Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007
A Batalha do Mar das Filipinas

 

"O destino do Império está nesta única batalha. Espera-se de cada homem o seu esforço máximo". Assim, com este sinal, o utilizado na Batalha de Tsushima por Togo, o almirante nipónico Soemu Toyoda ordenou o levantamento dos ferros no ancoradouro de Tawi Tawi a todos os navios da Primeira Esquadra Móvel para executar o Plano "A-Go", a ter lugar logo após o encontro nas águas das Filipinas com os restantes navios das Esquadras Combinadas do Império do Sol Nascente, como então os nipónicos denominavam o seu país.

Tratava-se de enfrentar e aniquilar na área das Marianas a poderosa Task Force 58, ou antes as TF 58.1, 58.2, 58.3, 58.4 e TG 58.7, subdivisões operativas da gigantesca força tarefa da 5ª Esquadra norte-americana. A data prevista para o embate foi o 11 de Junho de 1944, cinco dias depois do desembarque na Normandia. Os japoneses perceberam que a guerra na Europa iria terminar, dado que a Alemanha Nazi, encurralada entre dois fogos, sangrava sem forças para se defender com sucesso. A previsível derrota do nazismo acabaria por provocar a transferência de imensos meios bélicos para o teatro de guerra do Pacífico. De resto, já então se fazia notar a presença de forças navais inglesas no Pacífico, dado que pouco ou nada tinham a fazer nas águas europeias, desaparecidas que foram as marinhas italiana e nazi.

No ancoradouro da Tawi Tawi, a sul do arquipélago das Sulu, os nipónicos concentraram a Primeira Esquadra Móvel sob o comando do almirante Ozawa. O local situava-se a umas 200 milhas dos campos petrolíferos de Tarakan no Bornéu, de onde a esquadra recebia petróleo não refinado que ia directamente para as suas caldeiras com consequências bem negativas para o respectivo funcionamento. Naquele ancoradouro, a frota padecia ainda da falta de um bom aeródromo para treino do pessoal dos porta-aviões. Além disso, estava sempre sujeita às depredações provocadas pelos submarinos norte-americanos, o que impedia a saída frequente dos navios para treino das respectivas tripulações. O submarino Puffer conseguiu, dias antes, afundar os dois navios de transporte de equipamentos aeronáuticos Ashizuri e Takasaki, enquanto, a 6 e 7 de Junho, o submarino USS Harder despachou para o fundo três contratorpedeiros nipónicos ancorados ao largo de Tawi Tawi.

Teoricamente, pelo menos, a Primeira Esquadra Móvel poderia bater-se com a Task Force 58, desde que reforçada com os aviões baseados em terra, o que não se veio a verificar inteiramente.

O coração da Primeira Esquadra Móvel japonesa ficou formado por três divisões de porta-aviões, a essência do que restava da Marinha Imperial. Mas, só a primeira Divisão, comandada por Ozawa, contava com um verdadeiros porta-aviões de esquadra, o Taiho que era o navio-chefe, de 37.720 tons. de deslocamento máximo, completado três meses antes. Tratava-se de uma excelente unidade com coberta de voo protegida por uma blindagem de 3,1 polegadas como nos porta-aviões britânicos de então. Transportava 75 aviões, sendo 27 caças Mitsubishi  A6M5, 27 bombardeiros de mergulho Aichi D4Y1, 3 aviões de reconhecimento D4Y1 e 18 aviões torpedeiros Nakajima B6N1. A defesa anti-aérea próxima do navio estava a cargo de 71 peças de 25 mm e 12 de 3,9 polegadas. Os outros dois porta-aviões da divisão eram o Shokaku e o Zuikako de 32.105 toneladas. Estas excelentes unidades falharam a batalha de Midway por terem sofrido avarias nos combates decorridos ao largo das Ilhas Salmão. Os seus grupos aéreos eram idênticos aos do Taiho.

A escolta desta Divisão foi entregue aos dois cruzadores pesados Myoko e Haguro e a um grupo misto de 7 contratorpedeiros liderados pelo cruzador rápido Yahagi de 8.500 toneladas. Este grupo de batalha podia navegar a uns 32 nós.

A segunda Divisão continha, no seu núcleo principal de combate, três porta-aviões resultantes da conversão de navios não combatentes. Assim, o Junyo e o Hiyo eram antigos paquetes de 28.000 toneladas. Transportavam 51 aviões cada um, organizados em 18 caças "Zero", 9 caças-bombardeiros "Zero" e 18 bombardeiros monomotores de voo picado. O terceiro porta-aviões da divisão era o Ryuhu de 16.700 toneladas de deslocamento máximo com um grupo aéreo limitado de 33 aeronaves, nomeadamente 18 caças Zero, 9 caças-bombardeiros Zero e 6 aviões torpedeiros.

A velocidade desta divisão não passava dos 22-23 nós apenas, pelo que recebeu como elementos protector o couraçado Nagato de 39120/42753t, datando de 1920, e só capaz de fazer um máximo de 25 nós. A segunda divisão recebeu como escolta o cruzador pesado Mogami de 13.670 toneladas e oito contratorpedeiros.

O esquadrão mais fraco formava a terceira divisão comandada pelo almirante Obayashi com dois porta-aviões ligeiros, o Chitose e o Chiyoda, ambos de 15.000 toneladas, com 30 aviões cada, ou seja, 6 caças Zero, 15 caças-bombardeiros Zero e 9 aviões torpedeiros.

Os nipónicos contavam ainda com uma poderosa componente de superfície organizada em três esquadrões. No primeiro pontificavam os gigantescos cruzadores de batalha Yamato e Musashi de 71.659 toneladas, os maiores navios de guerra da época, equipados com nove peças de 459 mm e mais de uma centena de canhões antiaéreos. Faziam um máximo de 27 nós.

Noutro esquadrão, o terceiro, navegavam dois antigos cruzadores de batalha rápidos, o Kongo e o Haruno, navios da 1ª Guerra Mundial, mas posteriormente modernizados. Os outros esquadrões eram fundamentalmente constituídos por cruzadores e destrutores.

Ao todo, Ozawa contava com 475 aviões embarcados, o que correspondia e metade dos 956 aviões transportados na Task Force 58 do almirante Mitscher. Mas, Ozawa entrava em linha de conta com os cerca de 400 aviões baseados em Guam e ilhas adjacentes, pois planeava um combate nas proximidades dessas ilhas, dado conhecer a intenção norte-americana de atacar as Marianas. A táctica nipónica baseava-se na sua doutrina tradicional conceptualizada na ideia de infligir um desgaste decisivo num inimigo numericamente superior antes do choque final que levaria à destruição das forças inimigas. No essencial, os aviadores nipónicos tinham ordens para afundar, a qualquer custo, os porta-aviões americanos. Aquele que conseguisse atingir gravemente um dos navios capitais do inimigo seria promovido automaticamente em dois postos.

Por sua vez, Mitscher com os 956 aviões da TF 58, procurava o combate segundo a doutrina de Klausewitz, isto é, onde for maior a sua capacidade de infligir ao inimigo um castigo tão grande que este perca o desejo e a possibilidade de dar continuidade ao combate, ou mesmo à guerra. Deixar os japoneses atacarem o coração da TF 58 de modo a ficarem por aí caídos foi o essencial da táctica de Mitscher.

Em termos de organização da esquadra de combate, os japoneses colocaram a sua força principal de porta-aviões dispersa em grupos separados e à sua frente fizeram navegar um escudo constituído pelos cruzadores de batalha e cruzadores do Grupo C apoiados pelo esquadrão de porta-aviões ligeiros. Este escudo servia como engodo e batedor, protegendo a força central da esquadra japonesa, disposta numa ordem dispersa para evitar a repetição de Midway em que, num curto intervalo de tempo, três porta-aviões foram afundados quase num único golpe. Contudo, a falta de combustível impedia a execução de manobras de grande vulto. Assim, cada grupo tendia a formar-se em torno do porta-aviões guia com cruzadores e couraçados num círculo de 1.500 metros e destrutores a 2.000 metros. Saliente-se que a fraqueza da artilharia antiaérea japonesa impedia a utilização de outros navios na defesa dos porta-aviões, pois cada unidade acabava por se limitar a defender a si mesmo perante uma investida de aviões norte-americanos.

Os americanos adoptaram o método de formação em Task Group como solução para o problema da concentração e dispersão de forças. Dois porta-aviões de esquadra e dois ligeiros protegidos por uma cortina de cruzadores e destrutores constituíam a força unitária. A TF 58 foi organizada em cinco esquadras daquele modelo dispostas a 12 milhas de distância entre si, sempre que se pretendia que a Força Tarefa operasse como um todo.

Ao fim da tarde de 15 de Junho de 1944, a esquadra de porta-aviões do almirante japonês Ozawa foi detectada pelo submarino Flying Fish à saída do Estreito de São Bernardino, a norte da ilha de Samar, nas Filipinas. Pouco tempo depois, o submarino Seahorse descobre o grupo de cruzadores de batalha, 200 milhas a sul, no estreito de Surigao. Ambos os estreitos ligam as águas interiores das Filipinas com o Pacífico para leste.

O almirante Spruance, ao tomar conhecimento de que as esquadras inimigas estavam no mar, decidiu suspender a projectada invasão de Guam e reforçar as suas unidades de alto mar com os navios destinados aos bombardeamentos terrestres e concentrar os seus porta-aviões a 180 milhas a oeste da ilha de Tinian, no arquipélago das Marianas. Ao mesmo tempo, os aviões embarcados de dois grupos norte-americanos atacavam com violência os aeródromos japoneses da ilha de Bonin, pejados de bombardeiros nipónicos. Os dois outros grupos de combate americanos foram atacados pelos japoneses, primeiro por bombardeiros Mitsubishi G4M1 e depois pelos bombardeiros de dois motores Yokosuka D4Y Suisei e P1Y Ginga. Os atacantes viram frustrados os seus intentos, as patrulhas CAP americanas abateram dezoito bombardeiros e nenhum conseguiu infligir qualquer dano aos navios da Task Force. Dois dias depois, a 17 de Junho, os aviões japoneses com base em terra voltam atacar. Desta vez, os 19 Yokosukas foram acompanhados por 31 Zeros, mas confundiram os porta-aviões de apoio ao desembarque em Guam pelo núcleo principal da esquadra de Mitscher, lançando-se ao ataque. Mesmo assim, só o Fanshaw Bay foi avariado, enquanto que o Gambier e o Coral Sea saíram ilesos. Os aviadores nipónicos é que julgaram ter afundado um certo número de grandes porta-aviões rápidos, convencendo Ozawa  que os seus planos estavam a resultar e que podia lançar os seus aviões embarcados contra uma esquadra muito enfraquecida, mas o inimigo ainda estava fora do seu alcance. Só umas horas mais tarde, Ozawa recebeu a informação de que os porta-aviões americanos navegam a leste. Imediatamente comunicou o facto ao almirante Obayashi que já tinha lançado dois grupos aéreos em busca dos americanos, os quais foram chamados de volta, pois a distância obrigava os japoneses a atacar nas primeiras horas do dia seguinte.

Pelas 06h00, 43 aviões estavam no ar, mas só às 07h30 é que um hidro detectou a presença dos porta-aviões americanos, a 300 milhas da vanguarda nipónica. Mal informado pelo almirante Kukuta, comandante dos bombardeiros terrestres, sobre os danos provocados aos americanos, Ozawa decidiu-se pelo supremo esforço e ordenou o ataque às formações norte-americanas. Os porta-aviões Taiho, Shokaku e Zuikaku lançaram 48 Zeros para escoltarem 27 aviões torpedeiros e 53 bombardeiros, enquanto que da formação do almirante Obayashi foram para o ar 45 Zeros na versão caça-bombardeiro e 8 aviões torpedeiros, todos escoltados por mais 17 caças Zero.

 

 

 

 

O couraçado Alabama detectou os primeiros aviões e avisou de imediato o comando da TF 58. O director de caça da mesma, o tenente Joe Eggert, ordenou o regresso dos caças que tinham sido lançados contra a ilha de Guam. Pelas 10.30 descolaram 140 caças Grumman F6F-3 Hellcats, enquanto que os 82 que estavam no ar em patrulha de protecção foram dirigidos para oeste. Os japoneses, por sua vez, ao chegarem junto aos navios americanos passaram a voar em círculo, enquanto o seu comandante escolhia os alvos e ordenava o ataque. As conversas não podiam deixar de ser ouvidas pelos americanos, nomeadamente pelo tenente Sims, adstrito ao director dos caças, que conhecia perfeitamente a língua japonesa, ficando assim o comando americano a conhecer quais os alvos escolhidos. Mas, quando os japoneses se lançaram em massa ao ataque foram encontrar os bem dirigidos Hellcats. A uns 518 m de altitude desenrolou-se a batalha aérea que envolveu quase todos os aviões disponíveis das duas esquadras. Os caças da TF 38 registaram, logo de início, numerosas vitórias em combates pelo que não deixaram os japoneses organizarem-se para o ataque aos navios. Pelas 10.57, o primeiro raid nipónico tinha chegado ao fim com a fuga do que restava da formação atacante, ou seja, 8 caças Zero, 12 caças-bombardeiros e 6 bombardeiros. Mas, como as coisas tinham começado mal com o primeiro raid nipónico, não podiam deixar de acabar mal. Naquela fase da guerra, aos japoneses corria tudo mal, mesmo quando dispunham de algum equilíbrio de forças. Assim, os poucos sobreviventes ao chegarem aos seus navios foram confrontados com uma poderosa barragem de artilharia antiaérea dos seus camaradas de guarnição que julgavam ver aviões inimigos, abatendo dois aparelhos e avariando seriamente outros oito.

A TF 58 saiu ilesa daquele primeiro ataque. Só o couraçado South Dakota recebeu uma bomba que não causou grandes estragos. Os inexperientes pilotos japoneses estavam a pagar um preço muito alto pela falta de meios de protecção e pelo facto de os seus camaradas do início da guerra terem sacrificado as suas vidas nos combates que travaram. Numa segunda vaga, cerca de 20 aviões nipónicos conseguiram penetrar através do cordão defensivo norte-americano e atacar os porta-aviões Wasp e Bunker Hill, mas não acertaram e só causaram pequenos danos provocados por deflagrações na água. Foi uma bem pobre recompensa pela perda de 97 aviões com os seus tão valentes como ineficazes pilotos.

 

Para aumentar ainda mais os problemas de Ozawa, o submarino Albacore consegue torpedear o porta-aviões Taiho com um dos seis torpedos que disparou. Saliente-se aqui que um bombardeiro japonês ao ver um dos torpedos dirigir-se ao seu porta-aviões atirou-se em missão suicida para desviar o engenho da sua rota mortífera, o que conseguiu com o sacrifício da respectiva guarnição.

O porta-aviões Taiho pareceu não ter sido muito afectado com a explosão do torpedo, dado ter-se avariado só um elevador e quebrado algumas mangueiras de combustível. Mas o pouco experiente pessoal da limitação de avarias começou a fazer tudo errado e tentou esvaziar um dos tanques de gasolina de avião, derramando o combustível na coberta. Depois abriram as condutas de ventilação forçada para evaporar a gasolina, mas os seus vapores penetraram no interior do navio sob a forma de uma mistura explosiva de gasolina, ar e óleos que passado algum tempo fez explodir o porta-aviões com abertura de rombos na parte submersa do casco.

 

 

 O almirante Ozawa fugiu à pressa do navio para o cruzador Haguro. Pouco depois, deu-se outra explosão e o pobre almirante viu o seu navio voltar-se repentinamente e ir para o fundo com 1.650 homens de uma guarnição de 2.150. Umas horas antes, a esquadra japonesa sofrera outra grande tragédia, quando o submarino Cavalla consegue num golpe de audácia atingir com quatro torpedos o porta-aviões Shokaku que começou logo a arder para ir para o fundo duas horas depois com 1.263 infelizes homens da guarnição.

O balanço daquele dia radioso de Junho foi particularmente desastroso para a tão orgulhosa Marinha Imperial Japonesa. Para além da perda de dois dos seus melhores porta-aviões, dos 374 aviões destinados a raids sobre o inimigo, os japoneses perderam 244 aviões mais 50 provenientes de bases terrestres e 22 outros aviões foram para o fundo nos dois porta-aviões torpedeados, perfazendo mais de 300 aparelhos perdidos. A batalha ficou mesmo conhecida pela Grande Sessão de Tiro aos Perus das Marianas.

Ao fim da tarde, Mitscher enviou alguns dos caças-bombardeiros Avenger atacar as pistas da ilha de Guam. Aí as bombas anti-blindagem pouco efeito tiveram, mas já as bombas de explosão retardada provocaram grandes estragos.

Enfim, tudo aquilo aconteceu sem que os aviões americanos tivessem encontrado a esquadra de Ozawa, o que só foi conseguido pelas 15.40 do dia seguinte, quando o tenente Robert Nelson, à frente de 8 Avengers e 2 Hellcats, descobriu os porta-aviões da Força B a 275 milhas da TF 58. Cerca de oito minutos após a descoberta, o almirante Mitscher ordenou um ataque imediato, apesar da distância tornar difícil o regresso dos aviões norte-americanos às suas bases flutuantes. Mas estava em questão derrotar quase definitivamente as forças de superfície japonesas. Em 10 minutos apenas, os 11 porta-aviões da TF 58 lançaram para os ares 95 Hellcats com bombas de 500 libras, 54 Avengers, 51 Helldivers e 26 Dauntless. Ao todo 240 aeronaves. Apesar de se verificar posteriormente que os nipónicos estavam 60 milhas ainda mais distantes, Mitscher deixou que aquela primeira leva continuasse, mas manteve uma segunda força nos porta-aviões.

Entretanto, Ozawa também recebeu informações sobre a posição dos americanos e lançou uma pequena força de ataque nocturno com sete caças-bombardeiros Nakajima B5N e 3 bombardeiros especiais equipados com radar. Estes aviões deveriam aterrar na ilha de Guam depois de atacarem a esquadra norte-americana.

Os atacantes norte-americanos foram recebidos por 68 caças Zero descolados em defesa dos navios de Ozawa. De acordo com as ordens do comandante Arnold, dois grupos de Helldivers do Hornet iniciaram um ataque ao porta-aviões japonês Zuikaku, no que foram seguidos por mais 12 aparelhos idênticos. Pouco depois, seis Avenger com torpedos atacaram o porta-aviões e um cruzador, mas sem êxito, o que não representou grande problema pois o Zuikaku já tinha sido atingido por numerosas bombas. Os atacantes cumpriam a sua missão. O porta-aviões Junyo foi atingido por duas bombas, enquanto os caças Hellcats travavam violentos combates com os Zeros

Os porta-aviões nipónicos Ryhuo e Hiyo foram igualmente atacados, mas enquanto o primeiro nada sofreu, o segundo encaixou duas bombas que o fez tombar para bombordo e afundar-se ainda sob a vista de dois pilotos americanos abatidos e a salvo numa jangada. Foi o único porta-aviões afundado pela aviação americana na refrega, apesar de que outros quatro porta-aviões foram seriamente avariados e o couraçado Haruna, o cruzador Maya e o destroyer Shigure. Contudo, as maiores perdas de Ozawa foram os pilotos abatidos, 65 nesta fase final da batalha contra 17 americanos. Quando Ozawa deu ordem de retirada, a força aérea da 1ª Esquadra Móvel estava limitada a 35 aviões e 12 hidros, o que significou o fim dos porta-aviões como formação de combate.

Os americanos iriam ainda sofrer perdas em pilotos porque no regresso muitos dos aviões esgotaram o combustível e tiveram de amarar. Numa decisão audaciosa, o almirante Clark, comandante da TF 58.1 deu ordens para que as luzes de sinalização e navegação fossem acesas para facilitar o regresso a salvo dos pilotos. Mesmo assim, 17 caças e 65 bombardeiros caíram, mas só 16 pilotos perderam a vida, além de 33 membros das guarnições de voo.

A esquadra japonesa deixou de ser uma força funcional, apesar de não ter perdido todos os seus navios. A Primeira Esquadra Móvel retirou para a baía de Nakagasuki, na ilha de Okinawa, depois de uma tentativa frustrada de encontrar navios americanos para os destruir a canhão, o que teria sido um suicídio dada a falta de poder aéreo dos nipónicos e por os americanos ainda disporem de centenas de aeronaves em estado de combater.

O almirante Ozawa pediu a demissão, que foi recusada, mas o governo do primeiro-ministro Tojo resignou e foi substituído pelo general Kuniaki Koiso. Os japoneses sabiam que estavam derrotados, mas culturalmente não estavam preparados para aceitar a triste realidade.

Depois da perda das Marianas, o território nipónico passou a estar à mercê dos B-29 que não esperaram muito tempo para bombardear o Japão. Entretanto, os americanos lançaram-se ao assalto das Filipinas. O general Mac Arthur queria cumprir a promessa de que regressaria, apesar de o objectivo militar Filipinas ter perdido quase todo o seu interesse desde que os bombardeiros americanos passaram a dispor de bases para atacar o próprio Japão.

 

 

 

Porta-aviões Nipónico Taiho



publicado por DD às 00:24
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