Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Terça-feira, 1 de Novembro de 2005
O Assalto à Noruega
Assalto Noruega.jpg



Pelas 5.19H da madrugada, o poderoso e novíssimo cruzador pesado alemão Blücher navegava lentamente a seis nós e a 600 metros da fortaleza norueguesa de Oscarsborg no estreito de Dröbak que dá acesso ao porto e cidade de Oslo. Já tinha passado sem novidade o porto militar de Horten, pelo que o comandante alemão não esperava nada de anormal. Subitamente dois tiros das velhas peças Krupp de 280 mm da fortaleza norueguesa fazem tremer o Blücher. Logo a seguir, dois torpedos disparados de terra, da bateria de Kahom, atingem o cruzador que em minutos vai para o fundo. Com a água do fiorde à temperatura de 2 graus C e o ar a 0 graus, a maior parte da guarnição e passageiros não conseguiu nadar os 300-400 metros de distância à terra firme. A marinha alemã não possuía então roupa térmica para a sobrevivência em águas frias, nem sequer normas médicas para o efeito.



Os dois canhões noruegueses e os tubos lança-torpedos estavam guarnecidos por recrutas chamados à pressa com pouco mais de dez dias de serviço, dado que a pacífica Noruega quase não possuía forças armadas quando, a 9 de Abril de 1940, o ditador germânico deu ordem para o assalto aos dois países nórdicos, Dinamarca e Noruega.
A marinha norueguesa tinha um conjunto de navios velhíssimos datados do início do Século, essencialmente quatro pequenos guarda-costas couraçados de 3851 e 4167 toneladas, armados com duas peças de 208 mm cada e, apenas, 7 torpedeiros modernos de 597 e 632 toneladas, além de 6 pequenos submarinos de 420 toneladas construídos nos anos vinte.



A bordo do Blücher seguia o almirante Kummetz, comandante da força 5, e o general Falkenhorst, além de 900 homens de Divisão de Infantaria 163 e umas centenas de agentes da famigerada polícia política alemã Gestapo que deveriam prender o Rei e o governo norueguês e assumir o poder em conjunto com o major Vidkun Quisling e a sua “União Nacional”, um partido “nacionalista” das direitas que traiu a Pátria, servindo o invasor como “testa de ferro”. O nacionalista traidor foi ministro da Guerra da Noruega antes da subida ao poder do Partido Social-Democrata da Internacional Socialista. O rei Haacon e o chefe do governo social-democrata Albin Hansson não aceitaram a proposta de Hitler de ficarem no poder com o país ocupado pelas forças nazis.



O Blücher era o navio-chefe da força naval 5 com o “couraçado de bolso” Lützow e o cruzador Emden, além de vários torpedeiros e draga-minas. Após o afundamento do Blücher, a força naval fez meia volta e desistiu de tomar Oslo pelo mar, permitindo assim ao Rei e ao Governo escapar para a Inglaterra e continuar o combate pela libertação da Pátria a partir do exílio até à vitória final consagrada com a condenação à morte do traidor Quisling e de alguns dos seus correligionários da “União Nacional”, além da condenação a prisão perpétua do almirante Raeder no tribunal de Nuremberg por ter comandado a operação militar que recebeu o nome de código “Weser-Übung”, a invasão e conquista de dois países neutros e pacíficos. Em 1955, Raeder, com 79 anos de idade, acabou por ser amnistiado.



O afundamento do Blücher, nas circunstâncias em que se verificou, afectou profundamente o orgulha da marinha germânica que sofreu muitas mais baixas no assalto à Noruega, se bem que tenha também causado importantes estragos na marinha inglesa e alcançou o objectivo estratégico e táctico de conquistar aquele país nórdico. O Blücher era irmão gémeo do Admiral Hipper e fora enviado para a Noruega ainda sem ter feito as últimas provas de mar. Deslocava 14.050/18.200 tons. e estava armado com 8 peças de 203 mm, 12 de 105 mm, 12 de 37 mm, além de tubos lança-torpedos e mais armamento menor. Fazia 32,5 nós com a força das suas turbinas Deschimag e caldeiras Wagner e a blindagem ia dos 30 mm no convés e 80 mm da cintura lateral aos 140 mm das torres de artilharia.



De acordo com muitos historiadores, o objectivo do assalto à Noruega era garantir os fornecimentos de ferro sueco através do porto de Narvique durante o Inverno, o que não parecia demasiado importante dado que o mesmo minério podia ser transportado desde o início da primavera ao fim do Outono pelo Báltico em excesso para garantir as necessidades da indústria bélica no Inverno.



Provavelmente foi uma manobra para flanquear a Grã-Bretanha como no futebol, atacar pelos flancos, já que se verificou pouco antes da invasão relâmpago da França, portanto, numa altura em que os comandos nazis não sabiam que a França iria cair em poucas semanas. Por outro lado, o plano alemão obedecia à teoria explanada pelo Vice-almirante Wolfgang Wegener no seu livro “A Estratégia Marítima da Grande Guerra” no qual criticou o facto de a Alemanha não ter conquistado a Noruega na guerra de 14-18 para evitar o bloqueio inglês e a partir dos muitos fiordes noruegueses travar com êxito uma guerra naval contra a Grã-Bretanha. Ninguém na Noruega e na Inglaterra leu o livro daquele “Mahan” alemão, publicado em 1929, por isso foram todos apanhados de surpresa.
A Noruega revelou-se útil aos nazis para atacarem os comboios britânicos no Árctico que transportavam material de guerra para a resistência soviética à agressão hitleriana, mas não é imaginável que tenha sido esse o objectivo da conquista da Noruega em Abril de 1940, quando o ditador não sabia como iria acabar a invasão da França e criticara no seu livro “O Meu Combate” a guerra de duas frentes travada pelas forças do Kaiser em 14-18.
O assalto à Noruega foi a primeira operação militar coordenada na totalidade entre forças terrestres, aéreas e navais. Mas claro, com muitos erros à mistura, nomeadamente quanto ao reconhecimento aéreo de forças adversas que pouco ou nada foi praticado. A marinha germânica assumiu riscos com perdas tremendas e não pagou mais graças às indecisões dos britânicos.



Cinco forças navais e aéreas atacaram simultaneamente a Noruega, fazendo grande uso de pára-quedistas e tropas aerotransportadas. Oslo, Stavanger, Bergen, Trondheim e Narvik muito ao norte foram os locais escolhidos para os ataques.
Os aliados anglo-franceses organizaram uma expedição a Narvique que ocupou a cidade e expôs os alemães a um grave desastre naval e terrestre que não teve continuidade por os aliados não terem querido arriscar meios aéreos, tornados necessários para a defesa de outros objectivos mais vitais.



Quando o ditador alemão decide atacar a Noruega, Churchill acabava de abandonar um plano para ocupar com dez mil homens o norte da Noruega e decidira-se antes por minar uma parte da costa norueguesa para evitar a utilização das suas águas territoriais pelos submarinos e navios mercantes alemães, o que começou a ser feito no dia 8 de Abril de 1940. Depois voltou à ideia de conquistar o norte da Noruega.



Os alemães utilizaram toda a sua marinha de superfície organizada em cinco formações, fortemente apoiadas por forças aéreas que iam utilizando os aeródromos ocupados previamente por unidades pára-quedistas e por flotilhas de submarinos que estabeleceram um “arco protector”. Não fora a enérgica cobertura aérea, nomeadamente o constante ataque dos “Stukas JU-86” e dos bimotores “JU-88” aos navios e a “Kriegsmarine” teria sido totalmente obliterada.



A força que mais se arriscou foi, sem dúvida, a I., destinada a conquistar Narvique, e que integravam 10 contratorpedeiros da classe 1934, 1934A e 1936 com 2 mil soldados dos batalhões de caçadores alpinos, além dos couraçados rápidos Gneisenau e Scharnhorst para o apoio distante.



O vice-almirante Lütjens, a bordo do Gneisenau comandava a força. Os dois grandes navios couraçados acompanharam os contratorpedeiros até à entrada do Vestfiorden. Este é um longo estreito de umas cem milhas de comprimento entre as ilhas Lafoten e a costa norueguesa que termina muito no interior, precisamente em Narvique. Esse braço de mar começa com uns 90 km de largura e vai estreitando até às centenas de metros. Enquanto os couraçados não entraram naquilo que poderia ser uma ratoeira, navegando para o Árctico numa tentativa de diversão, os contratorpedeiros penetraram até Narvik e desembarcaram os caçadores de montanha sob o comando do general Eduard Dietl. Três outras forças navais alemãs desembarcaram tropas perto de Stavanger, ao sul, em Bergen, mais ao centro, e em Trondheim, mais ao norte. Os trimotores JU-52 num vaivém intenso lançavam pára-quedistas e depois aterravam em aeródromos conquistados com mais forças apeadas.



Mas, a reacção da Royal Navy não se fez esperar, apoiada por algumas unidades importantes da marinha francesa, como o porta-aviões Bearn e alguns grandes contratorpedeiros.



Os couraçados e porta-aviões britânicos começaram por falhar o encontro com as cinco formações navais alemãs que não dispunham de poder bélico para enfrentar as grandes unidades inglesas. No início, só o contratorpedeiro britânico Glowworm da escolta do couraçado Renown viu o cruzador pesado alemão Admiral Hipper à saída de um banco de nevoeiro, quando se distanciara da sua formação em busca de um homem da guarnição que caíra ao mar no âmbito de uma operação de protecção a lançadores de minas. O radar do Admiral Hipper detectou a tempo a presença do Glowworm de 1.335/1.370 toneladas armado de 4 peças de 119 mm e 8 torpedos de 533 mm, pelo que à saída do nevoeiro cerrado disparou quase à queima-roupa com a sua artilharia menor. Mas, valentemente comandado, o Glowworm, depois de disparar os seus torpedos muito à pressa sem atingir o inimigo, abalroou o gigante alemão, causando-lhe um rombo antes de se afundar nas águas gélidas daquele início de primavera quase árctica. Tudo em pleno temporal. Apesar disso, o Hipper não ficou fora de combate. Conseguiu ainda fazer desembarcar tropas em Trondheim para onde se dirigia com quatro contratorpedeiros, apesar de ter metido 500 toneladas de água e navegar com uma inclinação de 4 graus, mas com todo o equipamento vital e armamento a funcionar.



O comandante Roope do navio britânico foi condecorado postumamente com a “Victoria Cross”. O resto da esquadra alemã, nomeadamente a força I, seguiu para o norte sob uma autêntica tempestade com os caçadores alpinos enregelados nas cobertas dos contratorpedeiros e nos tombadilhos, tendo alguns sido arrastados pelas vagas.
A oeste das ilhas Lafoten, perto da costa norte da Noruega, na manhã do dia 9, o couraçado britânico Renown de 32.730 toneladas e 6 peças de 381 mm teve um breve encontro com o Scharnhorst que recebeu três impactos das granadas pesadas britânicas e o Gneisenau que saiu incólume. As blindagens alemãs aguentaram bem, não se verificando avarias de monta no navio alemão, pelo que o almirante Lütjens manteve o rumo de diversão para o Árctico, depois de colocar dois tiros no Renown que também não causaram estragos significativos. Conseguiu assim desviar o poderoso couraçado britânico do fiorde que abria para o porto de Narvique e permitir o desembarque dos enjoados caçadores alpinos alemães. Os contra-torpedeiros alemães entraram no Vestfiord com tudo facilitado. Os noruegueses nem apagaram os faróis de costa e as bóias luminosas de sinalização. Só já no porto de Narvique, o guarda-costas norueguês Eidsvold mandou parar os intrusos, disparando um tiro que acertou no contratorpedeiro germânico Wilhelm Heidkamp, o navio-chefe do comodoro Frierich Bonte. Uma lancha com oficiais foi ao velho guarda-costas pedir licença para desembarcarem. E se esta não fosse concedido, deveria ser disparado um sinal vermelho; o que foi feito. Logo a seguir dois torpedos alemães despacharam para o fundo o velho navio norueguês. Outro guarda-costas, o Norge, ainda abriu fogo sobre os invasores, mas foi logo posto fora de combate pela artilharia dos barcos alemães que, entretanto, atracaram aos cais de Narvique. Tudo correu depois sem novidade porque o 13. Regimento de Infantaria norueguesa, aquartelado naquela cidade, era comandado por um membro da “União Nacional” e amigo do major Quisling, o coronel Konrad Sundlo, que traiu a Pátria não opondo resistência aos menos de dois mil militares alemães desprovidos de armamento pesado, tanques, etc. E em condições meteorológicas que impossibilitava a intervenção da força aérea nazi, de resto, ainda distante daquelas paragens.



A “Royal Navy” não conseguiu impedir os ataques bem sucedidos da marinha alemã que, à excepção de Oslo, fez desembarcar sem grande resistência as tropas que transportava. Mesmo quando os britânicos estavam no mar, falharam sempre o encontro com as colunas alemãs. Só o submarino polaco Orzel, integrado nas forças britânicas, é que detectou o navio de transporte alemão Rio de Janeiro na costa sul da Noruega, mandando-o parar com um tiro da sua peça de artilharia. Não tendo sido obedecido torpedeou-o de seguida. Alarmados, os polacos verificaram que os sobreviventes eram todos soldados alemães em uniforme. Por incrível que pareça, nem as autoridades norueguesas nem o almirantado britânico tiraram as devidas consequências do facto, deixando-se apanhar dias depois de surpresa pelas forças navais alemãs.



publicado por DD às 23:02
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Couraçado de Bolso Luetzow
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Couraçado de bolso Luetzow que participou no ataque à Noruega



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O Assalto à Noruega - II. Parte
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Contra-torpedeiros alemães da Classe Z afundados ao largo de Narvik depois do ataque britânico.



Só no regresso de alguns navios alemães, é que o novíssimo submarino britânico Truant de 1090 toneladas armado com 10 tubos lança-torpedos consegue torpedear o cruzador alemão Karlsruhe de 6650/8130t e 9 peças de 150 mm a 58.04 graus de latitude Norte e 8.05 de longitude, portanto, quase ao largo de Kristiansund, no extremo sul da Noruega. O navio não foi logo para o fundo, mas ficou tão avariado e de tal modo incapacitado que o torpedeiro alemão Greif teve de o despachar definitivamente para o fundo. Por sua vez, o submarino Sunfish de 768/960t consegue colocar um torpedo no “couraçado de bolso” Lützow quando regressava a Kiel, mas sem causar danos vitais. Pelos menos uma dúzia de navios mercantes vazios foram ainda afundados pelos submarinos britânicos, enquanto o cruzador Königsberg da mesma classe do Karlsruhe inaugurava na qualidade de vítima a supremacia do poder aéreo sobre o marítimo. Efectivamente, fazendo parte da Força 3 que fez desembarcar 1.100 homens em Bergen, o Königsberg foi avariado pelas baterias costeiras, tendo permanecido naquele porto.



No dia 10 de Abril, os caças-bombardeiros britânicos “Blackburn Skuas” conseguem incendiá-lo e pô-lo fora de acção de tal modo que acabou por ser posteriormente afundado. Foi o primeiro cruzador destruído por aviões.



Nesse mesmo dia, a marinha alemã sofre uma das mais pesadas derrotas da sua história, o afundamento ao largo de Narvik e no vizinho Rombaksfiord dos 10 contratorpedeiros que tinham transportado os “caçadores alpinos” do general Dietl. Estes navios esperavam a vinda de navios-tanques e municiadores para os reabastecer, que se atrasaram dadas as péssimas condições meteorológicas com intensos nevoeiros. Sem conhecer bem a situação, a 2ª Flotilha de “destroyeres” sob o comando do capitão Walburton-Lee, a bordo do Hardy, seguido do Hotspur, do Havock e do Hunter entrou no Vesterfiord para chegar a Narvique e afundar aí os navios alemães, quase todos ainda atracados aos cais do porto. Os alemães não se tinham precavido com um sistema de reconhecimento aéreo que permitisse avisá-los a tempo da presença da marinha britânica. O “destroyer” Hostile juntou-se à flotilha, enquanto esta tentava recolher informações sob a dimensão da força alemã. Quando o nevoeiro se dissipou, os contratorpedeiros britânicos viram os desacautelados navios alemãs. Em menos de uma hora, os torpedos do Hardy destruíram o Z-21, matando o comodoro Bonte, depois os torpedos dos restantes “destroyeres” afundaram o Z-22. O Z-18 e o Z-17 sofrem graves avarias causadas pelos canhões dos navios britânicos. Alguns navios mercantes foram igualmente afundados.



Entretanto, outros contratorpedeiros alemães, que estavam escondidos em pequenos canais que davam para o fiorde principal, iniciaram o ataque à flotilha inglesa. O Hardy recebeu uma chuva de granadas de 127 mm, pelo que ficou com a sua artilharia posta fora de combate e a arder, afundando-se em fundo baixo com o comandante morto. Depois coube a vez ao Hunter que é afundado, enquanto o Hotspur sofre avarias graves. Em compensação, dois contratorpedeiros alemães recebem granadas inglesas que lhes provocam avarias mais ou menos graves. Quatro outros contratorpedeiros alemães ficaram em bom estado, mas sem combustível para fazerem a perseguição ao Hotspur, Havock e Hostile. Neste combate de contratorpedeiros, os ingleses perderam duas unidades e afundaram ou destruíram seis outras alemãs.



Três dias depois, a 13, os ingleses voltam à carga, mas agora apoiados pelos poderosos canhões de 381 mm do couraçado Warspite e pelas armas dos “destroyeres” Punjab, Cossak e Eskimo. Apesar dos alemães já estarem de alerta, perderam os restantes contratorpedeiros, não deixando, contudo, de provocar estragos nos citados “destroyeres” britânicos.



Em duas batalhas, a Marinha Nazi perdeu 10 dos seus 21 contratorpedeiros. Por isso o general Dietl recebeu um “reforço” de quase três mil sobreviventes para juntar aos seus dois mil caçadores acrescidos com duas companhias de pára-quedistas e três batalhões de infantaria que, entretanto, foram aparecendo depois de uma caminhada muito difícil ao longo da fronteira com a Suécia. Naquela época não havia praticamente meios de comunicação terrestre entre o sul e o norte da Noruega.



As forças anglo-francesas desembarcam simultaneamente em Namsos e Aandalsnes para restabelecer as linhas de comunicação entre o norte e o centro da Noruega. A essas forças juntou-se a guarnição norueguesa de Trondheim que formou uma divisão de infantaria com recrutas convocados. Antes disso, os aliados desembarcaram 25 mil homens nas Ilhas Lafoten em más condições por não terem encontrado portos para desembarcar tanques e artilharia. Esses homens foram passando das ilhas para o continente.



Para contrariar o desembarque de forças aliadas, o almirante Dönitz, comandante da arma submarina, colocou 31 unidades num arco de protecção ao longo da costa norueguesa, mas foi um fiasco completo devido à chamada “crise dos torpedos”. Os submarinos alemães fizeram 36 ataques e todos falharam porque os detonadores magnéticos dos seus torpedos não dispararam devidamente e, noutros casos, os torpedos não mantinham a profundidade necessária ao longo da sua trajectória. No dia 15 de Abril, o “ás” dos submarinos, Günther Prien, ao comando do U-47, detecta seis grandes navios de transporte de tropas britânicos, três dos quais de trinta mil toneladas de deslocamento, nas águas estreitas do Fiorde de Bygden. A 750-1000 metros de distância dispara os seus quatro torpedos da proa contra os grandes navios britânicos e nenhum torpedo é detonado. Teimosamente Prien manda recarregar os tubos vazios e pessoalmente controla a regulação da profundidade dos torpedos para 4 metros. Novamente nenhum torpedo atinge um alvo, só um consegue explodir contra os rochedos, alarmando as guarnições dos navios britânicos que iniciam a caça ao submarino. Este, na tentativa de se escapulir com êxito, encalha num fundo rochoso e só com muita dificuldade e perícia consegue safar-se. Três dias depois, Prien vê o couraçado Warspite e a 900 metros de distância dispara dois torpedos que voltam a não explodir no alvo.



publicado por DD às 21:53
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Caça-Bombardeiro britânico Blackburn Skua
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Caça-bombardeiro embarcado Blackburn Skua. Um avião de ataque em voo picado muito lento e antiquado. Mesmo assim, foi eficaz porque as forças alemãs e italianas não possuiam aviões embarcado, pelo que no mar a distância das costas ou de surpresa conseguiu averbar muitas vitórias.



publicado por DD às 21:43
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O Assalto à Noruega - III. Parte
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Porta-aviões HMS Furious de 22.450/27.165t que foi atacado e muito avariado pelos bombardeiros alemães Heinkel He 111 E-3 na batalha da Noruega.

Para fazer frente ao poder aéreo nazi, os aliados colocaram na região os porta-aviões Ark-Royal, Glorious e Béarn, este último francês. O Glorious transportou para a Noruega o Esquadrão 263 de caça equipado com os antiquados “Gloster Gladiators” de duas asas, os quais levantaram voo a 180 milhas da costa para aterrarem num lago gelado, já que os principais aeródromos estavam tomados pela “Luftwaffe”. Os aparelhos não estavam equipados com máscaras e sistemas de oxigénio, pelo que não puderam fazer frente aos bombardeiros bimotores alemães “Heinkel He 111 E-3” que bombardearam a área a 20 mil pés de altitude. Ao fim do segundo dia da chegada do Esquadrão britânico só restava um “Gladiator” e sem gasolina.



Um dos “Gladiators” conseguiu abater um bombardeiro “Heinkel” e ser igualmente abatido por outro. As respectivas tripulações lançaram-se de pára-quedas, tendo o piloto britânico e o seu observador encontrado abrigo numa barraca junto a um lago gelado. Pouco depois apareceram os alemães com a mesma intenção. Rapidamente, os dois grupos chegaram a um acordo pacífico e dividiram os aposentos entre si para descansarem calmamente. No dia seguinte foram descobertos por tropas esquiadoras norueguesas que conduziram os ingleses para a costa e aprisionaram os alemães. Posteriormente vieram mais “Gladiators” e alguns “Hurricanes”. Antes disso, o porta-aviões Furious foi atacado por um bombardeiro alemão que lhe causou grandes estragos. O navio foi obrigado a retirar-se e ser dado como provisoriamente perdido.



Com o reforço aéreo dos britânicos, os alemães retiram de Narvik que é ocupada pelas forças aliadas depois do couraçado Warspite ter bombardeado a cidade e o porto. As tropas anglo-francesas e polacas tinham averbado uma vitória nítida naquelas paragens ao norte do Círculo Polar Árctico. O ditador alemão chegou mesmo a autorizar o general Dietl a refugiar-se na Suécia, só que, quando a 10 de Maio de 1940, as forças nazis iniciam a grande ofensiva contra a França com passagem pelo flanco formado pelos países baixos, Churchill ordena a retirada do corpo expedicionário que ocupara o norte da Noruega.



Mais a sul, isto é, em Namsos e Andaalsness, as forças anglo-francesas iniciaram antes a retirada, batidas pelos contingentes alemães que aí tinham apoio aéreo. Durante a retirada, iniciada a 30 de Abril, os “Stukas” não deixaram de atacar os navios, tendo mesmo afundado o aviso francês Bittern e o contratorpedeiro Bison, além do “destroyer” britânico Afridi.



Mas, o pior estava para vir. A 5 de Junho, o Almirantado envia os couraçados Renown e Repulse e os cruzadores Newcastle e Sussex para a Islândia na base de informações erróneas sobre a presença de poderosas forças alemãs na região. Ao contrário disso, os couraçados Scharnhorst e Gneisenau acompanhados pelo cruzador Admiral Hipper, já reparado dos estragos que sofrera, iniciaram a caça às forças aliadas que retiravam da Noruega. No dia 8 de Junho, surpreendem o porta-aviões Glorious escoltado pelos “destroyeres” Ardent e Acasta. Utilizando o radar “Seetakt”, o Scharnhorst abre fogo a 14 milhas de distância. O primeiro tiro acerta na ponte de voo, precisamente quando quatro aviões “Swordfish” se preparavam para levantar voo com torpedos. Os tiros alemães abriram o “Glorious” como se fosse uma lata de sardinhas e apesar da tentativa de fuga e da furiosa resposta dos contratorpedeiros britânicos, o gigante foi despachado para o fundo num mar de chamas e explosões. Aos “destroyeres” aconteceu o mesmo, mas o Acasta com grande valentia ainda conseguiu colocar um dos seus torpedos no couraçado Scharnhorst numa espécie de ataque suicida. Esse torpedo causou 48 baixas à guarnição alemã do navio, colocou a torre da popa fora de combate e inundou dois compartimentos de máquinas que fez com que o couraçado não pudesse navegar a mais do que 20 nós. Este sacrifício levou a força alemã a retirar para Trondheim, mais a sul, pelo que os navios com as tropas aliadas de Narvique regressaram despercebidos à Grã-Bretanha. Entre eles, o cruzador Devonshire com a família real, o governo e as reservas de ouro do Banco da Noruega. Dos 1561 infelizes homens do Glorious e escolta, só sobreviveram quarenta e seis.



Saliente-se aqui que o porta-aviões Glorious não tinha conseguido colocar aviões de observação e ataque a eventuais navios agressores no ar por estar sobrecarregado com as unidades da RAF que tinham operado na Noruega. Efectivamente, quando receberam ordens para retirar, os pilotos dos “Hurricanes” e “Gladiators” da RAF aterraram no Glorious, sem nunca o terem feito antes num porta-aviões e sem acidentes.
Nessa altura, desde o dia 26 de Maio, a “Royal Navy” estava envolvida noutra evacuação bem maior. A das suas forças terrestres em França, cercadas pelos alemães em Dunquerque.



A campanha da Noruega, a única em que a marinha germânica actuou na sua totalidade em operações conjugadas com forças terrestres e aéreas saldou-se em prejuízos avultados para ambos os lados, mas bem mais graves em termos percentuais para os alemães. Efectivamente, os britânicos perderam 1 porta-aviões, 2 cruzadores, 7 “destroyeres” e 8 submarinos, enquanto os nazis deixaram no fundo das águas 3 cruzadores, 10 contratorpedeiros e 8 submarinos. E mais de um terço da aviação naval britânica perdeu-se na campanha da Noruega, mostrando que os aviões então embarcados eram muito inferiores aos que os alemães dispunham. Além disso, com medo de perder os porta-aviões, os britânicos dispuseram-nos sempre muito longe das costas, o que reduziu ainda mais a capacidade da sua aviação embarcada.



A aparente vulnerabilidade do porta-aviões levou os alemães a suspenderem a construção do seu “Graff Zeppelin” e recusarem de todo possuir uma aviação embarcada. O que foi um erro, já que os “Hurricanes” da RAF demonstraram, pela primeira vez, serem capazes de aterrar num porta-aviões, apesar da potência dos seus motores e mesmo na ausência de sistemas especiais de travagem, tanto nos aviões como no próprio porta-aviões e, principalmente, sem o mais pequeno treino para o efeito.
A derrota da França não envolveu muitas forças navais, excepto um pouco na evacuação do contingente britânico pela Mancha que não se sabe se foi permitido ou não pelos alemães que queriam acabar rapidamente a guerra na frente Ocidental e esperavam assinar também um armistício com a Grã-Bretanha.
A guerra naval passou, entretanto, para o Mediterrâneo por via da entrada da Itália na Guerra e esta “potência” possuía uma importante marinha além de uma posição geoestratégica absolutamente central naquele mar.



publicado por DD às 20:55
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Couraçado Scharnhorst da Marinha do Reich
Scharnhorst1941.jpg

Couraçado Scharnohorst da marinha nazi que participiou no assalto à Noruega. Deslocava 34.841/38.900t e estva armado com 9 peças de 280 mm, 12 de 150 mm, 14 de 105 mm e 16 de 37 mm AA. Atingia a velocidade máxima de 32 nós.



publicado por DD às 20:06
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Caça Britânico Gloster-Gladiator Mk II
glostgladiator.gif

Avião Gloster-Gladiator Mk II embarcado em porta-aviões. Foi o último caça bi-plano utilizado em operações militares. Atingia a velocidade máxima de 414 km/h armado com 4 metralhadores e cobria a distância de 715 km.



publicado por DD às 19:58
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Contra-torpedeiro britânico Ardent
Ardent.jpg

Contra-torpedeiro Ardent da Classe A de 1929 igual aos similares portugueses da classe Douro. Deslocava 337/1360 ton standard e estava armado com 4 peças de 4,7 polegadas, 2 pompons AA de 2 libras e 8 tubos lança-torpedos de 21 polegadas.



publicado por DD às 19:38
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