Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Domingo, 24 de Junho de 2007
A Frustrada Saída de Porto Artur

 

 

 

 

O almirante Witthoeft recebeu, entretanto, ordem do Czar para sair com a sua esquadra, contornar a península coreana e dirigir-se para Vladivostok, juntando-se assim à esquadra russa do Mar do Japão, já que Porto Artur era considerada uma praça perdida, apesar da resistência que opunha ao avanço nipónico.

 

Witthoeft não queria sair, ou antes, queria fazê-lo o mais tarde possível quando a esquadra do Báltico estivesse nas proximidades. Nessa altura poderia bater-se com os japoneses, infligindo perdas sem que eles tivessem tempo para reparar ou reconstruir os seus navios e a esquadra do Báltico enfrentaria o inimigo em situação de fraqueza. Antes de sair, o comandante do porto, almirante Grigorovitch, propôs que saísse só com os navios mais rápidos, enquanto os restantes fariam uma manobra de diversão contra o porto de Dalni, a poucos quilómetros de Porto Artur, onde os japoneses desembarcavam as tropas que atacavam a cidade fortaleza dos russos.

 

Provavelmente, Togo dividiria as suas forças ou concentrar-se-ia na defesa do porto estratégico que era Dalni, na Península de Kwuantung. A esquadra de Vladivostok deveria sair para enfrentar as forças do almirante Kamimura postadas no estreito da Coreia para impedir que viesse ajudar Togo a concentrar todo o poder naval japonês nos navios russos de Porto Artur. O almirante burocrata Witthoeft não acatou os conselhos tácticos de Grigorovitch e resolveu levar consigo toda a esquadra, pois Sua Majestade tinha dado ordens para que todos os navios russos fossem para Vladivostok. Assim, ao amanhecer do dia 10 de Agosto, toda a esquadra de Porto Artur levantou as suas âncoras e zarpou em direcção ao desconhecido; à frente o excelente cruzador rápido Novik como explorador, pois conseguia atingir a então extraordinária velocidade de 25 nós, seguido dos seis navios de linha Tsarevitch, Retwitsan, Pobieda, Peresvit, Sebastopol e Poltava. Depois vinham os cruzadores pesados Askold, Pallada e Diana e uma dezena de torpedeiros.

 

Os caça-minas tinham feito bem o seu trabalho e a esquadra atravessou a via aberta por entre os campos de minas, deixando em quatro horas tudo para trás. Mas, as minas não eram o único factor a perturbar o andamento. Logo a seguir, o Tsarevitch assinalou uma avaria nos excêntricos pelo que teve de reduzir a velocidade para 8 nós. Uma vez reparada a avaria, a esquadra voltou à velocidade determinada de 14 nós para ter de parar pouco tempo depois quando o Probieda informa que tem a máquina avariada. Entretanto, os torpedeiros japoneses vigiam os movimentos dos navios russos e comunicam pela TSF a Togo para vir com os seus couraçados e cruzadores. Sete horas depois de saírem de Porto Artur, os russos descobrem as grandes silhuetas dos navios de Togo a navegarem na sua direcção a 17 nós e repentinamente uns 40 a 50 torpedeiros rodeavam a relativamente pequena esquadra russa. A batalha começou a uma distância de 11 mil metros. Togo procurou realizar a manobra táctica de cruzar em T e colocar-se em ângulo recto frente à linha russa para com o fogo simultâneo de todos os seus navios ir despachando os russos um a um para o fundo, a começar pelo primeiro. Witthoeft percebeu a manobra e guinou para bombordo, avançando a 12 nós, enquanto os torpedeiros procuravam os espaços abertos entre os couraçados e os cruzadores. Essa manobra, obrigou Togo a guinar para estibordo, falhado que fora o cruzamento em T, mas colocava-o em posição de impedir o regresso dos navios russos. Os japoneses ficaram admirados com o alcance do tiro russo e as duas esquadras navegaram durante algum tempo em paralelo, acabando os nipónicos por ficarem para trás. Apesar de mais lenta, a esquadra russa aproveitou o facto de Togo ter perdido muito tempo com a sua manobra. Entretanto, todos os navios que podiam em termos de distâncias disparavam. O cruzador pesado russo Askold recebeu um impacto numa das chaminés, enquanto o navio-chefe nipónico apanhou com um tiro no mastro grande que abateu e provocou um número apreciável de baixas entre a guarnição.

 

Togo não desarmou. Aproveitou a circunstância de Witthoeft não querer o combate, mas simplesmente chegar rapidamente ao estreito de Tsushima e daí guinar a norte para se abrigar em Vladivostok. Durante algum tempo não houve contactos bélicos, mas Togo fez todos os seus navios avançarem com quanta força tinham as suas caldeiras e, pelas quatro horas da tarde, já estava à vista da linha russa, mas desta vez avançava para as popas dos navios russos. O combate começou, o cruzador russo Poltava começou a disparar a nove mil metros de distância, enquanto os japoneses abriam a sua linha para fazerem tiro cruzado de todos os seus navios. Withoeft, à frente, não queria saber o que se passava no fim da sua linha de navios. As superstruturas do Poltava foram praticamente esmagadas com o tiro rápido japonês, seguindo-se depois o Sebastopol e a seguir o Peresviaet e ainda o Rewitsan até chegar a vez do navio-almirante, o couraçado Tsarevitch.

 

Os russos tomavam conhecimento do que era o terrível tiro rápido japonês que provocava muitos estragos, mas raramente conseguia verdadeiramente afundar ou pôr totalmente fora de combate os navios couraçados russos. As granadas nipónicas rebentavam numa nuvem de pequenos estilhaços que provocavam muitos incêndios, fazendo com que os navios russos navegassem como tochas a arder. Essas granadas possuíam um explosivo muito eficaz, o shimose que explodia a temperaturas muito elevadas e largava um gás tóxico para as vias respiratórias, o que desmoralizava muito uma guarnição, mesmo quando os estragos reais não eram muitos.

 

Enquanto isso, as granadas russas continham uma reduzida quantidade de explosivo pouco eficiente do tipo piroxilene. Frequentemente acertavam, mas não explodiam, pelo que eram quase nulos os estragos provocados. O tiro rápido japonês não era de grande precisão e provocava estragos superficiais. Na verdade, entendia-se por tiro rápido, naquela época, quando a peça era carregada pela culatra sem mudança de posição, portanto com a chamada pontaria contínua, o que não acontecia em muitos navios com canhões de grande calibre que tinham de regressar à posição inicial para serem carregados e o apontador tinha de repetir o trabalho feito para o tiro anterior.

 

Dois tiros nipónicos mudaram o rumo e a sorte da esquadra russa. Um deitou abaixo o mastro do navio-chefe Tsarevitch. O almirante Witthoeft e o seu Estado-Maior não se tinham abrigado na casamata de comando, estando fora a observar o combate, pelo que foram expelidos pela borda fora com toda a casa do leme. Só o comandante ficou na torre blindada, mas esta foi a dada altura trespassada por uma granada de 305 mm, desfazendo toda a oficialidade que aí se encontrava e o respectivo leme. O navio desgovernado guinou para bombordo, no que foi seguido pelo resto da esquadra, pois só passados uma série de minutos é que no couraçado Retwisan se aperceberam do drama desenrolado no navio-almirante . O seu comandante resolveu enfrentar denodadamente a esquadra de Togo e sinalizar ao couraçado Peresviet que no Tsarevitch foi emitido o sinal de passar o comando ao oficial mais antigo e mais graduado, neste caso o Príncipe Uchtomski do Peresviet que teve de guinar para estibordo para não abalroar o Tsarevitch que navegava em carrossel.

 

A esquadra russa desorganizou-se totalmente. Cada navio lutava por si próprio sem saber o que fazer depois. Togo, contudo, não conseguiu tirar muito mais proveito da sua vitória pois estava praticamente esgotado de munições. Ainda tentou formar um círculo em torno do couraçado Tsarevitch, mas viu-se rodeado de torpedeiros russos que o obrigaram a abandonar o campo de batalha. Mais à frente, os grandes navios de linha e os cruzadores japoneses organizaram-se de novo no sentido de bloquear a rota dos russos, pelo que Uchtomski ordenou o regresso a Porto Artur, mas só levou consigo nove dos vinte navios que tinham saído de Porto Artur. Aparentemente, só o couraçado Tsarevitch continuava rumo a Vladivostok como que obedecendo ao espírito do já morto almirante Witthoeft. As suas peças ainda intactas batiam com força os torpedeiros nipónicos, não os deixando aproximarem-se para lançar os seus projécteis infernais. Mas navegava desgovernado e acabou por entrar na baía de Kiatchu, então pertença dos alemães que desarmaram o navio e o retiveram até ao fim do conflito.

 

Os japoneses ainda tentaram pela segunda vez cercar o Tsarevitch, mas os cruzadores russos conseguiram impedir a manobra; o Askold, seguido do Pallada e do Diana, abriu o anel no seu ponto mais fraco, atacando com a sua artilharia de longo alcance quatro cruzadores japoneses e um enxame de torpedeiros. O Askold conseguiu passar a vinte nós por sete cruzadores japoneses e atingiu o Asama que ficou a arder. Por sua vez, o Diana recebeu um impacto que provocou um rombo e o fez desviar-se para sul. Acabou por fazer a longa viagem até Saigão, onde não foi autorizado a permanecer mais que 24 horas, tempo insuficiente para proceder a reparações. De uma forma descoordenada, a esquadra de Vladivostok saiu demasiado tarde para ajudar a de Porto Artur.

 

O governador Alexeiev ordenou a saída, a 14 de Agosto, dos cruzadores Gromoboi, Rossia e Rurik, os quais encontraram a Norte da ilha de Tsushima a poderosa força naval do almirante Kamimura com 16 cruzadores pesados. Apesar da superioridade numérica dos japoneses, apenas o Rurik foi destruído; os restantes navios russos regressaram à respectiva base. Só o cruzador rápido Novik, confiando na então extraordinária velocidade de 25 nós, tentou alcançar Vladivostok, mas sem êxito, pois acabou por ser atacado pelo cruzador Tsushima da marinha japonesa quando saia do porto russo de Korsakov na Ilha de Sacalina, onde se reabastecera de carvão depois de ter navegado ao largo de todo o arquipélago nipónico desde o extremo Sul ao Norte. O navio japonês com 6 peças de tiro rápido de 152 mm estava em nítida vantagem relativamente ao russo que só se podia defender com 6 canhões de 120 mm e 45 calibres. Muito atingido, o Novik regressou ao porto de Korsakov e quando tentou sair novamente encalhou num banco de areia. Acabou despedaçado pelas peças de 203 mm do cruzador japonês Chitose. A primeira fase da guerra naval russo-japonesa terminara mal para o Império do Czar.

 

Os russos mostraram ser capazes de combater a grandes distâncias, mesmo a mais de sete quilómetros, apesar de o seu tiro não ser suficientemente eficaz. Contudo, impediu a destruição da sua esquadra em Porto Artur pelos couraçados nipónicos e depois na batalha que ficou conhecida pela Round Island. De todos os combates travados, o elemento que mais falhou foram as esquadrilhas de torpedeiros, apesar do seu grande número. Dos mais de cinquenta torpedeiros japoneses nenhum conseguiu acertar um só torpedo num navio russo. Tinham de se aproximar demasiado dos couraçados e cruzadores inimigos, dado o reduzido alcance e pouca precisão dos torpedos, sendo então fortemente flagelados pela artilharia ligeira dos navios que pretendiam torpedear. O torpedo ainda não tinha giroscópio e deslocava-se a uma velocidade muito baixa. Além de que os torpedeiros eram muito pequenos, só transportavam dois torpedos e enxovalhavam muito num mar nem sequer muito alteroso.

 

A sorte do que restava da esquadra de Porto Artur foi decidida a partir de 5 de Dezembro de 1904 quando os japoneses conseguem por fim conquistar a colina 203 brilhantemente defendida durante tantos meses pelos russos que causaram mais de dez mil mortos aos nipónicos, entre os quais, os dois filhos do almirante Nogi. Depois disso, os seus obuses de 280 mm esmagaram os navios russos no porto interior e a 2 de Janeiro de 1905, a cidade-fortaleza rende-se quando já navegava a pleno vapor a imensa esquadra do Báltico que chegaria às águas japoneses sem o apoio da já inexistente esquadra russo do Extremo-Oriente. Antes da rendição final e quando o grosso da esquadra russa estava no fundo, os cruzadores japoneses tentaram ainda uma entrada no porto e aí o cruzador Takasago embate num mina e afunda-se, precisamente a 13 de Dezembro de 1904. O Takasago tinha a particularidade de ser muito semelhante ao cruzador português D. Carlos I, também desenhado por Sir Philip Watts e construído nos estaleiros de Elswick. Mas, o navio nipónico tinha um armamento superior, já que se destinava ao combate em águas mais ou menos territoriais, enquanto navio português tinha sido adquirido a pensar nas colónias, portanto em grandes viagens sem reabastecimento.

 

 

O Takasago era um excelente cruzador de 4.160 toneladas de deslocamento, armado com duas peças de tiro rápido de 203 mm capazes de uma cadência de quatro tiros por minuto, dez de 120 mm e dezoito de 12 e 6 libras, além de cinco tubos lança-torpedos. A sua blindagem era em aço macio de 63,5 a 114 mm de espessura da proa à popa e de 114,3mm nas torres das peças de 203 mm. A casamata de comando era também protegida por uma blindagem de 100 mm. Com as suas duas máquinas a vapor quadricilíndricas e doze caldeiras aquitubulares desenvolvia uma potência máxima de 15 mil cavalos, o que permitia atingir a excelente velocidade de 23 nós que, à data da construção, 1899/1900, era do melhor que se fazia. Navios da Primeira Fase da Guerra Russo-Japonesa Japoneses Couraçado Mikasa - navio-chefe japonês Nas duas fases da guerra russo-japonesa, este navio fez parte das pontas de lança em conjunto com os dois navio de uma classe semelhante, o Shikisima e o Asahi, ambos de tonelagem quase igual, mas de características algo diferentes. O Mikasa é de algum modo o navio mais famoso da marinha de guerra japonesa, sendo mesmo um seu ícone porque ainda existe como navio-museu atracado em Yokusaka nas imediações de Tóquio. As suas principais características são: Deslocamento: 15.140 toneladas. Blindagem: Cintura principal de 104 a 228 mm; cintura superior de 152 mm; convés de 50 a 75 mm; barbetas de 101 a 355 mm; casamata de 50 a 150 mm. Armamento: 4 peças de 305 mm; 14 de 153 mm mais 32 de calibres mais pequenos e 4 tubos lança-torpedos. Grupo propulsor: 2 máquinas a vapor de tríplice expansão com uma potência modesta de 15 mil cavalos-vapor, o que permitia uma velocidade máxima de 18,5 nós. Na Batalha do Mar Amarelo, o Mikasa recebeu vinte impactos directos que causaram 33 mortos e 92 feridos, mas pôde regressar à base ainda em estado de combate. O valor dos navios couraçados ficou demonstrado nesta batalha, a primeira em que intervieram verdadeiramente como Capital Ships, sendo só suplantados algumas décadas depois pelos porta-aviões.

 

Com o afundamento dos couraçados Hatsute e Yashima, o Japão ficou reduzido a quatro couraçados e a um número apreciável de cruzadores. Couraçados Shikishima incorporado em 1900 e Hastsuse em 1901. Dois excelentes navios gémeos com deslocamento médio de 15.000 toneladas. Blindagem; Cintura de 101,6 a 486 mm; convés de 63,5 a 101 mm; torres de 480 mm e barbetas de 203 a 355 mm. Armamento: 4 peças de 305 mm, 14 de 152 mm e 18 de menor calibre. Grupo propulsor: Máquina de tríplice expansão recíproca ligada a dois veios com14.500 cavalos-vapor de potência. Podiam atingir os 18 nós.

 



publicado por DD às 02:00
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