Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Domingo, 15 de Outubro de 2006
Batalhas no Sul do Pacífico

A Batalha do Mar do Coral

 

 

 

O Shoho afunda-se sob os ataques norte-americanos

 

 

O comandante Hamilton, aos comandos do Dauntless SBD-3, tomou a decisão acertada e extremamente arriscada quando lá em baixo viu o porta-aviões nipónico Shoho. Perseguido por um caça Mitsubishi 96, Hamilton não ficou muito preocupado e mergulhou para accionar a alavanca de largada de bomba sobre o poderosos navio inimigo. De uns 750 metros de altitude a bomba foi projectada bem para o centro do convés de voo, explodindo ruidosamente. O comandante Izawa Ishinosuke abriga-se e, sem saber ainda como, outra bomba explode no seu navio, enquanto outros bombardeiros monomotores da esquadrilha comandada por Hamilton se lançam ao ataque. Duas bombas de mil libras explodem com fragor provocando danos e incendiando aviões devidamente municiados e abastecidos com combustível. Ficou tudo envolto numa enorme nuvem de fumo negro aqui e acolá iluminada pelas labaredas vermelhas dos incêndios oriundos dos hangares

Seguiu-se um ataque por 12 lentos monomotores torpedeiros TBD-1 Devastator do Yorktown que, a 200 milhas horárias, se aproximam do ardente porta-aviões a fim de o liquidarem a torpedo, sofrendo terrivelmente com a artilharia anti-aérea dos cruzadores Aoba, Kinukasa, Furutaka e Kako que escoltavam o porta-aviões ligeiro Shoho (11.262t e 30 aviões) sob o comando do vice-almirante Takagi Takeo. Mesmo assim, o pequeno porta-aviões acabou por encaixar 13 bombas e sete torpedos que o levaram rapidamente para o fundo.

A missão deste grupo de cobertura japonês era proteger directamente as forças de invasão da Nova Guiné, navegando do norte, Rabaul na Nova Bretanha, para Port Moresby, na costa ocidental da Nova Guiné. A norte do arquipélago das Luisíadas, ao largo do extremo sul da Nova Guiné, a referida operação nipónica foi detectado pelos aviões da Força Tarefa 17 do almirante Fletcher com os porta-aviões Lexington e Yorktwon e os seus 93 aviões além de cruzadores, contra-torpedeiros e navios auxiliares. 

Outro grupo naval nipónico, denominado de ataque, estava também nas proximidades para enfrentar forças inimigas. Esse grupo, comandado pelo vice-almirante Takagi Takeo, incluía os porta-aviões Shokaku e Zuikaku (25675 ton e 84 aviões cada) mais os cruzadores pesados Myoko e Haguro, além de 12 contratorpedeiros e numerosas unidades auxiliares.

Quando se viu descoberto por aviões norte-americanos, o capitão Isawa acabava de ordenar o regresso da sua Patrulha de Combate constituída por quatro caças Zero e um avião de ataque.

Em sua substituição fez levantar voo uma patrulha reduzida formada por um caça Zero e dois Mitsubishi 96 de tipo antigo e muito lentos, os quais atacaram o grupo 2 de monomotores bombardeiros SBD do Lexington, conseguindo abater alguns aparelhos.

No entanto, aqueles aparelhos japoneses não conseguiram molestar os TBD torpedeiros do Lexington por estarem protegidos pela patrulha aérea do porta-aviões (CAP-“Carrier Air Patrol”) constituída por caças “Wildcat” que entraram pela primeira vez em combate com os então novíssimos caças “Mitsubishi A6M5 Zero”.

A superioridade numérica dos americanos permitiu ao tenente Haas abater o primeiro “Zero” e com ele um às da aeronáutica nipónica, Imamura. Quem presenciou o combate ficou admirado com a extraordinária capacidade de manobra do “Mitsubishi Zero” que era capaz de mergulhar a pique e fazer um intenso fumo para dar a impressão de ter sido abatido e, assim, reduzir a pressão do adversário.

Logo após o afundamento do Soho, o almirante Goto Aritomo mandou retirar os restantes navios da força de cobertura sem perder tempo com o salvamento de cerca de 200 náufragos sobreviventes de uma guarnição de mais de 800 homens. Simultaneamente, o comandante-em-chefe da operação, vice-almirante Inou mandou suspender a navegação para Sul da força destinada a conquistar Port Moresby na Ilha da Nova Guiné. Terminava assim, ingloriamente para os japoneses, aquilo que ficou conhecido como Batalha de Missima, ou a primeira fase da Batalha do Mar de Coral.

 

 

A Batalha Aero-Naval do 8 de Maio de 1942

 

Os mecânicos nipónicos trabalharam febrilmente desde o início da madrugada para aprontarem as esquadrilhas dos novíssimos porta-aviões Zuikako e Shokaku de 32.105t, incorporados em Agosto e Setembro de 1941.

O vice-Almirante Takeo Takagi tinha pressa em vingar o Soho e o desastre do dia anterior em termos de aviões perdidos.

Efectivamente, a 7 de Maio dois dos seus bombardeiros e dez aviões de ataque não regressaram às suas bases flutuantes, além de se terem perdido os hidros de reconhecimento da nova base japonesa instalada na Nova Guiné.

O vice-almirante Shigeyoshi Inoue tinha planeado a operação do dia 7, pensando que apanharia os americanos e australianos de surpresa. Para o efeito utilizara a táctica habitual dos japoneses que era a de fazer convergir vários grupos de navios e aviões de posições diferentes para chegarem ao mesmo objectivo. Aritomo Goto vinha da Rabaul pelo Mar de Coral com o Soho e quatro cruzadores pesados para cobrir um primeiro desembarque em Tulagi e depois proteger a conquista de Port Moresby.

Por sua vez, o vice-almirante Takeo Takagi deveria com sua poderosa força rondar as ilhas Salmão e atacar de leste.

Os nipónicos desconheciam a força que os americanos tinham na região, enquanto estes sabiam tudo do plano nipónico, pois os seus criptanalistas decifraram grande parte do código secreto da Marinha Imperial Japonesa. O tenente-capitão Joseph Rochefort trabalhou arduamente com a sua equipe para o decifrar com a ajuda das calculadoras mecânicas da IBM que perfuravam cartões e, apesar de não decifrar tudo, conseguiu saber que os japoneses iam conquistar Port Moresby e quais as forças que levariam, o que permitiu ao almirante Nimitz ir ao encontro do inimigo.

Takagi e o comandante da 5ª Divisão de porta-aviões, almirante Hare, contavam com 95 aviões embarcados (37 caças “Zero”, 33 bombardeiros monomotores “Aichi D3A” e 25 aviões de ataque “Nakajima B5N”, além das esquadrilhas estacionadas nas novas bases terrestres de Rabaul e Tulagi.

Os americanos com o Lexington e o Yorktown podiam fazer descolar 117 aviões (31 caças, 65 bombardeiros de mergulho e 21 aviões torpedeiros). Também aí os mecânicos e os pilotos preparavam-se para a grande batalha, enquanto os almirantes conjecturavam as suas ofensivas.

O comandante do Lexington, Capitão-de-mar-e-guerra Frederick Sherman, decidiu enviar 12 “SBD Dauntless” a 200 milha para o Norte e outros seis bombardeiros monomotores para o Sul, a fim de detectarem com precisão a localização da esquadra inimiga. Logo que regressassem, todos os aviões seriam atestados e depois colocados a voar a baixa altitude para defesa contra os aviões torpedeiros inimigos, dada a falta de suficientes caças “Grumann Wildcat”.

Pelas 08h30, o tenente Joseph Smith transmitiu para o Lexington a mensagem seguinte: “Contacto: 2 CV inimigos, 4 CA e vários DD a 120 milhas do Ponto Zed, 006 graus, curso 120 e velocidade 15.

Quase ao mesmo tempo, o oficial miliciano japonês Kanno Kenzo, aos comandos de um avião torpedeiro, transmitia para o Shokaku: “Vi porta-aviões inimigos. Localização 205 graus e 235 milhas, curso 170 graus e velocidade 16 nós.

Em ambos os lados prosseguiam os preparativos finais e iniciava-se a descolagem das aeronaves que iriam substituir os navios torpedeiros e a artilharia naval com as suas bombas.

Pela primeira vez, duas esquadras iriam enfrentar-se com aviões embarcados, mas distanciadas de 170 milhas uma da outra. Pelas 09h00 começaram a levantar voo do Yorktown, 6 caças “Wildcat”, 24 bombardeiros SBD-3 e 9 torpedeiros TBD-1. Estes últimos voaram a 60 metros de altitude a uma velocidade de 105 nós , escoltados pelos caças a 600 metros de altitude. Por sua vez, uns quarenta minutos depois, o Lexington lançava para o ar 9 caças F4F, 15 bombardeiros SBD e 12 torpedeiros TBD.

Os japoneses já informados do ataque norte-americano fazem descolar 19 Zeros em patrulha CAP de defesa das suas unidades.

Ao contrário dos americanos, os japoneses não dispunham de radar nem de outros meios além dos visuais e da rádio para dirigirem os caças a partir dos porta-aviões, o que se revelou uma tarefa quase impossível, tanto mais que as condições atmosféricas interferem com as transmissões rádio.

Esperaram quase uma hora pelo inimigo; alguns Zeros até voltaram a poisar no convés dos seus navios para reabastecimento.

Os porta-aviões navegavam como loucos a 30 nós quando soou o alarme. A esquadrilha de bombardeiros Dauntless SBD avistou o inimigo a cinco mil metros de altitude. Imediatamente mergulharam sem serem notados pelos Zeros comandados por Okabe que entre as nuvens procuravam o inimigo. Os SBD voavam a pique para colocarem as suas bomba de mil libras nos porta-aviões inimigos. Só que ao entrarem em camadas de ar mais quentes e húmidas, os seus visores e pára-brisas embaciaram-se de tal maneira que o ataque final foi feito às cegas. As bombas deflagraram perto mas não atingiram o inimigo.

No ataque seguinte, a esquadrilha 5 de bombardeamento, já perseguida pelos Zero, lança-se ao ataque, sofrendo o mesmo obscurecimento de visão. Contudo, conseguiram atingir o Shokaku com uma bomba de mil libras que encheu de estilhaços o convés, avariou um dos elevadores e provocou um incêndio na área da proa. Na outra esquadrilha, o tenente Power estava decidido a que nada pudesse evitar de atingir o seu objectivo, mesmo perseguido por um caça Zero e ter o seu avião em chamas. Power consegue atingir o Shokaku pelas 11h05. A explosão da sua bomba provocou novo incêndio, tanto no convés como abaixo do mesmo, impedindo a sua utilização para operações de voo. O heróico tenente Power não conseguiu elevar o seu avião e despenhou-se na água para ser condecorado a título póstumo.

As duas bombas provocaram muitas avarias no Shokaku, apenas acima da linha de água, incluindo a destruição das âncoras e dos sistemas auxiliares da proa. O navio continuava a fazer os seus 30 nós e toda a sua artilharia estava em condições de ser utilizada. O almirante Hara gemia furiosamente quando viu o Shokaku a arder.

Os Zero foram imbatíveis, mas muitos bombardeiros americanos aguentaram bem os tiros de 7,7 mm e os depósitos autoselantes não chegaram a arder. E depois do primeiro ataque surgiram os lentos aviões torpedeiros que nada conseguiram por terem lançado os seus torpedos a distâncias excessivamente grandes.

A batalha aérea mais violenta foi a travada pelo grupo aéreo do Lexington,  sob a liderança do comandante Wiliam Ault, constituído por quatro bombardeiros, onze torpedeiros e seis caças F4F. Na sua tentativa de atacarem o porta-aviões Zuikaku foram descobertos atempadamente pela esquadrilha de Zeros do oficial miliciano Iwamoto. Apanharam dois F4F a voarem a 120 nós e aproximaram-se ao dobro dessa velocidade sem deixarem a possibilidade de os Grumann se afastarem, mas não impedindo os disparos dos americanos. Perante o tracejado das balas americanas, os nipónicos não chegaram a aproximar-se o necessário para causar baixas.

Entretanto, os bombardeiros SB Dauntless aproveitaram o ensejo para se lançarem a pique e aproximarem-se rente à água para junto ao navio inimigo subirem e lançarem as suas bombas. Uma atingiu o Shokaku a estibordo. Um dos SBD não conseguiu largar a sua bomba, pelo que deu uma meia volta e repetiu o ataque sem nunca mais ter sido visto.

Ao mesmo tempo, os quatro Zeros do tenente Okajima lançam-se contra os onze lentos e obsoletos torpedeiros Devastator que se aproximavam apenas a uns 100 nós de velocidade. Os dois pontas de asa foram logo abatidos quando os restantes TBD lançavam os seus torpedos, conseguindo alguns regressar ao seu porta-aviões e outros ficaram no mar por falta de combustível ou outra causa desconhecida.

Apesar de os pilotos dizerem que atingiram o seu alvo com os torpedos, a verdade é que não conseguiram encaixar um único torpedo.

Seguiram-se combates ferozes entre os Zeros e os Wildcats, dos quais três foram abatidos.

Enquanto os grupos aéreos norte-americanos combatiam para destruir os porta-aviões japoneses, as esquadrilhas de ataque japonesas faziam-se ao Lexington e ao Yorktown. Para orientar melhor os seus aviões, o contra-almirante Fletcher passa o comando da sua Força Tarefa (Task Force) 17 ao seu colega Fitch, pois queria aproveitar os seus profundos conhecimentos de aviação em combate.

Pelas 11h05, o capitão-tenente Taka-Hashi, o comandante da esquadrilha de dezanove bombardeiros Aichi D3A do Shokaku, avista os navios americanos. Imediatamente delineou o seu plano de ataque, ordenando a subida da sua força até aos 14 mil pés para sudeste da força americana ao mesmo tempo que os dezoito torpedeiros Nakajima B5N do capitão-tenente Shimazaki desceram para os quatro mil pés de altitude com o objectivo de se lançarem o mais rapidamente possível ao ataque, protegidos por dezoito caças Zero.

O primeiro ataque japonês contra o Lexington não resultou. A Patrulha Aérea do navio conseguiu abater em feroz combate três dos dezoito aviões atacantes, enquanto as peças anti-aéreas do Lexington evitam o pior. Só as suas 68 metralhadoras 12,5 mm projectavam uma autêntica cortina de metal.

Os aparelhos nipónicos tentaram um ataque dito em bigorna, vindos de bombordo e estibordo para anular as rápidas mudanças de curso do navio no sentido de evitar os torpedos.

O Yorktown é, por sua vez, acometido por parte de quatro aviões torpedeiros Nakajima, voando a grande velocidade rente à água. Um dos primeiros aviões é atingido pela defesa anti-aérea do navio depois de lançar o seu torpedo que falha o alvo. O mesmo sucedeu aos restantes três atacantes.

Entretanto, quatro outros Nakajima, sob o comando do tenente Ichihara Tatsou do porta-aviões Shokaku, aproximam-se do Lexington. Depois de lançarem os dois primeiros torpedos que falharam o alvo por passarem debaixo da quilha do navio, conseguem pelas 11h20 encaixar um torpedo na vante do porta-aviões e, pouco depois, um segundo vai explodir junto à quilha, fazendo estremecer todo o navio.

O primeiro torpedo avariou os elevadores hidráulicos e quase rebentou com um depósito de gasolina de avião, mas a equipa de limitação de avarias conseguiu rapidamente bloquear o depósito e evitar um incêndio. Todavia, a explosão do torpedo destruiu o sistema de comunicações internas e os ventiladores. O segundo torpedo provocou a inundação de um dos compartimentos das caldeiras e uma fenda num dos depósitos de combustível que passou a verter para o exterior.

Ainda sem conseguirem controlar todas as avarias, a guarnição do Lexington é submetida a outro ataque. Desta vez por parte dos bombardeiros Aichi sob o comando do tenente Takahashi, o maior especialista nipónico daquela arma.

 Mergulharam a pique a partir dos quatro mil metros de altitude com grande precisão e sem temerem o fogo anti-aéreo. Uma das primeiras bombas acertou num dos cantos do convés de voo, atravessou a fina placa de metal e entrou no armário das munições de uma peça AA de cinco polegadas, fazendo explodir tudo com a morte de toda a guarnição da respectiva peça, cujos cadáveres ficaram tão despedaçados que não foi possível o reconhecimento.

As chamas começaram a espalhar-se pelo convés, mas a equipa de limitação de avarias estava a postos e evitou o pior. Outra bomba explode na água junto ao casco, causando danos na bolsa da baleeira e perfurando algumas chapas por onde entrou alguma água. Outra bomba ainda explode perto da chaminé abaixo do nível do convés de voo. Os seus fragmentos causaram baixas nas guarnições das metralhadoras de 12,5 mm e puseram a sirene a tocar ininterruptamente. Atrás dos atacantes vinham os F4F do tenente Bassfield que conseguiram libertar-se dos Zeros e atacar os Aichi, um dos quais foi abatido. Evitaram assim que o Lexington fosse destruído.

Quase de imediato foi a vez de o Yorktown voltar a ser atacado por 14 Aichi de bombardeamento que não se preocuparam muito com o ataque defensivo por parte dos F4F Wildcats de McComarck que se lançaram contra a esquadrilha inimiga perseguidos pelos Zeros. Perturbados pelos Wildcats, os Aichi não conseguiram posicionar-se de modo a colocar directamente qualquer bomba no Yorktown, mas quase todos os seus engenhos explodiram muito perto e causaram estragos consideráveis, arrombando depósitos de combustível. Uma das bombas chegou a atravessar a ponta do convés e explodir na água.

Enquanto decorriam os ataques, desenrolaram-se violentas batalhas aéreas desde a altitude mais baixa à mais alta, nos quais os Zeros causaram estragos evidentes nas patrulhas defensivas americanas. O aspirante McDonald, aos comandos de um SBD Dauntless, é atingido no ombro por uma bala de metralhadora de um Zero e o seu metralhador é igualmente ferido. Mesmo assim, consegue dirigir-se ao Lexington e poisar no preciso momento em que o navio fazia uma guinada de 120 graus para se safar de uma série de torpedos. O avião rodou na pista, cortou os cabos de travagem e acabou por saltar para o mar depois de ficar algum tempo pendurado num dos cantos do convés. Milagrosamente, os dois aviadores conseguem salvar-se e serem socorridos por um destrutor.

O tenente Brasfield, depois de abater um Aichi no termo de um longo mergulho, repara que tem três zeros atrás. Puxa a manete e sobe para fazer tiro de deflexão lateral. O nipónico estava à espera de uma volta mais completa e deixou-se apanhar, mergulhando aparentemente em chamas, enquanto outro Zero disparava as suas balas de 7,7 mm contra o Wildcat de Barsfield, as quais fizeram um ruído tremendo ao embaterem na blindagem da cadeira do piloto. Nada conseguindo com aqueles tiros, o japonês dispara o seu canhão de 20 mm. A granada explode quase no “cockpit”, destrói parte do painel de instrumentos e arranca o braço do piloto pelo cotovelo, enquanto outro estilhaço fere-o gravemente no joelho e um pequeno incêndio começa nos algodões que o piloto tinha no “cockpit”. A esvair-se em sangue, o piloto consegue refugiar-se no interior de uma nuvem, libertando-se dos perseguidores e descer para poisar no convés de voo do seu navio e escrever as suas memórias muitos anos depois.

Na defesa da Força Tarefa 17 estiveram directamente envolvidos 20 caças Wildcat F4F e 23 bombardeiros SBD Dauntless, dos quais três Wildcats e cinco SBD foram abatidos. Nos furiosos combates nenhum Zero foi afinal abatido, mas foram derrubados três Aichi e um avião torpedeiro. E ao terminarem os combates sobre a Força Tarefa 17 regressavam os aviões que foram atacar os porta-aviões japoneses, enquanto as equipas de reparação do Yorktown trabalhavam febrilmente para acender uma das caldeiras de um compartimento que tinha sido inundado, conseguindo assim voltar o pôr o navio a navegar a 30 nós. Entretanto, alguns aviões do Lexington foram poisar no Yorktown menos atingido.

 

O Fim do Lexington

A guarnição abandona o Lexington

O Lexington recebeu ordens para rumar imediatamente a Pearl Harbour. Os aviões que ainda tinha foram deslocados para a ré, enquanto os mecânicos preparavam com imenso esforço oito F4F para levantarem voo logo que as equipas de limitação de avarias pudessem restabelecer a ordem para os lados da proa.

Subitamente, uma enorme explosão fez de novo estremecer o gigante. A plataforma do elevador da frente foi atirada para o convés de voo, enquanto chamas e fumo irrompiam da coberta. Lá dentro, alguns aviões a arder moviam-se por si próprios como que possuídos por uma loucura mecânica, enquanto o sistema global de energia do navio sucumbia. Os pilotos perderam a esperança de voarem de novo, pelo que saíram dos aviões para dar uma ajuda ao pessoal que combatia os incêndios.

Meia hora depois, registou-se a explosão que selou o destino fatal do Lexington. As chapas de um dos compartimentos das caldeiras foram como que estilhaçadas e deixou de haver água nas mangueiras. Na coberta, o fogo consumia todo o material inflamável. Felizmente os paióis de munições e bombas tinham sido alagados anteriormente, mas os torpedos só puderam ser molhados para se manterem frios durante algum tempo. Pelas 15h38 considerou-se o fogo como incontrolável.

Com o leme avariado, o Lexington começava a navegar em círculo. Mesmo assim, o contratorpedeiro Morris chegou-se ao moribundo para passar as suas mangueiras e combater o fogo enquanto feridos e aviadores começavam a ser evacuados.

Pouco tempo depois, o comandante Sherman convenceu-se que nada havia a fazer para salvar o navio e ordenou a evacuação total. As chamas aproximavam-se da coberta onde estavam os torpedos e não havia meios para os retirar dali. A explosão dos torpedos acabaria certamente com a vida de grande parte dos 2.700 homens da guarnição que se acotovelavam já no convés de voo. Os navios da escolta despacharam todas as suas baleeiras para junto do porta-aviões, enquanto a guarnição saltava de 15 metros de altura para a água. Alguns levavam consigo jangadas de borracha.

Durante a hora que durou a evacuação, outra violenta explosão foi sentida. Esta deu-se debaixo do convés onde estavam estacionados os aviões. Muitos deles foram literalmente atirados para o ar pela força da explosão. Os náufragos ao olharem para trás viram o aço já vermelho de parte do casco e do convés do navio.

Depois de escrutinarem todas as águas limítrofes e recolherem 2.770 homens, os destrutores receberam ordens para acabarem com o navio. A noite tinha caído; o Lexington  era uma gigantesca labareda vista de muitas milhas de distância. Silenciosamente milhares de olhos contemplavam com tristeza a lenta agonia do gigante. O contratorpedeiro Phelps aproximou-se e lançou cinco torpedos para o costado. O Lexington inclina-se rapidamente e vai para o fundo já quase voltado. Minutos depois, quando tudo parecia terminado, a esquadra ouve uma explosão violentíssima, cuja reverberação foi sentida a mais de 20 milhas de distância. Os torpedos foram atingidos pelas chamas já debaixo de água e explodiram em simultâneo.

Os dois almirantes inimigos ordenavam a retirada das suas forças. O nipónico Hara convencido que tinha destruído os dois porta-aviões americanos e Fletcher também com a ideia que o Shokaku e o Zuikaku estariam no fundo do Mar do Coral. Na verdade, só o Lexington e o pequeno Shohu serviam agora de abrigo à fauna piscícola daqueles mares.

A vitória táctica foi dos japoneses, dado que infligiram ao seu inimigo um estrago maior, mas talvez se possa falar antes de uma vitória americana, porque os japoneses não puderam utilizar dois dos seus melhores e mais modernos porta-aviões na batalha de Midway e foram para a mesma ao engano, na convicção que os americanos só dispunham então em todo o Pacífico dois porta-aviões, o Entreprise e o Hornet..

O Yorktown regressou a salvo com importantes avarias a Pearl Harbour. Durante o trajecto, os mecânicos de bordo conseguiram reparar 68 aviões que participaram depois na batalha de Midway. E conhecedores das intenções dos japoneses de lançarem todas as suas forças no ataque a Midway e, eventualmente, num novo ataque ao arquipélago do Hawai, os americanos conseguiram o milagre de numa noite repararem todas as avarias do Yorktown  com milhares de operários a trabalhar e substituir parte da guarnição e dos aviões.

O navio que os japoneses julgavam no fundo ou irremediavelmente avariado apareceu numa grande esquadra de surpresa perante os japoneses a 4 de Junho de 1942, menos de um mês depois da batalha do dia 8 de Maio no Mar do Coral.

Saliente-se contudo que o Zuikaku nem estava muito avariado; só tinha é perdido grande parte dos seus aviões e aviadores e no Japão não estavam disponíveis esquadrilhas prontas a tomarem o lugar das que sofreram grande atrito nas ferozes batalhas aéreas, ao contrário dos americanos que, para cada porta-aviões, tinham uma segunda guarnição aérea de aviões, pilotos e mecânicos treinados e prontos a ocuparem o lugar das que tinham travado a última batalha, que iam descansar e treinar novos pilotos.

   

 

Cruzador holandês De Ruyter. Construído em 1935. Deslocava 6.000/6442t e 7548t com carga completa. As restantes características sãos as segu

Armamento: 7 peças de 150 mm, 10 de 40 mm AA, 8 metralhadoras de 12,7 mm.

Máquinas: 2 Turbinas Parsons a vapor aquecido por 6 caldeiras Yarrow. O conjunto proporcionava 60 cavalos-vapor de força e uma velocidade máxima de 32 nós.

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publicado por DD às 22:51
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