Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2006
O Desembarque na Normandia

 

 

Mapa do Desembarque

 

 

 

Depois da operação Torch e expulsos os alemães e italianos do Norte de África, os aliados desembarcaram na Sicília para iniciarem uma guerra lenta e difícil de conquista da bota italiana.

Mas, o mais importante seria o desembarque no Norte da França para conquistarem a “fortaleza europeia” que os nazis pretendiam ter erguido nas costas belgas e francesas até à fronteira com a Espanha.

A operação “Overlord” levou dois anos a ser preparada pois Churchill não queria repetir os erros de Gallipoli na I. Guerra Mundial e sabia que os alemães, mesmo com uma fraca aviação, iriam tornar a vida difícil a qualquer invasor.

Mais uma vez, venceu a enorme capacidade industrial dos EUA aliada à canadiana e inglesa reforçada para evitar na Normandia um desastre como o do desembarque em Anzio, perto de Roma, com o qual os aliados pretendiam contornar a linha alemã Gustav que defendia o centro da Itália. Os aliados desembarcaram, mas sem uma massa tremenda de meios materiais e humanos não exploraram a testa-de-ponte criada e permitiram assim que as divisões do Marechal Kesselring respondessem com uma devastadora expulsão dos aliados daquela zona da Itália.

Os ingleses e americanos acabaram assim por transformar o Sul da Inglaterra num gigantesco arsenal com 163 campos de aviação para bombardeiros e caças e 6.939 navios de guerra, transporte e barcaças de desembarque. Nada foi esquecido, nem sequer a construção de portos artificiais para instalar nas praias arenosas da Normandia, dada a evidente dificuldade de desembarcar e capturar rapidamente algum porto. De resto, os aliados decidiram-se pela Normandia em vez de Pas-de-Calais, frente a Dover, por saberem que as forças alemãs estavam mais concentradas aí, além de que as praias são mais estreitas e seguidas de arribas difíceis de serem escaladas.

Os submarinos de Doenitz já não conseguiam impedir o intenso tráfico transatlântico, nem mesmo com os novos torpedos acústicos destinados principalmente à destruição de navios escoltadores rápidos, Conseguiram com certo êxito até os ingleses passarem a utilizar uma máquina de fazer barulho denominada “Fox” que rebocavam a certa distância.

Também os novos submarinos das classes XXI de 1.621t e grande velocidade subaquática, 18 nós, não produziram grande efeito, já que à data do desembarque aliado só oito unidades estavam em serviço. Nem os mais pequenos para defesa costeira, os XXII, que faziam 16 nós submersos, uma velocidade enorme para a época, não estavam disponíveis em suficiente quantidade.

O imenso esforço para a construção de grande quantidade de submarinos dificultou a produção de tanques e aviões para as grandes batalhas terrestres que se travaram depois do desembarque na Normandia, tanto a oeste com os anglo-americanos como a leste contra os soviéticos.

O desembarque na Normandia foi precedido de uma campanha de ataques aéreos que destruíram grande parte das 92 estações de radares dispostas desde as costas belgas às francesas. A equipa científica britânica do Dr. Cockburn que estudava as contramedidas electrónicas produziu um radio-goniómetro terrestre para medir os azimutes dos emissores de radar inimigos com uma elevada precisão e que permitia determinar a respectiva posição pelo método da triangulação.

Um vez localizados os aparelhos alemães, foram enviados caças-bombardeiros “Typhon” que voaram a mais de dois mil metros de altitude sobre os radares como se fossem para o interior da França ou da Bélgica; mas no interior mergulhavam e davam uma volta para trás a fim de atacarem os radares voando rente às copas das árvores. Conseguiram assim avariar seriamente o gigantesco radar alemão “Wasserman”, cuja antena rotativa não foi destruída, mas a plataforma rotativa deixou de funcionar. A torre desse radar tinha 40 metros de altura. Do mesmo modo foram destruídos os radares “Mammut”, “Wuerzburg” e “Freya”, excepto o pequeno radar marítimo “Seetakt” que estava sempre muito bem camuflado.

Para além disso, os britânicos inventaram um dispositivo de decepção que deveria fingir frente aos pequenos radares “Seetakt” em Pas-de-Calais a existência de uma enorme esquadra de desembarque. Eram bombardeiros “Stirling” e “Lancaster” que voavam em paralelo a baixa altitude descrevendo semi-círculos e rectângulos e que iam lançando nuvens de folhetos então denominados “Windows” para formarem uma mancha densa observada pelos radares que assim não distinguiam quaisquer pormenores. O objectivo era fixar no local o 15º Exército Alemão de modo a não intervir mais a oeste nas praias da Normandia onde os aliados iriam desembarcar em força.

Enquanto vagas de aviões descreviam figuras oblongas que avançavam lentamente a uma velocidade de 8 nós para dar a impressão de serem navios, na noite de 6 de Junho, 3467 bombardeiros pesados e 1645 médios e ligeiros apoiados por 5409 caças atacavam todo o tipo de alvos militares para permitir o lançamento de duas divisões aerotransportadas norte-americanas a partir de 2316 aviões de transporte na península de Contentin e uma divisão britânica de paraquedistas.

As tropas que vieram por via aérea em planadores de transporte e lançadas de paraquedas sofreram sérias baixas e não caíram nos locais mais convenientes, logo atrás das linhas alemãs que defendiam as praias da Normandia. Mesmo assim, a superioridade aérea aliada foi tão grande que destruiu no chão o reduzido número de aviões alemães que deveriam opor-se ao desembarque aliado e impediu os movimentos das forças terrestres alemãs.

 

 

Ainda na madrugada começou o assalto marítimo por parte de uma gigantesca armada que deveria colocar nas praias da Normandia cerca de 170 mil homens.

Antes do desembarque, 204 navios caça-minas e 43 balizadores abriram caminho por entre as minas para permitir a chegada às praias normandas. Ainda antes das 2.485 lanchas de assalto e desembarque e dos 236 navios de desembarque de tanques abicarem, uma gigantesca esquadra de 23 navios americanos, 49 britânicos e outros tantos holandeses, polacos, etc. proporcionaram uma cobertura em termos de artilharia devastadora contra as fortificações alemãs.

Os couraçados Rodney, Ramilles, Warspite, Nevada, Texas, Arkansas com o monitor Roberts e grande quantidade de cruzadores pesados e destroyers foram extremamente eficazes ao bombardearem posições alemãs previamente marcadas pelos “Spitfires” britânicos que disparavam roquetes iluminantes.

Mesmo assim, as batalhas nalgumas praias como a de “Omaha” foram terríveis. Ao fim do primeiro dia, os aliados conseguiram conquistar as primeiras praias francesas e colocar 132 mil homens à custa de mais de 10 mil baixas, enquanto os alemães deverão ter sofrido umas cinco a oito mil. Na primeira semana já estavam em terra 250 mil homens que dois dias depois subiram para 326 mil com 54 mil viaturas de combate e transporte.

A Alemanha encontrou-se repentinamente numa guerra de duas frentes com o espaço aéreo perdido. Há muito que a guerra estava perdida, mas os nazis obstinavam-se em não reconhecer os seus erros e Hitler agarrou-se a um pseudo poder, fazendo com que centenas de milhares ou milhões de cidadãos morressem ainda até ao assalto final a Berlim em Maio de 1945.

 

 

 



publicado por DD às 23:31
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