Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Terça-feira, 1 de Abril de 2014
O Irão quer ceder ilhas ocupadas perto do Estreito de Ormuz. Será verdade?

 

 

O Estreito de Ormuz não é apenas uma artéria fundamental mas uma verdadeira aorta, pois pelo estreito passam 17 milhões de toneladas de petróleo por dia que representam quase 18% da produção mundial. As economias do Japão e da Coreia do Sul dependem em cerca de dois terços desse petróleo transportado em gigantescos petroleiros e a da China em quase metade. Do ponto de vista geológico, o estreito é a linha de colisão de duas placas tectónicas, a placa árabe trepa para cima da placa euroasiática que fez elevar os montes Fudchaira e ascender mais para a superfície as jazidas com imensas reservas de petróleo que fazem a riqueza da região e produziram muitas tensões, incluindo confrontos bélicos.

 

O Irão xiita tem sido desde a queda do Xá da Pérsia uma fonte de conflitualidade, enquanto os emiratos sunitas de juntaram numa Federação em 1971 e mantêm boas relações coma Arábia Saudita, o Oman e outras nações árabes, apesar das fronteiras terem sido delimitadas sem consideração por populações essencialmente nómadas e seguindo mais as tradições tribais. De qualquer modo, os sunitas nunca lutaram entre si e o receio de um Irão com uma tradição milenária de construção de impérios mantêm-se continuamente como um prolongamento da própria história.

 

Quarenta e oito horas antes da formação dos Emiratos Árabes Unidos em 1971, a Pérsia do Xá ocupou um conjunto de pequenas ilhas no Golfo Pérsico ou Arábico muito perto do Estreito de Ormuz, portanto com um importante valor estratégico. São a ilha de Musa as duas Grande Tunb e Pequena Tunb. Agora, o Irão pretende devolver as duas Tunb aos emiratos, ficando eventualmente com a Abu Musa que no passado era administrada em conjunto pelo Irão e pelo Emirato de Sharja, mas também pretende a autorização do Oman para ocupar militarmente os montes a Abu Musa da Península de Musandam que forma uma ponta aguçada sobre o Estreito de Ormuz com grande valor militar porque daria ao Irão as duas margens do Estreito. Em compensação o Irão iria fornecer ao Oman gás e petróleo gratuitamente, já que este Estado é o único que não possui muitas riquezas petrolíferas. Curiosamente, o território da referida península não está ligado fisicamente ao Oman porque entre há um espaço dos Emiratos Árabes Unidos a separam os dois territórios e não parece ser motivo de tensão.

 

Segundo o jornal “Defense News International”, as negociações têm sido secretas. O Irão pretende manter na sua posse os direitos de exploração da plataforma continental em torno das referidas ilhas, retirando todas as suas forças militares, dizendo-se que já estariam a demolir abrigos antiaéreos. A embaixada do Irão no Abu Dhabi nega o fato, mas qualquer decisão do atual presidente do Irão e do seu governo teria de ser aprovada pelo Ayatola Kommeni, filho do falecido Ayatola e fundador da República Islâmica que se tornou n uma espécie de monarquia religiosa com um presidente e um líder supremo hereditário que terá sempre a última palavra sobre qualquer assunto importante.

 

Depois do acordo P5+1 em que o Irão se comprometeu a não fabricar bombas nucleares, as sanções têm sido levantadas e as exportações petrolíferas do Irão começam a atingir o seu máximo, dado que o País necessita de modernizar a sua economia e o presidente percebeu que o poder nuclear não contribui em nada para evitar o desemprego.

 

O Irão poderia bloquear o Estreito de Ormuz numa situação de conflito porque possui mísseis e minas suficientes, além de minissubmarinos e diversas vedetas rápidas lançadoras de mísseis. Mas, não ganhava nada porque as suas instalações petrolíferas poderiam ser destruídas e na região todos perdiam.



publicado por DD às 00:20
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