Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Sábado, 31 de Março de 2012
Revolução na Arquitetura Naval – A Proa Ulstein X-Bow

 

 

 

 

O novo desenho de proa denominado Ulstein X-Bow representa a segunda maior revolução no desenho de cascos de navios desde o aparecimento do bolbo da proa, instalado pela primeira vez nos paquetes alemães Europa (1928) e Bremen (1929). Neste novo desenho, o bolbo da proa integra-se totalmente na proa e a roda da proa inclina-se para trás na parte acima da linha de água como é visível na foto do Oceanic Vega.

A vantagem deste revolucionário desenho da proa está demonstrada nos primeiros dois navios sísmicos construídos com esta inovação e em mais de 40 unidades já construídas ou em construção. Fundamentalmente, a proa X reduz a resistência hidrodinâmica ao avanço do navio e numa velocidade superior em condições de mar alteroso dado que o afundamento da proa é menor que nos navios com bolbo de proa, pois a roda da proa está sempre acima da superfície da água. O movimento do navio é mais suave em todas as condições de mar, o que permite um menor número de acelerações negativas e reduz o “peso” da água arrastada pela proa, induzindo uma apreciável economia de combustível.

 

Este tipo de proa foi inventado ou desenvolvido para resolver o problema dos navios sísmicos de pesquisas petrolíferas e conferir-lhes maior estabilidade nas situações de grande turbulência, daí ter sido desenvolvido pela empresa norueguesa Ulstein. O verdadeiro segredo da proa X consiste na distribuição volumétrica que permite uma redução do impacto da proa nas ondas ou superfície do mar, que significa reduzir o volume de água levantado que em mar bravo inunda os convés e parte das superstruturas. Além disso, a onda não é como que empurrada pelo bolbo da proa ou outros tipo de proa, mas cortada. A perda de velocidade em muitas rotas atlânticas com ondulação de 2,5 a 10,0 metros não passa dos 19%, ao contrário de outros navios quer perdem até 50%.

 

Em estudos e experiências em tanque ficou demonstrado que um porta-contentores desenhado para uma velocidade de 18 nós pouparia 7 a 18% de combustível em função da velocidade e das condições do mar, daí que muitos dos novos navios com propulsão diesel-elétrica estão a ser construídos com a proa Ulstein X-Bow.

 

A proa Ulstein X produz parte do efeito do bolbo da proa, mas em vez de o deslocamento formar duas ondas, a do bolbo e a do casco, forma uma só do casco-bolbo. Estas ondas são formadas pela água empurrada que forma uma onda (marola) e que é proporcional à velocidade do casco. Quanto maior a velocidade do casco, maior o comprimento da onda e há sempre uma certa velocidade em que o comprimento da onda é igual à do navio, tendo uma crista na proa e outra na popa. O navio navega na vaga desta onda à chamada “velocidade do casco”. Esta velocidade, em nós, é aproximadamente igual a 1,34 vezes a raiz quadrada do comprimento da linha d'água do casco, em pés.

 

O bolbo da proa dos navios atuais cria a sua própria onda, mais à vante e “fora da fase” em relação à onda criada pelo casco. Por isso, o bolbo cria a sua própria onda que diminui a onda do casco e o seu efeito de arrastamento. Nas proas X, estas são quase em
forma de bolbo, fazendo com que a sua onda seja a própria onda do casco e sobem mais sobre as ondas maiores, perfurando mais as menores ou a superfície lisa da água em mar calmo. O efeito é visível nas fotos, tal como o levantamento de
água para os lados e para cima do navio.

 

A função do bolbo é alterar a natureza da onda causada pela proa em movimento, com o fim de reduzir o arrasto induzido pela onda no casco. O bolbo
de proa cria sua própria onda, mais a vante e "fora de fase" em relação à onda criada pelo casco. Dessa forma, a onda do casco é reduzida, diminuindo o efeito do arrasto, mas há o choque das duas ondas, a do bolbo e a do casco, de que resulta uma terceira composta por ambas, mas não necessariamente somadas.

Antes de atingir a "velocidade de casco" o bolbo representa uma resistência de fricção extra do casco com a água. Quando o navio está descarregado, o bolbo aparece acima da linha de flutuação, como na primeira foto abaixo. O bolbo tinha como missão reduzir o mergulho da proa na onda relativamente
aos cascos com as proas simples dos navios mais antigos. A proa X reduz ainda mais o mergulho do navio na onda e permite conceber navios como os da foto com a ponte de comanda ligada à parte final e superior da roda da proa.

 

 Artigo Publicado no Site da "Revista de Marinha"

 

 

 

 Já os Vikings construiam proas semelhantes às modernas X-Bow também dos antepassados dos Vikings, os norugueses

 

 

 

 



publicado por DD às 00:13
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Domingo, 11 de Março de 2012
Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo em Crise

 

 

Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo estão em vias de fecharem por falta de créditos e encomendas.
Depois de terem saído 150 trabalhadores por reforma antecipada ou não, o quadro da empresa ainda comporta 650 trabalhadores, mas os ENVC recorriam muito ao trabalho exterior e desde há bastantes anos, pelo que o seu fecho pode levar 10 mil trabalhadores ao desemprego. São trabalhadores de metalomecânicas, serralharia, eletricidade, mecânica, tubagens, tintas, etc., além de restaurantes, cafés, empresas de informática, etc.

Um golpe profundo nos ENVC foi aplicado pelo governo socialista dos Açores que rejeitou dois navios iguais, o “Atlântida” e o “Anticiclone”. O primeiro está pronto e nas provas de mar não atingiu por dois ou três nós a velocidade exigida na encomenda, o segundo tem uma parte do casco construído e está desde então a enferrujar.

O Chávez, amigo do Sócrates, prometeu comprar os dois navios, mas, entretanto adoeceu, e o administrador do ENVC diz que tem telefonado para o ministério da Marinha e para a empresa estatal de navegação e nada lhe dizem. Bem, nestas coisas não se telefona, vai-se com alguns engenheiros e os planos do navio para convencer toda a gente. Não sei se isso foi feito e se não tivesse resultados positivos e nada como ir a Colômbia, ao Panamá, ao Brasil, às Guianas e a países caribenos para ver se alguém quer comprar esses dois navios ou mandar construir outros.

De qualquer modo, acho que o Carlos César foi um mau português e um mau socialista dado que os estaleiros são estatais. O problema técnico da velocidade até se resolvia e no segundo navio nunca haveria esse problema porque a motorização seria mais potente.

Enfim, estamos cada vez mais habituados a maus portugueses das ilhas. Claro, o César não se compara nesse aspeto ao Alberto João que não é um mau português., mas sim um péssimo inimigo da Pátria Lusa.

Saliente-se que os ENVC necessitam de uns 3 milhões de euros para equilibrar as contas e aceitarem encomendas. Estes estaleiros, para além da
construção de navios, têm trabalhado muito para outros estaleiros, construindo partes de navios e fazendo acabamentos como pinturas, montagens de
equipamentos, etc. e também reparam navios avariados e fazem as pinturas habituais em navios que navegaram durante um certo tempo. Entregaram um navio patrulha oceânico à Armado e têm outro quase pronto. Esteve prevista a construção de 10 unidades do género para substituir as 10 corvetas que faziam a patrulha habitual dos mares nacionais sem serem os navios mais adequados para o efeito porque foram construídos para as águas costeiras de Angola e Moçambique. Enfim, os ENVC têm futuro, só necessitam é de alguns fundos e o governo deveria pedir o apoio de Bruxelas para a construção dos navios patrulha dado que Portugal é fronteira atlântica da Europa e espaço Schengen. Por aqui pode entrar muita droga para abastecer os mercados europeus.

 

 



publicado por DD às 19:08
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