Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Terça-feira, 4 de Março de 2014
A Crise Russo-Ucraniana

Cruzador lança mísseis "Moskva"

 

A frota russa sediada no porto de Sebastopol na península ucraniana da Crimeia pouco mais é que sucata dada a vetustez dos seus navios e mísseis. Contudo, é numerosa e abrange os seguintes navios de pouco valor militar:

1 Cruzador lança mísseis “Moskva” de 11.500 toneladas incorporado em 1982

2 Cruzadores ou fragatas lança mísseis, o “Kertsch” de 1972 e outro navio que parece Já estar desarmado.

1 Fragata  da classe “Kashir” de 4390 toneladas de 1970

3 Fragatas da classe “Kriwak I e II” incorporadas em 1980 e 1990.

7 Navios de desembarque de tropas e tanques com mais de 20 anos de idade

1 Submarino diesel-elétrico da classe “Kilo” provavelmente da década de 1990.

1 Submarino da classe “Tango” que nem deverá estar operacional.

25 Corvetas e vedetas lança mísseis mais ou menos velhas. Algumas, poucas, podem ser modernas.

Atualmente, alguns navios modernos estão a atravessar os estreitos turcos dos Dardanelos e Bósforo para reforçar o poder daquela “sucata” ru

A base de Sebastopol foi fundada pelo príncipe Potemkin em 1783. Nessa época e até ao aparecimento dos meios aéreos muito rápidos, justificava-se a existência de uma esquadra que servia para ameaçar a Turquia.   

A Ucrânia é signatária de um tratado de desnuclearização que a levou a entregar os mísseis com ogivas nucleares estacionados no seu território e que foi também assinado pelos EUA, Reino Unidio, França e Rússia que tinha como contrapartida o respeito pelas atuais fronteiras da Ucrânia. O Tratado reconheceu a Federação Russa como herdeira única e possuidora de todo o armamento nuclear da antiga URSS, o qual entrou na relação de forças nucleares acordada entre EUA e Federação Russa que se assumiu como garante do respeito pela independência da Ucrânia nas fronteiras atuais e nada foi acordado quanto à política interna e externa da Ucrânia que só ficou comprometida com a ausência de armamentos nucleares no seu território.

 

Da parte da Rússia sabe-se que o tratado não está a ser respeitado porque a  Crimeia já foi ocupada por 16 mil soldados às ordens do ex-oficial do KGB, Vladimir Putin. Saliente-se ainda que grande parte dos navios russo de Sabastopol não tenham valor militar e num espaço marítimo tão restrito como o Mar Negro, uma grande esquadra é provocação e não um instrumento de defesa, pois caças supersónicos e mísseis chegam em minutos a qualquer ponto desse mar e das costas da Turquia, Roménia, Ucrânia, etc. Aquilo tinha importância na época dos navios à vela, mas hoje, uma frota como a russa não serve para nada, tanto mais que se sair para o Mediterrâneo ou outros mares e oceanos navegará sem bases de apoio por perto, a não ser que as conquiste primeiro.

Qualquer alteração do território ucraniano anula o referido tratado com graves implicações no futuro, permitindo uma nova corrida aos armamentos.

 

Salientemos que o armamento nuclear atualmente na posse das potências possuidoras do mesmo está obsoleto e muitos mísseis e ogivas terão de ser desmantelados porque a ação do tempo deteriora os seus motores e o próprio material nuclear. Os EUA desejam modernizar o seu equipamento nuclear para novos mísseis muito mais pequenos e bombas nucleares também de dimensão muito menor, tudo com uma eletrónica nova e miniaturizada de controlo remoto mais segura no que respeita a possíveis acidentes que a Rússia não domina.

 

A Rússia não pode apoderar-se da Crimeia nem retirá-la da Ucrânia por via de uma independência sem violar o tratado e sem que a Ucrânia possa resolver dotar-se de armamento nuclear pois possui conhecimentos para os fabricar e material radioativo necessário. Seria mais perigoso para Putin ter uma Ucrânia com mísseis nucleares que associada à União Europeia que é cada vez mais uma espécie de zero político e até militar.



publicado por DD às 23:25
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