Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Terça-feira, 12 de Junho de 2007
Batalha de Dogger Bank
HMS Tiger.jpg

Cruzador de Batalha britânico Tiger na linha de ataque no Dogger Bank. Deslocava 35.000 toneladas e estava armado com 8 peças de 343 mm, 12 de 152 mm, além de outro armamento. Velocidade màxima: 28 nós.

 

 

Os alemães estavam convencidos da superioridade dos seus cruzadores batalha, principalmente desde que, logo no início do conflito, o Goeben conseguiu safar-se bem a toda uma esquadra inglesa no Mediterrâneo.

 O Moltke era um gémeo do Goeben e um dos navios mais utilizados nas sortidas rápidas pelo Mar do Norte, fazendo 25,5 nós, enquanto que o Seydlitz e o Derflinger chegavam aos 26,5 nós e o mais antigo, o Von der Tann, mesmo assim, atingia os 24,75 nós. Para além da rapidez, possuíam em geral uma boa protecção blindada; só o armamento é que pecava por calibres relativamente baixos em comparação com os grandes navios ingleses, mas os alemães achavam então que mais importante é acertar e disparar com rapidez que o peso da granada. As peças de maior calibre eram as do Derflinger de 305 mm, enquanto nos restantes predominavam as de 280 mm. Formaram novamente o quarteto de Hipper quando a 23 de Janeiro de 1915 saíram para atacar as patrulhas inglesas no Dogger Bank.

 

Como já era habitual, o almirantado britânico foi avisado a tempo pela escuta do morse germânico e enviou os cinco cruzadores de batalha sob o comando do almirante Beatty com os cruzadores ligeiros de Goodenough, além das flotilhas de contratorpedeiros de Tyrwhitt. Hipper ao ver os navios britânicos ordenou prontamente o regresso à base da formação alemã.

 

O poderoso Lion de 26.270 t. com 8 peças de 343 mm com os restantes cruzadores de batalho seguiu no encalço dos alemães, abrindo fogo sobre o mais lento e antigo dos navios germânicos, o Blücher, para logo de seguida concentrar-se no Seydlitz que recebeu um impacto na torre da popa. As chamas propagaram-se para a torre vizinha e para o paiol de munições que foi alagado a tempo de evitar uma explosão que fizesse o navio ir para o fundo em pedaços. Entretanto, já pelas 9.30, o Blücher recebe uma série de impactos de outros navios, continuando a "carnificina" até ao momento em que o Seydlitz consegue atingir o Lion com três tiros, um dos quais fê-lo reduzir a sua velocidade. Ao longo de toda a batalha, o Lion disparou 243 granadas, das quais só quatro acertaram em navios alemães; o último dos atingidos sem gravidade foi o cruzador de batalha Derflinger. Em contrapartida, o Lion encaixou 16 impactos de 280 e 305 mm e um de 210 mm, pelo que ficou com as máquinas alagadas e teve de ser rebocado pelo Indomitable. Os outros cruzadores de batalha britânicos eram o Tiger de 28.430t e o Princess Royal igual ao Lion, todos com 8 peças de 340 mm e o New Zeland de 18.500t e o Indomitable de 17.370t, ambos com 8 peças de 305 mm.

 

Entretanto, no Lion alguém julgou ver um periscópio, o que fez o almirante Beatty ordenar uma viragem de 90 graus para bombordo com medo de uma emboscada de submarinos. Pouco tempo depois voltou a si e ordenou de novo a perseguição e ataque à retaguarda da formação alemã, mas já sem conseguir mais que a destruição do Blücher que agonizava quase à deriva.

 

O Seydlitz conseguiu safar-se, apesar dos estragos sofridos, permitindo aos alemães tirar importantes ensinamentos sobre o modo como proteger com rapidez um navio quando atingido. Os britânicos não tiveram a oportunidade de se aperceber a tempo de algumas vulnerabilidades em termos de limitação imediata de avarias.

 

O Imperador dos alemães ficou tão furioso com a perda do Blücher que substituiu o almirante Ingenohl por Von Pohl, cuja fraca saúde não era de molde a dinamizar a frota alemã para acções de combate. Então, os alemães começavam a apostar tudo na guerra submarina e a sua "Esquadra de Alto Mar", mesmo nas suas bases do Jade, impedia os britânicos de disponibilizar meios para a protecção da sua navegação mercante, nomeadamente destrutores, tidos como indispensáveis para a protecção nocturna, e não só, das grandes unidades de combate.



publicado por DD às 00:17
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