Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Domingo, 17 de Janeiro de 2016
NOVA CRISE DO SHIPPING

 

 

No Brasil, a direita capitalista e da classe média alta tende a culpar a presidente Russel e o seu PT de corrupção e ser esta a causa da gigantesca crise do preço das matérias-primas daquele país e de muitos outros.

Na verdade, a crise não abrange apenas o preço do petróleo que o Brasil começou a explorar na plataforma marítima continental pela empresa nacional associada a outras como a Galp, por exemplo. A extração desse petróleo custa mais do dobro do preço internacional a que pode ser vendido no mercado e que tende a baixar agora com a vinda do petróleo iraniano devido a fim das sanções económicas. Os iranianos têm dezenas de petroleiros cheios há meses para saírem imediatamente para os mercados mundiais e venderem o antigo “ouro negro” a um preço que admito vir a ser de 20 a 25 dólares o barril na próxima semana, o que acentua o prejuízo brasileiro e angolano, cuja média de produção custa 40 dólares o barril.

No ferro, a situação é ainda mais trágica. O maior exportador tem sido o Brasil que possui na Amazónia, perto de Carajás, a maior mina de minério de ferro da melhor qualidade do mundo, denominada S11D pela empresa Vale. Aí trabalham mais de 10 mil trabalhadores que extraem parte das 4,2 mil milhões de toneladas do mais puro minério de ferro do Mundo.

Há cerca de cinco atrás, esse minério era vendido a 180 dólares a tonelada, estando agora a 40 dólares. A China tem sido o maior comprador, pois aumentou a produção das suas siderurgias estatais em sete vezes desde o ano 2000 e agora não consegue colocar metade da sua produção de ferro e aço. Um terço da produção mundial de ferro e aço tem origem na China. Os chineses estão desesperados e tentam exportar o seu aço a preços “dumping” que estão a ser analisados em Bruxelas para a aplicação de uma elevada taxa de importação na União Europeia, pois Alemanha, França e Luxemburgo não querem perder o pouco que lhes resta das suas indústrias siderúrgicas. A China pode perder o estatuto de economia de mercado por parte da EU e, como tal, ser impedida de exportar livremente para o grande mercado europeu que é a EU com 520 milhões de habitantes e 26% do PIB mundial.

Para tornar o transporte rentável, a empresa mineira Vale - que possui um gigantesco terminal portuário - iniciou a construção dos 35 maiores navios graneleiros do Mundo com 400 mil toneladas de deslocamento e 362 metros de comprimento motorizados por um motor Diesel alemão de 37 mil cavalos-vapor. 24 navios foram construídos na China e na Coreia do Sul, tendo recebido a denominação de classe Valemax, mas como faziam concorrência aos navios mais pequenos da empresa estatal chinesa de navegação COSCO foram proibidos de atracar a portos chineses, pelo que descarregavam nas Filipinas, Baia Subic, para navios mais pequenos. A empresa Vale viu-se assim obrigada a vender os seus Valemax à COSCO que agora são designados de Chinamax, o que foi uma asneira dos chineses devido à queda de preços do minério e ao excesso de produção de ferro no seu país e no Mundo. 11 Chinamax estão á venda, mas ninguém os quer comprar. Um Chinamax descarrega 350 mil toneladas de minério em 55 horas. A COSCO alugou alguns desses navios que custaram mais de 400 milhões de dólares à empresa Vale que pode terminar a qualquer momento com o contrato. Para já, os brasileiros ainda exportam nos Chinamax minério para a Europa, nomeadamente Holanda, Alemanha e Itália, mas a tendência é para reduzir as compras.

Na generalidade, os fretes marítimos entre a Ásia e a Europa custam metade do preço praticado há pouco mais de seis meses e já estão ancorados em baías diversas, principalmente nas Filipinas, centenas de petroleiros, porta-contentores e graneleiros por falta de carga para transportar.

Até há 2013/2014, as matérias-primas subiam de preço e países como o Brasil, o Chile, a África do Sul, Indonésia e outros investiram milhares de milhões de dólares emprestados pelos bancos americanos e agora não conseguem receita para sustentar os investimentos e, menos ainda, pagar as dívidas.

Enfim, a nova crise mundial está em curso e não será uma guerra que pode resolver o problema porque o consumo civil em bens diversos como automóveis, eletrodomésticos, computadores, etc. é de tal maneira grande que em caso de guerra ficaria suspenso, mas as indústrias de guerra não poderiam substituir a produção civil com a bélica. Em 1939, o número de automóveis e aviões era mínimo. Hoje há cinco milhões de aviões civis a voarem diariamente e são fabricados mais de 70 milhões de carros por ano.

 

 

 



publicado por DD às 18:22
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