i.guerra mundial

israel

kamikazes

marinha

nau

navios

paulo portas

petróleo iraniano

revista de marinha

revista de marinha - dieter dellinger

revista do mar

seydlitz

shipping

submarino borei

submarino gymnote

submarinos

submarinos u209pn

torpedo e submarino

u-9

world explorer.

todas as tags

links
contador
Contador de visita
Contador de visita
online
web counter
blogs SAPO
subscrever feeds