Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Quinta-feira, 28 de Junho de 2007
Dieter Dellinger: Capa do Livro

 

Dieter Dellinger

Um Século de Guerra no Mar

1900-2000

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
Prefácio

Não sei se o Livro Blog é algo de comum; não conheço nenhum, mas considero um instrumento formidável para quem tem a paixão da escrita e do estudo aprofundado de certos assuntos, nomeadamente da história bélica.

            Aqui, tratou-se de relatar um século inteiro de guerra naval, precisamente o longo Século das guerras que foi o vigésimo a partir dos 64 pequenos capítulos que publiquei sucessivamente durante mais de quatro anos na Revista de Marinha.

            Durante a escrita desta modesta obra, os capítulo foram colocados na ordem inversa, estando o verdadeiro início no fim. Agora que a obra está completa, ordenei os capítulos pela ordem normal, devendo de futuro acrescentar algo mais a um ou outro capítulo e mais fotos, além de descrições de navios

            Enfim, com a II. Guerra do Golfo, o novo Século XXI mostra que a guerra não é assunto encerrado e outro blog pode ser iniciado com mais um Século de Guerra no Mar que o autor não poderá escrever por razões óbvias. Mas, para que este blog agora encerrado não tenha uma morte natural, será acrescentado com um capítulo final dedicado a navios de guerra que fizeram história.

 

           

Índice

Prefácio

I. Capítulo

1- 1900 – Ano de Paz

2- Canhão e Couraça

3- O Torpedo e o Submarino – Mais uma Revolução

4- 1904 – Começo da Guerra Russo-Japonesa

5- O Ataque Surpresa dos Nipónicos a Porto Artur

6- A Frustrada Saída de Porto Artur

7- Navios da I. Fase da Guerra Russo-Japonesa

8- Tsushima: A Batalha Decisiva

9- O Fim de uma Esquadra

10- Navios da Batalha de Tsushima

II. Capítulo

11- 1914 – Começo da I. Guerra Mundial

12- Inactividade das Esquadras Oceânicas Alemãs

13- A Saga de Von Spee

14- A Vingança das Falklands

15- O Aventuroso Destino do Emden

16- Batalha Naval na Selva

17- Começo da Guerra Submarina

18- A Batalha de Dogger Bank

19- Jutlândia – A Maior das Batalhas Navais

20- Retirada Eficaz dos Alemães

21- Portugueses na Guerra – O Herói e o Ás

22- A Incrível Reparação dos Navios Alemães

23- O Adamastor no Rovuma

24- A Guerra Submarina até 1918 – Ingleses nos Estreitos Turcos

25- Os Alemães atacam no Egeu

26- A Guerra no Atlântico

27- Submarino: Símbolo de Violência

28- Da Crise Inglesa de 1917 à Derrota Alemã

29- O Fim do Orgulho Alemão

30- Scapa Flow

III. Capítulo

31- 1936 – A Guerra Civil Espanhola no Mar

32- As Duas Esquadras

33- Operações no Estreito

34- A Guerra no Mediterrâneo

35- O Afundamento do Baleares

IV. Capítulo

36- Os Primeiros Tiros da II. Guerra Mundial                                               

37- O Fim dos Graf Spee e Começo da Guerra dos Radares                      

38- O Assalto à Noruega

39- A Batalha do Mediterrâneo

40- Matapan

41- Afundem o Bismarck – Vinguem o Hood

42- A Batalha do Atlântico

43- O Submarino Alemão

44- A Resposta Britânica

 

V- Capítulo

45- Pearl Harbor

46- Guerra Mundial

48- Os Cento e Cinquenta Dias de Nagumo

49- A Batalha do Mar de Java

50- Pacífico: O Avião, Táctica e Estratégia

51- A Batalha do Mar do Coral

52- A Batalha Aero-Naval do 8 de Maio

53- O Fim do Lexington

54- Midway: O Fim da Ambição Japonesa

55- Plano Japonês Mal Concebido

56- Savo – A Batalha dos Cruzadores

57- A Guerra do Atlântico ao Árctico

58- O Desembarque na Normandia

59- A Grande Armada do Pacífico: Task Force 38

60- A Batalha do Mar das Filipinas

61- A Batalha do Golfo de Leyte

 

VI - Capítulo

62- A Coreia em 1950: De Novo a Guerra

63- As Falklands

64- A Primeira Guerra do Golfo – Epílogo de Um Século de Guerra

 

 

 

 

 


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1900: Ano de Paz - I. Post da História da Guerra Naval no Século XX
 

 

 

O ano de 1900 foi, sem dúvida, um ano de Paz nos mares e em terra; a parte mais importante da guerra dos bóeres no sul de África terminava com a batalha de Paderberg, enquanto os Balcãs se mantinham numa certa quietude, três anos após a guerra greco-turca. Na China, dava-se a Revolta dos Boxers que fez reunir no golfo de Taku esquadras da Inglaterra, EUA, Alemanha, Áustria, Itália e Japão unidas na tentativa de impedir a ascensão do nacionalismo chinês e na vontade de esquartejarem entre si o milenário Império do Meio. Talvez, só agora, depois de outra data mágica, o ano 2000, é que forças de todas aquelas nações poderão voltar a reunir-se sob a bandeira das Nações Unidas para manter uma paz ou guerra latente em qualquer ponto do Globo.

 

Enfim, o primeiro ano do Século das Guerras Perdidas começou como se nada de grave pudesse vir a suceder no futuro e a Paz e a Prosperidade seriam já uma consequência do elevado grau de civilização alcançado pelas nações desenvolvidas. Considerava-se então que nações ditas civilizadas como a Alemanha, a Inglaterra, a França, a Itália, a Rússia e outras não seriam capazes de entrar em guerra entre si e que os conflitos futuros seriam só com povos incivilizados das colónias dos diversos impérios.

 

Faltavam ainda alguns anos para começar aquilo que o historiador britânico Eric Hobsbawn designou por Idade dos Extremos no seu livro que recebeu ainda o título de O Curto Século XX; 1914-1991. Para este historiador, o Século que terminou foi o das três Guerras Mundiais; duas quentes e uma fria com alguns afluxos de alta temperatura bélica como as guerras da Coreia e do Vietname, além das eternas guerras israelo-árabes e das muitas guerras coloniais.

Por isso, escrever sobre o Século XX, focando o sempre dramático fenómeno guerra, não pode deixar de ser. em primeiro lugar e sempre, uma manifestação de profundo respeito pelas mais de cento e vinte milhões de vítimas mortais, quase dez por cento da população do planeta no dealbar do Século com o desejo que essas vítimas não fiquem esquecidas, qualquer que seja o modo e o lado porque tombaram.

 

Em 1900 não tinha começado o duelo naval anglo-germânico, apesar do Reichstag (parlamento alemão) ter aprovado, dois anos antes, a chamada Lei Naval, inspirada pelo almirante Tirpitz, então Ministro da Marinha do Império Alemão. Só a partir de 1905 é que a Alemanha do Imperador (Kaiser) Guilherme II deveria estar dotada de uma esquadra de 19 couraçados, seis grandes cruzadores e 16 cruzadores ligeiros, além de numerosas unidades menores, o que estava longe de ser suficiente para ameaçar a gigantesca marinha britânica, mesmo que pouco modernizada então.

 

 

 

No início do Século, o Imperador dos alemães, além de sobrinho do Rei Eduardo VII do Reino Unido e neto da Rainha Vitoria, era igualmente almirante honorário da marinha britânica, pelo que tinha o hábito de visitar a Inglaterra no seu iate Hohenzollern, prodigalizando-se nos muitos conselhos que dava sobre a arte de governar e dirigir uma marinha de guerra.

Apesar dos seus laços familiares com a casa reinante da Grã-Bretanha, o Imperador alemão lançou-se num corrida aos armamentos navais com os britânicos, colocando assim uma "Alsácia-Lorena" sob a forma da poderosa esquadra alemã entre as duas grandes nações. Com isso, o Kaiser acabou por forçar uma aliança entre a Inglaterra e a França que deseja recuperar o território perdido em 1871 e cimentava uma aliança com a Rússia. Lentamente ia-se abaixo o equilíbrio defendido por Bismarck e a Alemanha, sob a direcção de um inútil, o Imperador Guilherme II,  começava a política que a iria conduzir à catastrófica guerra de 1914-18 que, por sua vez, originou a guerra de 1939-45, quando a Alemanha caiu de novo nas mãos de um político completamente mentecapto, neste caso Adolfo Hitler.

 

Mas, no início do Século, o mar era pacífico e assim tinha sido após o fim das guerras napoleónicas; depois das quais a força naval foi utilizada esporadicamente em complemento de operações bélicas terrestres. Efectivamente, o mar tinha deixado de ser aquilo que foi durante séculos; um eterno palco de combate, tanto entre nações europeias que em terra até mantinham relações pacíficas como entre estas e piratas e meios navais de nações atrasadas. A chamada pirataria barbaresca acabou de vez quando forças europeias e até americanas atacaram Tunes e outros portos das costas do Norte de África e a França conquistou todos aqueles territórios. Em consequência da derrota da pirataria, a meados do Século XIX, as marinhas de guerra separaram-se totalmente das mercantes, pelo que os elegantes Clippers de então passaram a sulcar os mares desprovidos de qualquer armamento. Eram demasiado rápidos para serem seguidos por navios piratas que teriam sempre os dias contados dado o enorme poder das marinhas de guerra europeias e americana com as suas blindagens, máquinas a vapor e canhões que a pirataria não tinha acesso.

 

Todavia, as potências tiravam proveito dos progressos da técnica e da ciência para modernizarem os seus armamentos e pode concluir-se que foi da corrida aos meios bélicos que resultaram as guerras que de uma forma tão trágica marcaram e ensanguentaram o Século XX.

 

 

 

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O Couraçado britânico "Ocean" de 1900.



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Terça-feira, 26 de Junho de 2007
Canhão e Couraça

mackensen1.jpg

 

Os 8 canhões de 350 mm do cruzador de batalha alemão "Machensen" de 1917,  um dos navios mais poderosos navios da I. Guerra Mundial com os seus três irmãos de classe.

Deslocamento em carga máxima de 36.000 toneladas e era capaz de navegar a 28 nós movido por 4 turbinas a vapor do tipo "Parsons" que acoplavam 4 veios e hélices respectivas. O vapor era aquecido por 32 caldeiras, desenvolvendo tudo uma potência de 90 mil cavalos-vapor. Estava protegido por um cintura couraçada de 100 a 300 mm de espessura.

 

 EVOLUÇÃO DO CANHÃO E DA COURAÇA

 

 No dealbar do Século XX, as marinhas bélicas eram já herdeiras de uma profunda revolução técnica que começou com a máquina a vapor e continuou com a introdução de novos e poderosos armamentos, cada vez mais em corrida com as blindagens de aço e tonelagem dos navios e, como tal, com o preço dos mesmos.

 

Fragata Couraçada La Gloire

 

 

A competição entre a couraça e o calibre do canhão começou desde que, por volta de 1859, surge a fragata francesa couraçada La Gloire, o primeiro navio protegido por uma couraça em ferro forjado de 120 mm de espessura, intercalada entre madeira de teca e compostos adequados para proporcionarem um maior coeficiente de restituição e resistência à fragmentação das balas de canhão.

Provocou uma grande sensação nos meios navais, este primeiro navio couraçado com máquina a vapor e velame. Deslocava 5.618 toneladas e armava 36 canhões nas cobertas. O seu tipo de blindagem manteve-se até 1880, data em que se começou a cobrir parte dos cascos dos navios de guerra com chapas duplas de 305 mm em ferro fundido e encostadas umas às outras. Mas, os canhões foram evoluindo, ou antes, aumentaram de calibre e, portanto de peso, Por isso, deixaram de estar instalados ao longo do costado por cima da coberta e no convés para serem colocados em barbetas rotativas, pois com o aumento do peso da artilharia diminuía o número de peças. Também com o aumento da espessura das couraças reduzia-se a altura dos costados. Os primeiros monitores couraçados costeiros tinham o convés quase a rasar a água, o que dava origem a más condições de navegabilidade e quando se pretendia aumentar a altura do costado tinha de reduzir-se a espessura da protecção, pelo que a couraça propriamente dita limitava-se muitas vezes a cinturas verticais nalgumas zonas do navio para evitar os tiros de trajectória direita disparados a curtas distâncias.

 

O decénio de 1880 a 1990 foi, sem dúvida, o da metalurgia: a blindagem composta evoluiu. Utilizou-se então ferro revestido de um aço mais duro, vazado, moldado ou laminado a quente para obter um composto que poderia ser trabalhado posteriormente a quente no laminador.

 

Este novo sistema combinava as qualidades do aço com a dureza do ferro, mas a face mais dura tinha a tendência a separar-se das restantes camadas na zona do impacto. Entretanto aparecem os obuses perfurantes de ogiva oca que penetravam com facilidade nas blindagens então vigentes. Por isso, já no fim da referida década, surgem as chapas carbonizadas de aço-níquel temperadas e recozidas para aumentar ainda mais a respectiva dureza. Eram as chapas de aço cementado Krupp; extremamente duras, mas com uma certa tendência para estalarem no interior quando recebiam o impacto de um obus pesado. As fábricas Krupp resolveram o problema; acrescentaram crómio à liga para devolver à chapa a sua dureza inicial após um impacto.

 

A artilharia progredia em simultâneo com as blindagens. Os especialistas em balística sabiam que tinham de aumentar a energia cinética dos projécteis e que esta era proporcional à massa e à velocidade inicial (Ec=1/2mv2);  tinham pois de aumentar o calibre para fazer crescer a massa e o comprimento do tubo do canhão, medido em número de vezes o calibre, para obter uma maior velocidade à custa do propulsante então inventado, a cordite. Este, em vez de provocar uma detonação explosiva como acontecia com a pólvora, produzia sim uma aceleração do projéctil pela dilatação muito rápida dos gases formados pela combustão da Cordite, um derivado da Balistite, inventada por Nobel, mas de melhor composição, ou seja, 58% de nitroglicerina, 37% de nitrocelulose gelatinosa e 5% de vaselina. A velocidade inicial dependia do comprimento dos tubos, já que quanto mais longos fossem, mais prolongado seria o efeito de aceleração provocado pela dilatação dos gases. Tudo isto revolucionou a construção do próprio canhão. O comprimento obrigou a inventar a culatra movida hidraulicamente, dado o seu enorme peso. O engenheiro alemão Boehle construiu mesmo sistemas de abertura muito rápida. Assim, nos navios da classe Kaiser, construídos por volta de 1900; um só homem podia abrir e fechar dez vezes por minuto a culatra de 650 quilos do canhão de calibre 240 mm.

Na última década do Século XIX, a peça mais comum dos grandes navios de linha britânicos era a de 305 mm com 40 calibres de comprimento (12,20 metros). A velocidade inicial do projéctil tinha passado dos 640 para os 792 metros por segundo com um peso de 440 quilos e uma carga explosiva de 12,5 quilos de melinite, um derivado do trinitrofenol ou ácido pícrico. A pressão exercida pela carga no momento do tiro excedia 2.600 quilogramas por centímetro quadrado. A uma distância de 6 mil metros, o projéctil atravessava as chapas de aço mais resistentes da época, ou seja, as de 350 milímetros em ângulos de incidência até 20 graus. Tornava-se pois possível destruir cientificamente o inimigo a grandes distâncias, desde que todo o sistema de pontaria e equilíbrio da peça fosse melhorado.

 

Mais tarde, já em pleno Século XX, a eficácia da peça de longo alcance melhorou acentuadamente com o aparecimento do director de tiro telemétrico.

 

 

 



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O Torpedo e o Submarino - Mais uma Revolução

 No fim do Século XIX, surge o torpedo autopropulsionado como arma suprema, tão revolucionária como o submarino que acabara de nascer e começava a ser utilizado pelas principais marinhas do Mundo.

 

 Em 1900, os técnicos de marinha admiravam-se com a eficácia do torpedo ítalo-britânico Whitehead propulsionado por um motor a gás comprimidos e que recebeu posteriormente um giroscópio para manter a direcção. A "inauguração" do torpedo teve lugar em 1887 quando foi lançado pelas forças do almirante russo Makarov contra a canhoneira turca Seif de 2 mil toneladas, afundando-a prontamente, isto na Guerra da Crimeia. Poucos anos depois, em 1891, o torpedeiro rápido Almirante Condell da Marinha do Chile lançou o segundo torpedo em situação real, afundando o couraçado Blanco Encalado de 3.500 toneladas de deslocamento, igualmente chileno, no decurso de um conflito interno que opôs as forças do ditador Balmaceda aos fiéis do Congresso da República. Três anos depois, em 1894, noutra guerra dita civil, outro torpedo do mesmo tipo afundou o couraçado brasileiro Aquidaban de 4.921 toneladas que foi posteriormente recuperado com o nome 24 de Maio, regressando ao nome original depois de uma modernização nos estaleiros alemães Vulkan.

 

O ataque torpedeiro deu-se na sequência de uma insurreição contra o governo do presidente Fernando Peixoto. O submarino é uma invenção mais antiga, mas só na mudança do Século é que os franceses conseguem realizar o primeiro submersível, o Narval, dotado de todos os requisitos essenciais deste tipo de navio e perduram até hoje como seja o duplo casco e o duplo sistema de propulsão diesel-eléctrico. Os espanhóis que pretendem tere inventado o submarino do tenente Peral, já em 1888 construíram o seu primeiro submarino, o Peral, de 87 toneladas de deslocamento, cujos desenhos e estudos foram iniciados em 1851, mas antes, em 1861 os espanhóis tinham construído um submarino, o Ictineo, movido a vapor e que serviu fundamentalmente como navio de ensaio. Hoje, o primeiro Peral está num jardim de Cartagena como monumento público. Mas é difícil atribuir a paternidade do invento, pois o físico holandês Cornelius van Drebbel construiu em 1624 um submarino a remos que submergiu no Tamisa perante o rei Jaime I que até quis navegar nele. Em 1890, o tenente português Augusto Fontes Pereira de Melo construiu um submarino para ensaios de imersão e habitabilidade que deveria receber posteriormente uma máquina propulsora, só que as autoridades navais cancelaram o projecto e preferiram importar depois do estrangeiro. Na mesma data, o submarino francês Gymnote navegava até 200 milhas propulsionado exclusivamente por um motor eléctrico alimentado por baterias, fazendo 7 nós à superfície e 5 em imersão. Nos EUA, o submarino Holland, construído pela John P. Holland Torpedo Boat Company, continuava as suas experiências. Foi o primeiro submarino com casco em forma gotiforme, prontamente abandonado como tal, quando surgiu o duplo casco destinado a proporcionar uma maior navegabilidade à superfície para voltar a ser utilizado no Albacore muitas dezenas de anos depois.

O Holland foi o primeiro submarino norte-americano, propulsionado por um motor dínamo-eléctrico e um engenho a gás. Estava armado com um tubo para lançar um torpedo Whitehead e outro para disparar um torpedo aéreo. Dizem as más-línguas que teria sido o Holland que torpedeou o couraçado norte-americano Maine na baía de Santiago em Cuba, então colónia espanhola, com o intuito de conseguir para os EUA um pretexto para declararem guerra à Espanha, em 1898, e, assim, apoderarem-se das Filipinas e, indirectamente, de Cuba, como fizeram.

 

Outra das grandes novidades foi o aparecimento da TSF, cuja patente foi registada pelo génio italiano Giugliemo Marconi em 1894 e em 1890 já era utilizada experimentalmente nalguns navios. Na guerra dos Bóeres foi ensaiada a sua aplicação com fins militares, se bem que sem grande êxito. A turbina a vapor Parsons e o motor Diesel surgiram também na passagem do Século, completando a profunda revolução que se operou nas marinhas de guerra no último quartel do Século XIX em consequência dos grandes progressos da Física desde a mecânica com a cinemática, a estática, a dinâmica e a gravidade à termodinâmica, electricidade e óptica, passando pelas propriedades dos sólidos, líquidos e gases, calorimetria, etc. Enfim, sem as inúmeras descobertas da Física, a civilização da máquina não teria aparecido, a qual não alterou em nada a agressividade humana e a falta de ética que caracteriza o poder decorrente de guerras e conflitos sempre renovados.

 

Em 1897, um pequeno barco particular, o Turbinia, espantou toda a gente ao ziguezaguear a 34 nós entre os grandes navios de guerra na parada naval que comemorava o Jubileu de Diamante da Rainha Vitória. O pequeno antecessor dos torpedeiros era accionado por uma turbina a vapor de 200 cavalos de força, inventada pelo britânico Charles A. Parsons, que accionava nove hélices em três veios.

Quatro anos depois, os ingleses já tinham um torpedeiro rápido movida com a turbina Parsons, mas que se revelou demasiado frágil para aguentar, a alta velocidade, as vagas alterosas do Mar do Norte. Posteriormente passaram a construir torpedeiros maiores com 540 toneladas de deslocamento que davam então a incrível velocidade de 33 nós. Foi a célebre classe Tribal que revolucionou as marinha de todo o mundo, armada com dois tubos lança-torpedos e 5 peças de 76 mm.

Por sua vez, o motor de combustão interna surge a bordo das primeiras lanchas-torpedeiras construídas em 1904 com 12 metros de comprimento e ainda pouco eficazes. Só no fim da I. Guerra Mundial é que melhoraram o suficiente para se tornarem belicamente mais úteis. Enfim, na viragem do Século, as maiores máquinas e mais complexas eram ainda as máquinas de guerra, tal como tinha sido desde que o homem inventou os primeiros mecanismos baseados em princípios empíricos da Física como o arco com flechas, uma máquina de caça e guerra e a lançadeira de dardos, isto no paleolítico superior. Quase deveremos substituir a nossa auto-denominação de Homo Sapiens Sapiens para Homo Sapiens Bellicus.

 

O Poder Naval na Transição do Século:

 

 1893

Grã-Bretanha: 48 couraçados; 18 cruzadores couraçados; 54 cruzadores.

França: 30 couraçados; 13 cruzadores couraçados; 19 cruzadores. Rússia: 17 couraçados; 9 cruzadores couraçados; 2 cruzadores.

Alemanha: 7 couraçados; 8 cruzadores. Japão: 1 cruzador couraçado; 8 cruzadores.

 

1903

Grã-Bretanha: 63 couraçados; 46 cruzadores couraçados; 54 cruzadores.

França: 36 couraçados; 14 cruzadores couraçados; 34 cruzadores.

Rússia: 23 couraçados; 10 cruzadores couraçados; 12 cruzadores.

Alemanha: 36 couraçados; 8 cruzadores couraçados; 8 cruzadores.

Japão: 7 couraçados; 10 cruzadores couraçados; 25 cruzadores.

 

 Em 1900, portanto, os mares e oceanos eram britânicos e, com a recém terminada guerra dos Bóeres, uma parte importante do continente africano, desde a Cidade do Cabo a Alexandria, era britânica. Também grande parte da Ásia e Oceânia faziam parte do maior império que o Mundo alguma vez conheceu, incluindo tudo aquilo que é hoje o Paquistão, Índia Birmânia, Malásia, parte do Bornéu, Austrália, Nova Zelândia, ilhas do Pacífico, além de Hong Kong, concessões na China, ilhas das Caraíbas e o domínio quase autónomo do Canadá.

O poder britânico nos mares nasceu com a derrota da Grande Armada dos Filipes, mas consolidou-se definitivamente após a guerra da Sucessão espanhola em 1713 que assegurou aos britânicos o direito ao "Asiento", ou seja, o monopólio da captura, transporte e venda de escravos africanos para todo o continente americano.

Com a escravatura, a Grã-Bretanha encontrou enfim o negócio extremamente lucrativo que lhe permitiu financiar uma marinha cada vez mais vasta e depois os primórdios da revolução industrial, incluindo muitos avanços da ciência.

 

Tal como os portugueses encontraram nas especiarias a sua primeira e importante fonte lucrativa e os espanhóis no ouro e prata da América Latina, os britânicos fizeram do escravo a sua especiaria e ouro, conseguindo um importante capital comercial com a exploração do açúcar, algodão, etc., na base da mão-de-obra escrava.

Mesmo assim, a verdadeira riqueza surgiu com a revolução científica e industrial após a abolição da escravatura que atormentou tanto as consciências dos homens de bem britânicos.

 

De alguma forma, todas as potências europeias e o Japão procuravam na expansão ultramarina ou regional a tal fonte milagrosa de riquezas que permitisse sustentar uma numerosa classe de pessoas abastadas nas respectivas metrópoles, mas só o conseguiram de uma forma limitada.

Acabou por ser o desenvolvimento científico, nomeadamente o da física, com o decorrente progresso tecnológico e industrial a proporcionar a tal riqueza, mas ainda no início do Século havia a ideia de que as riquezas provinham das profundezas da terra ou da superfície se houvesse mão-de-obra suficientemente barata. A própria Grã-Bretanha em pleno auge do seu imenso Império, ganhava mais dinheiro no comércio com a Argentina independente que com todas as colónias africanas e, juntando, os ganhos comerciais com os EUA, Japão e China e outros países como Portugal, Espanha e Brasil, o lucro obtido com os países independentes era imensamente superior ao auferido com todas as colónias e domínios imperiais. O imenso Império da Índia cobria menos de 15% do seu comércio de exportação.

A partir de 1890, a indústria britânica começou a estagnar relativamente aos novos competidores alemães, franceses, japoneses e norte-americanos. Mesmo assim, na mudança do Século, havia a impressão de existir uma economia mundial centrada na Grã-Bretanha, servida pela exportação generalizada dos seus capitais e assegurada pelo controlo absoluto dos mares. Os excedentes populacionais britânicos encontravam todo o tipo de trabalho nas colónias, domínios como o Canadá e Austrália e, bem assim, nos EUA e em quase todos os países do Mundo. A ideia que os britânicos desenvolviam era de que só num império é que um estado-nação pode encontrar a felicidade. Disso até Lenine estava convencido e daí ter feito tudo para manter o velho império czarista sob a sua feroz ditadura e dos seus epígonos após a Revolução de Outubro que deveria libertar os povos dessa "prisão de nações" como era denominado o império pelo próprio Vladimir Ilitch Lenine antes da conquista do poder. Ainda hoje, os descendentes dos revolucionários transformados em bravos capitalistas não querem desfazer-se do pouco que lhes ficou do antigo império.

 

Em 1900, a Rússia continuava a sua expansão territorial para Oriente, iniciada no Século XVI a partir do principado de Moscovo. Em 1581, o cossaco Iermark Timoteievitch lança-se com 500 companheiros à conquista da imensa Sibéria para Leste, começando por arrebatar ao Kan tártaro de Koutchum o seu reino da Sibéria. O herói cossaco morre num combate junto ao rio Ob, mas outros cossacos ao serviço do Czar Ivan IV seguem as pisadas de Timoteievitch, alcançando o Pacífico nos primeiros anos do Século XVII, quase dois séculos depois de os portugueses chegarem aos mares nipónicos. De qualquer modo, no começo do Século XX, os russos tinham conquistado tudo o que restava dos antigos impérios tártaros e mongóis, chegando ao Estreito da Tartária que atravessaram para conquistar a ilha de Sacalina. Poucos anos antes, precisamente em 1891, os russos iniciam a maior obra de sempre da Humanidade; o mastodôntico caminho-de-ferro transiberiano que em 1901 chega ao lago Baical e pouco tempo depois atravessa a Manchúria para chegarem à cidade de Lochun que se tornou então conhecida por Porto Artur, no extremo da Península de Kwantung no Mar Amarelo, a Ocidente da Coreia e chega a seguir a Vladivostok no Mar Interior do Japão.

 

Porto Artur ou Lushun com a sua fortaleza foi conquistada pelo Japão na curta guerra que travou com a China em 1895, na qual uma esquadra relativamente pequena do Japão derrotou uma força naval superior da China, provida de cruzadores couraçados. Mas os pequenos cruzadores japoneses com artilharia de tiro rápido levaram a melhor por causa da nítida falta de preparação dos chineses para aproveitar a vantagem táctica e técnica dos seus navios. Os japoneses conquistaram então a Coreia, Porto Artur e parte da península de Kwantung, além da ilha de Taiwan ou Formosa. Só que as potências ocidentais obrigaram os japoneses a retirarem-se de Porto Artur, deixando-os manter apenas relações especiais com a Coreia, mas sem ocupação efectiva. Só a ilha de Taiwan é que ficou integrada no império nipónico. Os russos aproveitaram o ensejo para obter da China a autorização para prolongar a linha do transiberiano pela Manchúria e arrendarem a cidade fortaleza de Lushun (Porto Artur).

 



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O Submarino do Tenente Peral em Cartagena como Monumento
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O Submarino Francês "Gymnote" Construído em 1888
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
1904: O Começo das Guerras Imperialistas

 

 

 

A paz reinante em 1900 durou apenas até 1904, quando os japoneses atacaram de surpresa a frota russa em Porto Artur, desencadeando a primeira das guerras das novas potências contra aquilo que poderíamos chamar de antigas potências como os impérios russo, britânico, francês, holandês, português e belga.

 

Entre as novas potências cheias de apetite territorial contava-se o Japão, a Alemanha e a Itália e os EUA que já tinham conquistado uma boa parte do México. No fundo, as guerras do Século XX tiveram como motivação principal a ascensão da Alemanha e do Japão à condição de potências imperialistas com um atraso de séculos relativamente a outras como a Grã-Bretanha e todas as nações europeias detentoras de impérios.

 

 

 

 

Czar Nicolau II

 

As primeiras queriam o seu "império" e as segundas nada queriam ceder e viam nas potências em ascensão um perigo para o seu poderio. Com a técnica e os seus conhecimentos de física, os homens organizados em estados mais ou menos populosos transformaram-se em dinossauros pelas suas armas e em células "cancerosas" pela sua multiplicação por todo o planeta com efeitos tão nefastos para o ambiente que se admite como possível morte do doente, o nosso pequeno planeta Terra.

 

O Japão teve um percurso notável desde que em 1853 a esquadra do almirante norte-americano Perry obrigou os nipónicos a abrirem os seus portos ao comércio internacional e abandonarem assim mais de dois séculos de total isolamento relativamente ao mundo exterior.

O país estava então técnica e politicamente ao nível da Idade Média. Não conhecia mais que a velha espingarda que os portugueses trouxeram no Século XVI e, em termos navais, apenas dispunham de alguns juncos.

Os nipónicos viviam sob uma espécie de ditadura militar, feudal e hereditária dos Shoguns, enquanto o imperador era mantido, como um deus vivo, afastado, dos negócios políticos. Com a chegada dos navios fumegantes e cheios de canhões do almirante Perry, os japoneses perceberam que a velha espingarda portuguesa de 1543 não permitia a sua defesa e, para tal, tinham de dotar-se dos mesmos navios e possuírem a técnica moderna, principalmente de natureza militar. Essa tomada de consciência do seu atraso provocou uma autêntica revolução. Em 1869, o novo imperador Mutsu-Hito inicia a época denominada Meiji de abertura ao Mundo, depois de ter um ano antes jurado fidelidade a uma constituição liberal e moderna do tipo europeu e derrotado numa sangrenta guerra civil as forças do restabelecimento feudal.

 

Não deixa de ser interessante a razão de tão prolongado isolamento do Japão. Tudo leva a crer que isso se deve aos portugueses, mais concretamente aos padres franciscanos que pregaram os ensinamentos de Cristo como vem na Bíblia, portanto uma doutrina revolucionária de igualdade de todos os homens perante Deus, esquecendo-se de explicar que isso não era para ser levado totalmente à letra e que haveria sempre uns filhos e uns enteados do Nosso Senhor e que a Cristandade conviveu durante quase dois milénios com as mais diversas formas de escravatura e servidão, apesar de as condenar como matéria de princípio. O cristianismo perturbou muito os velhos senhores feudais, habituados como estavam a viver numa sociedade altamente hierarquizada em que uns eram gente e outros quase nada. O shogunato, ou seja, o poder do primeiro-ministro, aproveitou-se bem da espingarda portuguesa para unir o Japão, mas de seguida proíbe o cristianismo em 1614 com medo que a ideia da igualdade pudesse afectar a estrutura social extremamente hierarquizada da sua sociedade.

 

Com a era Meiji aparece pela primeira vez uma burguesia que ascende ao poder por via do estudo das técnicas europeias. Os japoneses correram quase em massa para a Europa para estudarem tudo; foram aprendizes nas mais lúgubres fundições, operários nos estaleiros, alunos das escolas militares e das universidades, etc. Na Europa como então no Japão, e tal como sucedia em parte no Portugal dos descobrimentos, a classe dita burguesa caracterizava-se pela ideia de projecto de vida pessoal e nacional sem a servidão feudal nos campos e daí a ideia de expansão, comércio e indústria, ao contrário do nobre que se julga alguém simplesmente por ter nascido.

 

Em princípio, o burguês, principalmente o oriundo das classes trabalhadoras da cidade (burgo), é educado no trabalho e até no estudo, fazendo passar essa ideia para o todo nacional e concebendo o Estado-nação como um projecto político de progresso e daí o enorme desenvolvimento industrial dos Séculos XIX e XX. Infelizmente, a ideia de tirar o que é dos outros passou das aristocracias para as burguesias e tornou-se parte dessa noção de projecto nacional, o que produziu as terríveis guerras do Século XX. Até os partidos que pretendiam ser do proletariado puro também foram infectados pelo mesmo vírus mental da tal apropriação do que a outros pertence, principalmente territorialmente.

 

Em 1903, o Japão estava na posse de uma importante força naval, pois tinha acrescentado à sua marinha de guerra quatro novos couraçados, 16 cruzadores, 23 contra-torpedeiros, além de numerosas unidades mais pequenas. Sentia-se tão forte que seria o primeiro país asiático a atacar uma potência europeia, o Império Russo do Czar Nicolau II. Fundamentalmente queria obter o domínio da Coreia e conquistar a península de Kwuantung com a cidade fortaleza de Porto Artur que lhe tinha sido retirada por via do Tratado de Shimonoseki que deu por finda a guerra sino-japonesa de 1895, da qual os japoneses saíram vencedores.

 

 Os russos conseguiram instalar-se aí em força e decididos a nunca mais de lá saírem. Loshun crismada de Porto Artur pelos russos, ao contrário de Vladivostok, mais a norte e a oriente da península coreana, era um porto aberto todo o ano; o único de águas quentes com saída oceânica do imenso império continental que era a Rússia de então. Tinha, todavia, o defeito de estar muito assoreado na maré baixa, o que fazia com que os navios ficassem bloqueados no porto interior ou então tivessem que ancorar ao largo, frente à península dos Tigres.

 

Quando começou o conflito, os russos tinham em Porto Artur e Vladivostok sete couraçados, quatro cruzadores couraçados, catorze cruzadores pesados e ligeiros, duas canhoneiras couraçadas e 27 contra-torpedeiros e torpedeiros de alto mar. Uma esquadra valiosa se tivesse em boas condições técnicas de manutenção e dotada de guarnições bem treinadas, o que não acontecia, dada a ineficácia do supremo comandante e governador da Sibéria Oriental, o príncipe general-almirante Eugénio Alexeiev, filho do anterior Czar Alexandre II, enfim, um homem de carácter excessivamente burocrático e despótico. Nada se fazia sem autorizações por escrito e requerimentos prévios e qualquer decisão levava semanas a ser tomada. A guarnição de Porto Artur era já de 38 mil homens e mais de 90 mil militares russos estavam acantonados na fronteira com a Manchúria. Mas, para além dos números, faltava quase tudo; até espingardas, para não falar em munições e, mesmo, comida. O transiberiano tinha ainda uma só via e um intervalo de 100 milhas no lago Baical que tinha de ser atravessado de barco. Um batalhão completo levava mais de um mês para chegar ao Extremo-Oriente russo.

 

O Japão aproveitou o facto de uma companhia russa ter iniciado a exploração e corte de árvores a sul do rio Yalu, portanto, dentro da zona que os nipónicos consideravam de sua influência, apesar de a Coreia ser um estado independente, ou quase. Um empresário russo tinha obtido do governo coreano uma concessão para esse tipo de exploração em 1896, conseguindo emitir um grande número de acções colocadas na bolsa de S. Petersbourg com tanto êxito que até o Czar Nicolau II se tornou um importante accionista da empresa Bjesobarow. Pouco antes do início da guerra russo-japonesa, o marquês nipónico de Ito visitou S. Petersbourg e tentou negociar então com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Conde Lamsdorff, uma delimitação de zonas de influência no Extremo-Oriente entre as duas potências e, com isso, manter relações pacíficas. A Manchúria com a Península de Kwuantung e Porto Artur ficariam sob a influência russa, enquanto a Coreia, a sul do rio Yalu, passaria para a esfera nipónica. O então ministro das Finanças do Império Russo, Conde Witte, estava de acordo, mas como o autocrata Nicolau II possuía acções da empresa do especulador Bjesobarow, pessoa muito influente na corte, a proposta não foi aceite e ninguém explicou ao Czar a imensa vantagem de uma expansão pacífica pela Manchúria, bem como a posse definitiva de Porto Artur, e a falta de preparação das suas forças, além de que a Coreia não tinha interesse para o Império Russo e, menos ainda, uma simples exploração madeireira.

 

 Nicolau II tinha imensos poderes; não havia sequer primeiro-ministro e, menos ainda, um parlamento ou um conselho alargado. O autocrata ocupava simultaneamente os cargos de chefe de Governo e do Estado, além da chefia das Forças Armadas, mas não era particularmente inteligente, nem sequer gostava de política. Era um bom pai de família, um homem cortês e até modesto e bem intencionado, mas não tinha a mais pequena sensibilidade para os problemas materiais, nomeadamente dos militares ou da população e daí ter conduzido o Império de desastre em desastre até ao triste fim que ele e a sua família sofreram.

 

 Nicolau II limitava os seus contactos pessoais aos ministros, a familiares e a uns tantos aristocratas. Gostava de viver num pequeno palacete nos arredores de S. Petersbourg e adorava o seu estúdio instalado numa cabana de caça. Quando estalou a Revolução de 1905, só o seu dentista é que lhe pôde dar algumas informações práticas sobre a vida do povo e sobre os intelectuais de esquerda que proliferavam por toda a parte. Como acontecia com toda a nobreza herdeira de muitas gerações do Poder, desconhecia o sentido logístico da vida pelo que tinha a ideia que tudo se arranjava por si próprio; os servos e os súbditos tinham a obrigação de prover todos os bens materiais, o que não era muito difícil quando se tratava de abastecer um corte e umas tantas famílias nobres com um pequeno grupo de burocratas. Outra coisa era, sem dúvida, encontrar os meios para satisfazer grandes exércitos e esquadras. Para isso, a nobreza não servia, era necessária a capacidade de organização dos melhores das classes médias, o que passava naquela época pela instituição de um regime liberal e parlamentar como o japonês e instrução pública para quase toda a população.

 

Saliente-se aqui que no Japão como na Alemanha e noutros países, os ditos regimes parlamentares das burguesias industriosas serviram para equipar grandes exércitos e marinhas e, uma vez resolvido o problema logístico, foram quase todos postos de parte. Os generais e almirantes aristocratas ou snobes deitaram-nos fora como trapos inúteis e meteram-se em guerras sem conta de vitória em vitória até às derrotas totais.

 

Recusadas as propostas do marquês de Ito, este firmou em 1902 uma aliança de cinco anos com a Grã-Bretanha. Na Rússia, o Czar entrega a política do Extremo-Oriente a um comité chefiado pelo corrupto Bjesobrawov com alguns amigos do Czar que não pararam de tentar avançar o mais possível para a outra margem do Yalu e, assim, acicatar ainda mais os ânimos dos nipónicos. Logo após a nomeação de Alexeiev para governador, tomou-se mesmo a decisão de ir para a guerra com o Japão, se necessário fosse. Claro, o imenso Império Russo não temia o Japão, dada a correlação global de forças, mas em S. Petersbourg ninguém entendia a questão do poder regional e o facto de o Japão querer ser uma barreira à expansão da Rússia ainda mais para Oriente. Na verdade, a Rússia de 1904 tinha mais de 145 milhões de habitantes e estendia-se desde a Polónia ao Estreito de Behring, incluindo a Finlândia, os actuais países bálticos, a Ucrânia, Bielo-Rússia, Moldávia e todos aqueles países orientais que agora se tornaram quase independentes. Enfim, uma área terrestre superior 14 milhões de quilómetros quadrados, tanto como 152 vezes a superfície de Portugal.

 

Os japoneses, por sua vez, ainda não eram mais que uns trinta milhões e o seu território era uma ínfima parte do russo. A guerra surge de facto sem que os russos estivessem preparados para o combate, até porque a dada altura deixaram de acreditar que os japoneses quisessem mesmo ir para uma guerra. O próprio Czar chegou a mandar um telegrama a Alexeiev para nada fazer no caso de os japoneses desembarcarem tropas a sul de Seul e que seria aconselhável que não fossemos nós a iniciar as hostilidades.



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Couraçados da Classe Petropavlovsk

Petropavlovsk2.jpg

 

As três unidades desta classe estavam estacionadas em Porto Artur quando se iniciou a guerra russo-japonesa em 1904. Eram excelentes navios incoporadas na marinha russa em 1899. Deslocavam 11.354 a 11.842 t e estavam armadas com 4 peças de 305 mm e 12 de 127 mm, além de outro armamento menor. Navegavam a 16,5 nós de velocidade máxima com a força proporcionada pelos 11.250 cavalo-vapor das suas 12 caldeiras que accionavam 16 cilindros. Para além do Petropavlovsk, estava o Poltava e o Sevastopol.

 

 O Petroavlosk explodiu quando, ao embater numa mina, o seu paiol de munições explodiu também.

 

O Poltava encaixou 14 tiros de 12 polegadas na batalha do Mar Amarelo a 10 de Agosto de 1904, sendo obrigado a regressar a Porto Artur onde voltou a ser atingido e afundou-se em águas baixas. Foi recuperado pelos japoneses e integrado na sua marinha om o nome de Tango até ser vendido aos russos em 1916 para servir na respectiva Armada com o nome de Tchesma.

 

O Sevastopol foi atingido na mesma batalha, regressou a Porto Artur e foi quase atingido por três torpedos que o não afundaram por terem explodido nas redes de protecção, mas acabou por ser rebocado para águas profundas e afundado pela guarnição quando a cidade-fortaleza de Porto Artur se rendeu.

 

 



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Domingo, 24 de Junho de 2007
O Ataque Surpresa dos Nipónicos a Porto Artur

No dia 6 de Janeiro de 1904, um pequeno vapor japonês atracou a um dos canais de Porto Artur para embarcar o pessoal do seu consulado e informar-se das posições dos navios russos. Ao mesmo tempo, o embaixador nipónico em S. Petersbourg entregava um ultimato e declarava cortadas as relações diplomáticas entre os dois países, enquanto a esquadra de Togo já estava no mar, precisamente na rota para Porto Artur.

 

O almirante russo Stark tinha pedido ao governador para enviar alguns cruzadores em exploração bastante ao largo para verificar se havia movimentos de navios de guerra japoneses. O Príncipe General-almirante Alexeiev tinha aquela tendência despótica dos russos de dizer não a tudo o que lhes fosse proposto e substituir um conselho avisado por outro diferente. Assim, limitou-se a autorizar a saída dos dois torpedeiros Basthrashni e Rastoropni para vigiarem ao largo, mas sem fazerem uma verdadeira exploração a muitas milhas de distância como queria o vice-almirante Stark, o qual, era, sem dúvida, um excelente oficial, mas sempre manietado por alguém que de cima pretendia saber mais.

 

O governador Alexeiev nem se deu ao trabalho de informar o vice-almirante do corte de relações diplomáticas. Este é que desconfiava que algo de grave estava para acontecer, daí ter tomado a tempo algumas precauções. Instalou-se definitivamente no seu navio-chefe, o couraçado Petropavlosk e proibiu o desembarque nocturno a todas as guarnições. Além disso, Stark ordenou ao navio de linha Retvisan e ao cruzador Pallada para iluminarem a entrada do porto com os seus holofotes. O cruzador Gillak deveria largar para o largo a fim de vigiar a aproximação do porto, mas a sua máquina estava avariada, pelo que teve de ser substituído, já muito tarde, pelo cruzador Bobr, cujas caldeiras ainda não estavam totalmente aquecidas quando os japoneses atacaram. O ataque nipónico foi feito à noite por várias flotilhas de torpedeiros , as quais foram vistas pelos seus similares russos em patrulha e com ordens para não abrir fogo. Se o tivessem feito, teriam atrasado o ataque japonês. Tanto o Rastroponi como o Bastrashni ao verem as unidades da esquadra do almirante nipónico Togo regressaram de imediato a Porto Artur para avisarem o vice-almirante Stark da iminência do ataque. Quando chegaram à distância de sinalização, já a primeira flotilha de torpedeiros estava a 400 metros da esquadra russa e lançava os seus torpedos; uma segundo e uma terceira flotilha veio logo a seguir com as mesmas intenções. O cruzador Pallada foi torpedeado a meio e ficou 10 graus inclinado.

 

O couraçado Tsarevitch foi atingido por um torpedo na zona do leme, fazendo entrar muita água que fez o navio inclinar-se para bombordo. Só depois do cruzador Retwisan ser torpedeado é que os 13 navios da esquadra russa começaram a abrir fogo em resposta ao ataque surpresa dos nipónicos. Mas, sem grande sucesso dado estar-se numa noite muito escura de 8 para 9 de Fevereiro de 1904.

 

No dia seguinte, a 9, surge frente a Porto Artur o grosso da moderna esquadra do almirante Togo, tentando travar uma batalha naval e destruir as unidades russas, as quais apesar de debilitadas eram ainda importantes. Mas, sem êxito, as peças de 305 mm dos novos couraçados Mikasa, Shikishima e Hatsuse tinham um alcance inferior ao da artilharia de costa da fortaleza de Porto Artur. O pequeno cruzador Novik foi atingido, tal como o navio-almirante japonês Mikasa. Apesar da longa troca de tiros, todos os navios atingidos ficaram em estado de serem reparados e voltaram ao combate.

 

Togo foi demasiado prudente no ataque. O mais avariado foi o couraçado Tsarevitch, um excelente navio de construção francesa que deslocava 12.915 toneladas, armado com 4 peças de 305 mm, 12 de 152 mm e 40 outros canhões de artilharia secundária, além de 4 tubos lança-torpedos. Possuía uma cintura couraçada que atingia os 254 mm de espessura nas zonas mais vitais. O seu casco era todo arredondado para não permitir impactos em ângulo recto. Após os primeiros ataques, a esquadra japonesa passou a bloquear Porto Artur sem se aproximar muito por causa das minas russas que na altura eram consideradas as melhores que existiam no mundo, enquanto o Governo resolve destituir o vice-almirante Stark, substituindo-o pelo enérgico almirante Makarov, o tal que na Guerra de Crimeia utilizou pela primeira vez o torpedo para afundar uma canhoneira turca.

 

Makarov encontrou uma esquadra com bons navios, mas as guarnições não dominava as mais elementares evoluções tácticas. Com muita energia, o novo almirante reorganizou os seus navios, iniciando, logo à chegada, uma série de combates contra a esquadra de bloqueio japonesa. Para o efeito, utilizou principalmente os torpedeiros em ataques nocturnos. O novo comandante-em-chefe chega a Porto Artur no dia 8 de Março e já a 9 e a 10 os seus torpedeiros atacam. No dia 10 trava-se o combate mais violento, quando, nas primeiras horas da madrugada, os torpedeiros russos atacam a primeira divisão de contra-torpedeiros nipónicos. Entretanto, aparece a segunda divisão japonesa que proporciona uma esmagadora superioridade relativamente aos navios russos. O Steregutchi de 220-240 toneladas armado com dois tubos lança-torpedos e alguma artilharia ligeira recebe um impacto que lhe avaria a máquina propulsora. Makarov, então a bordo do pequeno cruzador rápido Novik de 3080 toneladas, seguido do cruzador pesado Askold, lança-se no combate com a intenção de salvar o pequeno torpedeiro russo. Ainda conseguiu embarcar alguns membros da guarnição e evitar que o navio fosse apresado pelos japoneses.

 

 A poderosa esquadra do almirante nipónico Deva tinha entretanto chegado à distância de tiro, pelo que os russos retiram-se para a zona de abrigo das suas poderosas baterias de costa. Makarov conseguiu sempre responder às tentativas dos couraçados de Togo de bombardear Porto Artur e a esquadra russa nas marés baixas quando estava praticamente impedida de manobrar. Instalou postos de observação com ligações telefónicas que orientavam os tiros dos navios russos ancorados no porto interior com suficiente êxito para avariarem seriamente o poderoso couraçado nipónico Fuji, um dos orgulhos da nova marinha de guerra do Império do Sol Nascente. Construídos nos estaleiros britânicos Thames Iron Works, o Fuji deslocava 12.320 toneladas, armado com 4 peças de 254 mm, além de 34 outros canhões. Uma hora depois de um dos ataques japoneses com a maré já mais alta, Makarov sai do porto e pôs em fuga a divisão de cruzadores japoneses que se aproximara demasiado de Porto Artur.

 

Houve mais encontros bélicos, mas sem grandes resultados de parte a parte, pelo que os japoneses começaram também a minar as água apertadas ao largo de Porto Artur. Em Maio, tendo decidido mais uma sortida, desta vez com o seu navio-almirante Petropavlosk armado com 4 poderosas peças de 305 mm, Makarov viu o seu navio embater num mina e afundar-se rapidamente, levando para o fundo do mar o valente almirante russo com 32 oficiais e 600 homens da guarnição.

 

Só se salvaram 7 oficiais e 32 marinheiros. Entre os oficiais que não pereceram, contava-se o então jovem Grão-Duque Kyril que se tornou no Czar dos emigrantes monárquicos após a Revolução de Outubro de 1917. Pouco tempo depois, também o couraçado Probieda embate numa mina, mas não se afundou. Os russos ficaram reduzidos a três couraçados em estado de combater e dois em reparação. A morte de Makarov foi uma perda insubstituível. O governador nomeou para o comando da esquadra de Porto Artur o almirante Witthoeft, o seu chefe de Estado Maior; um homem de boa vontade, trabalhador e nada cobarde mas desprovido de qualidades de liderança para aquele comando. Tinha feito uma carreira essencialmente burocrática. Enquanto o novo comandante entrava em funções e procurava muito a custo reparar os estragos nos navios russos, Nicolau II e o seu governo tomavam a decisão de enviar ao Oriente a esquadra do Mar Báltico reforçada com novos couraçados e cruzadores. Juntamente com os navios de Porto Artur e de Vladivostok, os russos esperavam derrotar de vez o almirante Togo.

 

Como acontece com muitos governantes fracos, o Czar Nicolau II foi capaz de uma explosão de energia e ficou possuído pela ideia de derrotar o Japão nos mares. Contudo, do gigantesco edifício do Almirantado em S. Petersbourg saía uma ou outra voz a dizer que o projecto carecia de sentido. Por muito bons que fossem os navios, chegaria aos mares nipónicos em estado lastimável após uma viagem de mais de vinte mil milhas sem portos de apoios e a terem praticamente de se abastecer no alto-mar. Principalmente, criticou-se muito o facto de a decisão ter vindo para os jornais quase de imediato, portanto, com uma antecedência de muitos meses relativamente à chegada da esquadra do Báltico ao Mar Amarelo, ficando os japoneses avisados dos planos russos.

 

A guerra russo-japonesa foi o primeiro conflito largamente relatado nos jornais diários que recebiam informações via Austrália e Rússia pelo telégrafo transmitidos pelos cabos submarinos já existentes. A notícia levou os japoneses a concentrarem os seus esforços em terra e tentarem conquistar por qualquer preço a praça-forte de Porto Artur. O seu grande objectivo era chegarem ao monte 203 de onde poderiam bombardear com eficácia a cidade e a frota ancorada na rada do porto. Já estavam perto e tinham instalado doze canhões de 280 mm anti-fortaleza que disparavam obuses sobre a esquadra russa em tiro curvo; só que não possuindo uma posição para visionar os navios inimigos, o tiro era feito ao acaso, pelo que só uma vez é que atingiram o convés de um navio russo.

 

A questão das minas era o grande problema para ambas as esquadras que estiverem frente a frente a distâncias que não permitiam o tiro e a verem os seus navios afundados por minas. Num só dia de nevoeiro, precisamente a 14 de Maio de 1004, a terceira divisão japonesa perde os cruzadores Kasuga e Yoshimo por abalroamento, enquanto o pequeno cruzador Mikayo vai pelos ares ao embater numa mina. Tornado invisível pelo espesso nevoeiro, o lança-minas russo Amur avançou com grande valentia e lançou as suas minas mortais na rota da esquadra de Togo. Os couraçados Hatsuse e Yashima abalroaram minas. O Hastsuse explodiu como se fosse todo ele um paiol de dinamite, enquanto o Yashima ficou tão avariado que se afundou em águas pouco profundas Com estas perdas, teria chegado a hora da esquadra russa sair de Porto Artur e enfrentar a debilitada força de Togo, até porque os couraçados Retwisan, Tsarevitch e Pallada estavam reparados e, pouco tempo depois, os japoneses perdem também pela acção das minas o cruzador pesado Chiyoda e o cruzador Kaimon. As minas vingaram bem a morte do almirante russo Makarov.



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