Aqui o autor - Dieter Dellinger - ex-redator da Revista de Marinha - dedica-se à História Náutica, aos Navios e Marinha e apresenta o seu livro "Um Século de Guerra no Mar"
Domingo, 24 de Junho de 2007
Couraçado Tsessarevitch
Tsessarevitch2.jpg


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Couraçado da Classe Borodino
slava2.jpg O Borodino fazia parte de uma classe de cinco couraçados de 13.516t armados com 4 peças de 12 polegadas (305 mm) e 12 de 6 polegadas (152,4 mm) mais 40 peças de pequenos calibres e 4 tubos lança-torpedos. Eram capazes de navegar a 17,5 nós de velocidade máximo e estavam razoavelmente protegidos. Os quatro primeiros navios desta classe, o Borodino, o Imperator Alexander III, o Orel e o Kniaz Suvaroz participaram nos combates no Extremo-Oriente, nomeadamente na Batalha de Tsushima. Tanto o Borodino como Imp. Alex. III e o Orel foram afundados pelos japoneses a 27 de Maio de 1905, enquanto o Orel rendeu-se e passou a integrar a Armada Nipónica com o nome Iwami. Só o último navio da classe, o Slava é que não foi para o Oriente e participou na I. Guerra Mundial. Foi afundado perto de Riga em 1917 pelos tiros do couraçado alemão Koenig.


publicado por DD às 05:00
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A Frustrada Saída de Porto Artur

 

 

 

 

O almirante Witthoeft recebeu, entretanto, ordem do Czar para sair com a sua esquadra, contornar a península coreana e dirigir-se para Vladivostok, juntando-se assim à esquadra russa do Mar do Japão, já que Porto Artur era considerada uma praça perdida, apesar da resistência que opunha ao avanço nipónico.

 

Witthoeft não queria sair, ou antes, queria fazê-lo o mais tarde possível quando a esquadra do Báltico estivesse nas proximidades. Nessa altura poderia bater-se com os japoneses, infligindo perdas sem que eles tivessem tempo para reparar ou reconstruir os seus navios e a esquadra do Báltico enfrentaria o inimigo em situação de fraqueza. Antes de sair, o comandante do porto, almirante Grigorovitch, propôs que saísse só com os navios mais rápidos, enquanto os restantes fariam uma manobra de diversão contra o porto de Dalni, a poucos quilómetros de Porto Artur, onde os japoneses desembarcavam as tropas que atacavam a cidade fortaleza dos russos.

 

Provavelmente, Togo dividiria as suas forças ou concentrar-se-ia na defesa do porto estratégico que era Dalni, na Península de Kwuantung. A esquadra de Vladivostok deveria sair para enfrentar as forças do almirante Kamimura postadas no estreito da Coreia para impedir que viesse ajudar Togo a concentrar todo o poder naval japonês nos navios russos de Porto Artur. O almirante burocrata Witthoeft não acatou os conselhos tácticos de Grigorovitch e resolveu levar consigo toda a esquadra, pois Sua Majestade tinha dado ordens para que todos os navios russos fossem para Vladivostok. Assim, ao amanhecer do dia 10 de Agosto, toda a esquadra de Porto Artur levantou as suas âncoras e zarpou em direcção ao desconhecido; à frente o excelente cruzador rápido Novik como explorador, pois conseguia atingir a então extraordinária velocidade de 25 nós, seguido dos seis navios de linha Tsarevitch, Retwitsan, Pobieda, Peresvit, Sebastopol e Poltava. Depois vinham os cruzadores pesados Askold, Pallada e Diana e uma dezena de torpedeiros.

 

Os caça-minas tinham feito bem o seu trabalho e a esquadra atravessou a via aberta por entre os campos de minas, deixando em quatro horas tudo para trás. Mas, as minas não eram o único factor a perturbar o andamento. Logo a seguir, o Tsarevitch assinalou uma avaria nos excêntricos pelo que teve de reduzir a velocidade para 8 nós. Uma vez reparada a avaria, a esquadra voltou à velocidade determinada de 14 nós para ter de parar pouco tempo depois quando o Probieda informa que tem a máquina avariada. Entretanto, os torpedeiros japoneses vigiam os movimentos dos navios russos e comunicam pela TSF a Togo para vir com os seus couraçados e cruzadores. Sete horas depois de saírem de Porto Artur, os russos descobrem as grandes silhuetas dos navios de Togo a navegarem na sua direcção a 17 nós e repentinamente uns 40 a 50 torpedeiros rodeavam a relativamente pequena esquadra russa. A batalha começou a uma distância de 11 mil metros. Togo procurou realizar a manobra táctica de cruzar em T e colocar-se em ângulo recto frente à linha russa para com o fogo simultâneo de todos os seus navios ir despachando os russos um a um para o fundo, a começar pelo primeiro. Witthoeft percebeu a manobra e guinou para bombordo, avançando a 12 nós, enquanto os torpedeiros procuravam os espaços abertos entre os couraçados e os cruzadores. Essa manobra, obrigou Togo a guinar para estibordo, falhado que fora o cruzamento em T, mas colocava-o em posição de impedir o regresso dos navios russos. Os japoneses ficaram admirados com o alcance do tiro russo e as duas esquadras navegaram durante algum tempo em paralelo, acabando os nipónicos por ficarem para trás. Apesar de mais lenta, a esquadra russa aproveitou o facto de Togo ter perdido muito tempo com a sua manobra. Entretanto, todos os navios que podiam em termos de distâncias disparavam. O cruzador pesado russo Askold recebeu um impacto numa das chaminés, enquanto o navio-chefe nipónico apanhou com um tiro no mastro grande que abateu e provocou um número apreciável de baixas entre a guarnição.

 

Togo não desarmou. Aproveitou a circunstância de Witthoeft não querer o combate, mas simplesmente chegar rapidamente ao estreito de Tsushima e daí guinar a norte para se abrigar em Vladivostok. Durante algum tempo não houve contactos bélicos, mas Togo fez todos os seus navios avançarem com quanta força tinham as suas caldeiras e, pelas quatro horas da tarde, já estava à vista da linha russa, mas desta vez avançava para as popas dos navios russos. O combate começou, o cruzador russo Poltava começou a disparar a nove mil metros de distância, enquanto os japoneses abriam a sua linha para fazerem tiro cruzado de todos os seus navios. Withoeft, à frente, não queria saber o que se passava no fim da sua linha de navios. As superstruturas do Poltava foram praticamente esmagadas com o tiro rápido japonês, seguindo-se depois o Sebastopol e a seguir o Peresviaet e ainda o Rewitsan até chegar a vez do navio-almirante, o couraçado Tsarevitch.

 

Os russos tomavam conhecimento do que era o terrível tiro rápido japonês que provocava muitos estragos, mas raramente conseguia verdadeiramente afundar ou pôr totalmente fora de combate os navios couraçados russos. As granadas nipónicas rebentavam numa nuvem de pequenos estilhaços que provocavam muitos incêndios, fazendo com que os navios russos navegassem como tochas a arder. Essas granadas possuíam um explosivo muito eficaz, o shimose que explodia a temperaturas muito elevadas e largava um gás tóxico para as vias respiratórias, o que desmoralizava muito uma guarnição, mesmo quando os estragos reais não eram muitos.

 

Enquanto isso, as granadas russas continham uma reduzida quantidade de explosivo pouco eficiente do tipo piroxilene. Frequentemente acertavam, mas não explodiam, pelo que eram quase nulos os estragos provocados. O tiro rápido japonês não era de grande precisão e provocava estragos superficiais. Na verdade, entendia-se por tiro rápido, naquela época, quando a peça era carregada pela culatra sem mudança de posição, portanto com a chamada pontaria contínua, o que não acontecia em muitos navios com canhões de grande calibre que tinham de regressar à posição inicial para serem carregados e o apontador tinha de repetir o trabalho feito para o tiro anterior.

 

Dois tiros nipónicos mudaram o rumo e a sorte da esquadra russa. Um deitou abaixo o mastro do navio-chefe Tsarevitch. O almirante Witthoeft e o seu Estado-Maior não se tinham abrigado na casamata de comando, estando fora a observar o combate, pelo que foram expelidos pela borda fora com toda a casa do leme. Só o comandante ficou na torre blindada, mas esta foi a dada altura trespassada por uma granada de 305 mm, desfazendo toda a oficialidade que aí se encontrava e o respectivo leme. O navio desgovernado guinou para bombordo, no que foi seguido pelo resto da esquadra, pois só passados uma série de minutos é que no couraçado Retwisan se aperceberam do drama desenrolado no navio-almirante . O seu comandante resolveu enfrentar denodadamente a esquadra de Togo e sinalizar ao couraçado Peresviet que no Tsarevitch foi emitido o sinal de passar o comando ao oficial mais antigo e mais graduado, neste caso o Príncipe Uchtomski do Peresviet que teve de guinar para estibordo para não abalroar o Tsarevitch que navegava em carrossel.

 

A esquadra russa desorganizou-se totalmente. Cada navio lutava por si próprio sem saber o que fazer depois. Togo, contudo, não conseguiu tirar muito mais proveito da sua vitória pois estava praticamente esgotado de munições. Ainda tentou formar um círculo em torno do couraçado Tsarevitch, mas viu-se rodeado de torpedeiros russos que o obrigaram a abandonar o campo de batalha. Mais à frente, os grandes navios de linha e os cruzadores japoneses organizaram-se de novo no sentido de bloquear a rota dos russos, pelo que Uchtomski ordenou o regresso a Porto Artur, mas só levou consigo nove dos vinte navios que tinham saído de Porto Artur. Aparentemente, só o couraçado Tsarevitch continuava rumo a Vladivostok como que obedecendo ao espírito do já morto almirante Witthoeft. As suas peças ainda intactas batiam com força os torpedeiros nipónicos, não os deixando aproximarem-se para lançar os seus projécteis infernais. Mas navegava desgovernado e acabou por entrar na baía de Kiatchu, então pertença dos alemães que desarmaram o navio e o retiveram até ao fim do conflito.

 

Os japoneses ainda tentaram pela segunda vez cercar o Tsarevitch, mas os cruzadores russos conseguiram impedir a manobra; o Askold, seguido do Pallada e do Diana, abriu o anel no seu ponto mais fraco, atacando com a sua artilharia de longo alcance quatro cruzadores japoneses e um enxame de torpedeiros. O Askold conseguiu passar a vinte nós por sete cruzadores japoneses e atingiu o Asama que ficou a arder. Por sua vez, o Diana recebeu um impacto que provocou um rombo e o fez desviar-se para sul. Acabou por fazer a longa viagem até Saigão, onde não foi autorizado a permanecer mais que 24 horas, tempo insuficiente para proceder a reparações. De uma forma descoordenada, a esquadra de Vladivostok saiu demasiado tarde para ajudar a de Porto Artur.

 

O governador Alexeiev ordenou a saída, a 14 de Agosto, dos cruzadores Gromoboi, Rossia e Rurik, os quais encontraram a Norte da ilha de Tsushima a poderosa força naval do almirante Kamimura com 16 cruzadores pesados. Apesar da superioridade numérica dos japoneses, apenas o Rurik foi destruído; os restantes navios russos regressaram à respectiva base. Só o cruzador rápido Novik, confiando na então extraordinária velocidade de 25 nós, tentou alcançar Vladivostok, mas sem êxito, pois acabou por ser atacado pelo cruzador Tsushima da marinha japonesa quando saia do porto russo de Korsakov na Ilha de Sacalina, onde se reabastecera de carvão depois de ter navegado ao largo de todo o arquipélago nipónico desde o extremo Sul ao Norte. O navio japonês com 6 peças de tiro rápido de 152 mm estava em nítida vantagem relativamente ao russo que só se podia defender com 6 canhões de 120 mm e 45 calibres. Muito atingido, o Novik regressou ao porto de Korsakov e quando tentou sair novamente encalhou num banco de areia. Acabou despedaçado pelas peças de 203 mm do cruzador japonês Chitose. A primeira fase da guerra naval russo-japonesa terminara mal para o Império do Czar.

 

Os russos mostraram ser capazes de combater a grandes distâncias, mesmo a mais de sete quilómetros, apesar de o seu tiro não ser suficientemente eficaz. Contudo, impediu a destruição da sua esquadra em Porto Artur pelos couraçados nipónicos e depois na batalha que ficou conhecida pela Round Island. De todos os combates travados, o elemento que mais falhou foram as esquadrilhas de torpedeiros, apesar do seu grande número. Dos mais de cinquenta torpedeiros japoneses nenhum conseguiu acertar um só torpedo num navio russo. Tinham de se aproximar demasiado dos couraçados e cruzadores inimigos, dado o reduzido alcance e pouca precisão dos torpedos, sendo então fortemente flagelados pela artilharia ligeira dos navios que pretendiam torpedear. O torpedo ainda não tinha giroscópio e deslocava-se a uma velocidade muito baixa. Além de que os torpedeiros eram muito pequenos, só transportavam dois torpedos e enxovalhavam muito num mar nem sequer muito alteroso.

 

A sorte do que restava da esquadra de Porto Artur foi decidida a partir de 5 de Dezembro de 1904 quando os japoneses conseguem por fim conquistar a colina 203 brilhantemente defendida durante tantos meses pelos russos que causaram mais de dez mil mortos aos nipónicos, entre os quais, os dois filhos do almirante Nogi. Depois disso, os seus obuses de 280 mm esmagaram os navios russos no porto interior e a 2 de Janeiro de 1905, a cidade-fortaleza rende-se quando já navegava a pleno vapor a imensa esquadra do Báltico que chegaria às águas japoneses sem o apoio da já inexistente esquadra russo do Extremo-Oriente. Antes da rendição final e quando o grosso da esquadra russa estava no fundo, os cruzadores japoneses tentaram ainda uma entrada no porto e aí o cruzador Takasago embate num mina e afunda-se, precisamente a 13 de Dezembro de 1904. O Takasago tinha a particularidade de ser muito semelhante ao cruzador português D. Carlos I, também desenhado por Sir Philip Watts e construído nos estaleiros de Elswick. Mas, o navio nipónico tinha um armamento superior, já que se destinava ao combate em águas mais ou menos territoriais, enquanto navio português tinha sido adquirido a pensar nas colónias, portanto em grandes viagens sem reabastecimento.

 

 

O Takasago era um excelente cruzador de 4.160 toneladas de deslocamento, armado com duas peças de tiro rápido de 203 mm capazes de uma cadência de quatro tiros por minuto, dez de 120 mm e dezoito de 12 e 6 libras, além de cinco tubos lança-torpedos. A sua blindagem era em aço macio de 63,5 a 114 mm de espessura da proa à popa e de 114,3mm nas torres das peças de 203 mm. A casamata de comando era também protegida por uma blindagem de 100 mm. Com as suas duas máquinas a vapor quadricilíndricas e doze caldeiras aquitubulares desenvolvia uma potência máxima de 15 mil cavalos, o que permitia atingir a excelente velocidade de 23 nós que, à data da construção, 1899/1900, era do melhor que se fazia. Navios da Primeira Fase da Guerra Russo-Japonesa Japoneses Couraçado Mikasa - navio-chefe japonês Nas duas fases da guerra russo-japonesa, este navio fez parte das pontas de lança em conjunto com os dois navio de uma classe semelhante, o Shikisima e o Asahi, ambos de tonelagem quase igual, mas de características algo diferentes. O Mikasa é de algum modo o navio mais famoso da marinha de guerra japonesa, sendo mesmo um seu ícone porque ainda existe como navio-museu atracado em Yokusaka nas imediações de Tóquio. As suas principais características são: Deslocamento: 15.140 toneladas. Blindagem: Cintura principal de 104 a 228 mm; cintura superior de 152 mm; convés de 50 a 75 mm; barbetas de 101 a 355 mm; casamata de 50 a 150 mm. Armamento: 4 peças de 305 mm; 14 de 153 mm mais 32 de calibres mais pequenos e 4 tubos lança-torpedos. Grupo propulsor: 2 máquinas a vapor de tríplice expansão com uma potência modesta de 15 mil cavalos-vapor, o que permitia uma velocidade máxima de 18,5 nós. Na Batalha do Mar Amarelo, o Mikasa recebeu vinte impactos directos que causaram 33 mortos e 92 feridos, mas pôde regressar à base ainda em estado de combate. O valor dos navios couraçados ficou demonstrado nesta batalha, a primeira em que intervieram verdadeiramente como Capital Ships, sendo só suplantados algumas décadas depois pelos porta-aviões.

 

Com o afundamento dos couraçados Hatsute e Yashima, o Japão ficou reduzido a quatro couraçados e a um número apreciável de cruzadores. Couraçados Shikishima incorporado em 1900 e Hastsuse em 1901. Dois excelentes navios gémeos com deslocamento médio de 15.000 toneladas. Blindagem; Cintura de 101,6 a 486 mm; convés de 63,5 a 101 mm; torres de 480 mm e barbetas de 203 a 355 mm. Armamento: 4 peças de 305 mm, 14 de 152 mm e 18 de menor calibre. Grupo propulsor: Máquina de tríplice expansão recíproca ligada a dois veios com14.500 cavalos-vapor de potência. Podiam atingir os 18 nós.

 



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Esquema da Batalha do Mar Amarelo

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Esquema da Batalha do Mar Amarelo em que as forças nipónicas obrigar a esquadra russa a retroceder para Port Artur.



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Sábado, 23 de Junho de 2007
Couraçado Mikasa como Navio-Museu
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Canhões do Couraçado Japonês Mikasa
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Esquadra Japonesa em Tsushima
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007
Tsushima: A Batalha Decisia

Quando a 6 de Dezembro 1904, pelos 8 horas da manhã, os japoneses chegam por fim ao cimo da colina 203 para iniciarem logo no dia seguinte o bombardeamento e destruição final dos restos da esquadra russa do Pacífico, a primeira divisão da nova esquadra russa do Báltico entrava na Baía dos Tigres em Angola onde se encontrava a canhoneira portuguesa Limpopo sob o comando do tenente Silva Pereira, que, de imediato se dirigiu ao couraçado Kniaz Suvarov para interpelar o almirante-comandante da esquadra Rozhestvenski aí embarcado, dizendo-lhe que estava em águas portuguesas.

 

O almirante russo negou tal facto, pois estaria é certo na Baía dos Tigres, mas a mais de três milhas da costa. O oficial português respondeu que as águas nacionais começavam na linha que unia os extremos da baía. Após uma longa pausa, o almirante russo pediu 24 horas de permanência de acordo com as cláusulas do Direito Internacional, o que lhe foi concedido pelo tenente Silva Pereira, como escreveu no seu relatório.

 

Para o historiador alemão Frank Thiess, a pequena canhoneira Limpopo terá levantado ferro e navegado para Moçamedes onde estaria o cruzador britânico Barroso. Para o comandante J. Bouteille de um navio mercante não russo que integrava a esquadra russa, a Limpopo terá ameaçado disparar contra a poderosa 1ª Divisão russa se permanecesse em águas portuguesas mais de 24 horas. O que é certo é que a esquadra russa levantou os seus ferros dentro do prazo regulamentar, navegando depois para a ilha de St. Marie na costa oriental de Madagáscar primeiro e depois para o porto de Diego Suarez do extremo norte da então maior colónia insular francesa, onde esperava encontrar-se com os navios mais pequenos que nas cercanias de Tanger se separaram para seguirem a rota do Mediterrâneo, canal de Suez e Mar Vermelho até ao Índico. Tratava-se da 2ª Divisão comandada pelo almirante Barão Foelkersam.

 Nessa época a França era aliada da Rússia, enquanto a Grã-Bretanha tinha uma espécie de aliança com o Japão. Por razões diplomáticas impostas pelos ingleses que não gostaram nada de ver tantos navios de guerra em mares que consideravam quase como seus, aquela 2º Divisão foi obrigada a aportar à baía de Nosy Bé, na costa ocidental, a norte de Madagáscar, para onde se dirigiu o almirante Rozhestvenski com o intuito de impor alguma disciplina às respectivas guarnições debilitadas pela longa viagem e com os grupos propulsores dos navios frequentemente avariados e pela doença do respectivo almirante. Só na ilha de St. Marie é que o almirante russo tomou conhecimento pelos jornais que Porto Artur caíra nas mãos dos japoneses e a 1ª Esquadra do Pacífico estava integralmente afundada. O almirantado em São Petersbourg não se dera sequer ao trabalho de informar atempadamente Rozhjestvenski pelo telégrafo. As comunicações com a esquadra eram difíceis, a TSF dos navios tinha então um alcance muito curto. Era necessário telegrafar até ao extremo da linha telegráfica em Diego Suarez que liga Antananarivo, vindo a linha de Majunga na costa ocidental de Madagáscar onde liga o cabo submarino de Lourenço Marques, pela qual passa o cabo de Zanzibar e Paris que está ligada a S. Petersbourg. Enfim, na colónia francesa, a linha telegráfica passava por centena de quilómetros de floresta quase virgem, sempre sujeita a cortes e avarias. Os navios russos permaneceram na baía de Nosy Bé por mais de dois meses, perdida que estava a corrida para se encontrarem com a esquadra russa do Pacífico. Preferiram esperar por uma 3º Divisão de navios diversos e auxiliares armados à pressa em S. Petersbourg, constituída pelos cruzadores ligeiros Oleg e Isumrud e alguns navios auxiliares que não tardaram a surgir.

 

 O almirante russo teve de negociar longamente com a companhia alemã Hamburg-Amerika-Linie que queria terminar aí o abastecimento da esquadra com o carvão transportado nos seus navios. Os alemães tinham um contrato para fornecerem 340 mil toneladas de carvão à esquadra russa, mas receavam que os japoneses viessem até ao Índico ou ao longo das costas chinesas enfrentar os navios russos. Ao cabo de longas conversações, os alemães acabaram por aceitar carregar carvão pela última vez em Cam Rahn na então Indochina francesa. Antes disso, a esquadra iria meter carvão na baía de Luderitz na colónia alemã do Sudeste Africano, hoje Tanzânia. O combustível metido dava para 2.100 milhas, mas os navios navegaram no início com os convés quase a rasar o nível do mar e aguentaram assim uma borrasca que provocou alguns danos.

 

A esquadra do almirante Rozhestvenski tinha zarpado de Libau, na então província russa da Curlândia no Báltico, a 15 de Outubro de 1904 quando ainda havia a esperança de manter Porto Artur e os navios da 1ª Esquadra do Pacífico. Rozhestvenski levava consigo 7 couraçados, 2 velhos cruzadores protegidos, 4 cruzadores ligeiros, 7 contratorpedeiros e um certo número de navios auxiliares, nomeadamente paquetes armados em cruzadores de segunda classe e um navio hospital.

 

A ponta de lança da esquadra era constituída pelos 4 novos e poderosos couraçados, cujo desenho foi inspirado nos planos franceses para a construção do Tsarevitch. Eram o Imperator Alexander III, o Borodino , o Orel e o Kniaz Suvaroz. Desta classe, só um navio não partiu para o Oriente por ainda estar em estaleiro. Deslocavam normalmente 13.500 toneladas, mas chegaram a carregar 2.450 toneladas de carvão, pelo que o deslocamento chegou às 16.800 toneladas. Com estas unidades seguia o couraçado Osliabya muito inferior em todos os aspectos e outros navios. Teoricamente, a esquadra russa não era inferior à japonesa quando a enfrentou no estreito de Tsushima, até tinha um poder de fogo um pouco superior, para onde seguiu em linha recta após o último reabastecimento na Indochina, mas os nipónicos jogavam em casa, a poucas milhas das suas bases e estavam altamente treinados, principalmente os seus artilheiros. As suas máquinas propulsoras estavam em óptimas condições e tinham reforçado a protecção das suas superstruturas com muitos sacos de areia, o que é perfeitamente visível em muitas fotografias e gravuras da época. Os russos, pelo contrário, tinham feito uma viagem esgotante de vinte mil milhas e não puderam treinar eficazmente os seus artilheiros para não gastar munições, além de virem excessivamente carregados de carvão, portanto, com uma altura metacêntrica muito baixa com grande parte das cinturas blindadas dos cascos debaixo de água. Rozhestvenski decidiu-se pela rota mais curta até Vladivostok, ou seja, pelo estreito da Coreia que separa este país do Japão com a meio a pequena ilha de Tsushima que acabou por dar o nome à batalha travada nas suas cercanias. O almirante russo queria reduzir o combate ao mínimo indispensável, o que é sempre o prelúdio das grandes derrotas.

 

Os japoneses adivinharam o pensamento do almirante russo e esperaram na zona a chegada da esquadra inimiga, nunca tendo admitido que os russos resolvessem antes contornar o seu arquipélago e entrar no Mar Interior pelo norte, apesar de Rozhestvestki ter mandado dois cruzadores auxiliares navegarem para leste, a fim de dar a impressão que toda a esquadra faria o mesmo. Pelas 5 horas da madrugada do dia 27 de Maio de 1905, o navio auxiliar japonês Shinano Maru descobriu a esquadra russa a navegar em duas colunas na rota NE e avisou logo a esquadra de Togo que pairava ao largo da Coreia. Começou por ver o navio hospital Orel que vinha todo iluminado, como mandavam os regulamentos da época, o que foi uma asneira. Teoricamente, a esquadra russa era superior em poder de fogo com os seus sete couraçados contra os quatro japoneses, os Mikasa, Shikishima, Fuji e Asahi. Os russos podiam disparar com 26 peças de 305 mm contra 16 dos nipónicos; 12 de 254 mm contra 5 japonesas; 4 de 228 mm contra 0; 8 de 203 mm contra 26 e 109 de 152 mm contra 190 japonesas. Se em couraçados havia uma apreciável superioridade da parte dos russos, em cruzadores a situação era inversa. Os japoneses tinham mais cruzadores e um pouco mais modernos, já que ao almirante russo foram atribuídas algumas unidades extremamente velhas e de andamento lento que prejudicaram a manobra da esquadra. Foi uma opção resultante da campanha de um publicista naval que tudo fez para que o Almirantado russo enviasse os navios que ficaram no Báltico para reforçarem a esquadra que esperou dois meses cansativos no clima tropical e doentio de Madagáscar. O almirante russo bem telegrafava a dizer que queria menos navios, mas mais manobráveis e rápidos.

 

A única vantagem proporcionada pelos velhos cruzadores e contratorpedeiros foi ter vindo num deles 44 telémetros Barr & Strout, os primeiros a serem utilizados em combate. Mas, os russos não puderam estudá-los devidamente e fazer treino intenso de tiro com os mesmos, tão ocupados estavam com a navegação. Os visores ópticos e os medidores de distâncias só foram instalados nas torres principais dos couraçados da classe Borodino; os respectivos artilheiros não chegaram a praticar tiro real com os mesmos. Por outro lado, não foi possível instalar um conveniente sistema de comunicações entre os operadores dos telémetros e os artilheiros, pelo menos, à prova do ruído ensurdecedor da batalha. Na maior parte dos navios russos não havia telefones; apenas apitos, tambores e sinais visuais para as comunicações internas nos navios, as quais começaram a falhar logo no início da batalha. As sessões de tiro de treino e de manobra de navios em esquadra não foram suficientes para formar uma força operativa de grande valor; não havia munições de reserva em quantidade suficiente nem carvão e, além disso, não se podia gastar excessivamente as máquinas propulsoras dado não haver bases russas nas proximidades. Nesse aspecto, os japoneses utilizaram com muita eficácia os seus visores e telémetros, principalmente na pontaria contínua das suas peças de tiro rápido.Para o almirante russo, os melhores telémetros eram as peças de 152 mm, avaliando a distância pelo impacto das respectivas granadas. E até foram essas peças que mostraram uma maior eficácia.

 

Nada disso acontecia com os japoneses que combatiam juntos aos seus arsenais, não necessitando de estarem sobrecarregados de carvão e tinham tudo afinado à perfeição. Togo estudou a táctica para alcançar um vitória decisiva, isto é, que destruísse a força inimiga uma vez por todas. E acrescente-se que batalhas navais decisivas só se registaram três no Século XX: Tsushima em 1905, Midway em 1942 e Filipinas em 1944. A primeira marcou a ascensão do Japão a grande potência naval e as duas outras acabaram definitivamente com o marinha de guerra japonesa e com o Japão militar, dando o controlo dos mares e oceanos aos EUA até hoje. Parecendo que não, os cinco minutos do ataque da esquadrilha do capitão-tenente McClusky, levado a cabo a 4 de Junho de 1942, perto da ilha de Midway, foi o golpe mais decisiva de toda a história naval, pois os nipónicos perderam aí a espinha dorsal de porta-aviões que nunca mais puderam recuperar. Curiosamente, não conheço nenhum grande navio da armada americana com o nome do capitão-tenente McClusky. O valente piloto não deve ter chegado a almirante e provavelmente morreu na guerra, daí não ser recordado. A batalha do mar das Filipinas foi apenas o estertor final de uma marinha já derrotada; foi o funeral do Japão militar.

 

Raramente a História regista mais que uma a duas batalhas navais decisivas por Século; Lepanto em 1571, a destruição da Invencível Armada em 1588 e Trafalgar em 1805. Todas as outras batalhas navais não foram decisivas, na medida em que não alteraram fundamentalmente o rumo dos acontecimentos, nem sequer Pearl Harbour que não determinou mais que seis meses de supremacia nipónica.

 

Pelas 13h45, da ponte do Mikasa, o almirante Togo viu as duas colunas russas caírem lentamente para bombordo e iniciou logo uma manobra ousada. Mudou o seu rumo de 12 quartas para se colocar numa posição paralela ao seu adversário. Os russos abriram logo fogo a sete mil metros de distância, causando alguns estragos nos navios japoneses, enquanto Rozhesteveski ordena a reorganização da esquadra numa só linha com os quatro couraçados da classe Borodino à frente, entre os quais o seu navio, o Kniaz Suvarov, que fazia de ponta de lança. Mas, os japoneses aproximaram-se mais mil metros para abrirem um fogo mais rápido, concentrando-o à boa maneira tradicional nos dois navio-chefe das duas divisões, o referido couraçado de Rozhesteveski e o Osliabya no qual seguia o corpo do almirante Fokersam falecido de doença dias antes. Togo aproveitou a sua maior velocidade e ligeireza dos seus navios com as carenas impecavelmente limpas para formar um arco com os seus navios mais próximos uns dos outros para tocar no arco russo com uma certa superioridade de fogo, concentrando-o primeiro no Kniaz Suvarov que rapidamente perdeu uma chaminé, um mastro e a torre da ré, sofrendo, além disso, um incêndio que o deixou desamparado com o almirante Rezhesteveski muito ferido para ser transferido pouco tempo depois para um contratorpedeiro.

O navio-chefe da 2ª Divisão, o couraçado Osliabya, foi atingido pelos cruzadores protegidos de Togo que na ocasião combatiam como se fossem couraçados, dado que os japoneses só dispunham de quatro couraçados. Carregado até mais não de carvão, o Osliabya tinha a cintura blindada muito submersa pelo que ficou muito vulnerável às granadas do Shimoze. Togo pensou como Nelson em Trafalgar, deixou o inimigo disparar a grande distância, convencido que não faria grandes estragos e foi-se aproximando, mesmo com os cruzadores que foram os primeiros a dispararem. A precisão dos primeiros tiros nipónicos desmoralizou os comandos da esquadra russa e feriu mesmo gravemente o almirante-em-chefe que, pelas 14h25, ainda deu ordem para mudar de rumo para evitar a tentativa de cruzamento em T pelos navios japoneses mais rápidos.

 

Togo tinha feito toda uma volta para apanhar o bombordo da formação russa com a sua vantagem de 2 a 3 nós. Ao contrário da linha russa que era liderada pelos couraçados, a esquadra de Togo começava por quatro cruzadores seguidos pelos seus quatro couraçados. Ambas as linhas navegaram durante algum tempo em dois arcos quase paralelos a uma distância de 5 mil e quinhentos a 6 mil metros.

 

Sempre que a visibilidade permitia, as esquadras disparavam com tudo o que podiam; o cruzador japonês Asama recebeu um tiro de 305 mm que destruiu a máquina do leme, deixando-o praticamente desgovernado; outro tiro russo de 305 mm atingiu o cruzador Nishin, provocando a destruição de uma torre de peças de 203 mm. Depois de dissipados os fumos dos primeiros tiros, os russos procuraram aumentar a distância em relação à linha nipónica, mas fizeram-no muito tarde; o Osliabya recebeu mais um impacto no costado que provocou entrada de água, fazendo-o virar-se completamente. Ao mesmo tempo, o Kniaz Suvarov saía da linha de batalha desgovernado também com a máquina do leme destruída. O fogo japonês passou então a concentrar-se no couraçado seguinte, o Alexander III que assumira a liderança da formação russa.

 

Os couraçado Borodino e Orel, além dos Oliabya a afundar-se, passaram a ser os grandes alvos da esquadra nipónica, cujos grandes navios nada tinham sofrido ainda porque deixaram a primeira divisão de cruzadores sofrer os primeiros estragos para manterem intacto todo o potencial de fogo dos seus quatro couraçados.

 

Pelas 15h00, o comandante Bukvostv do Alexander III guinou para bombordo a fim de cruzar a ré da formação japonesa, enquanto os torpedeiros e os cruzadores ligeiros russos tentavam lançar os seus torpedos contra os navios russos. Togo virou também para bombordo para evitar o cruzamento e lançou os seus cruzadores ao assalto ao Alexander III, obrigando-o a virar para estibordo, enquanto a segunda divisão de cruzadores protegidos nipónicos cercava o Kniaz Suvarov que resistia com denodo. Pelas 15h07, os japoneses conseguem fazer o cruzamento em T de estibordo para bombordo, abrindo fogo sobre o Alexander III que quase submergia sob o dilúvio de fogo, mas as suas blindagens iam aguentando os impactos dos canhões de Togo. Os russos disparavam da pior maneira possível, pelo que os japoneses ousaram aproximar-se até a uma distância de uma milha da formação russa. O Mikasa chegou a tentar um ataque com os seus torpedos, mas sem êxito. Por fim, Togo ordenou o afastamento da sua linha, fazendo duas voltas para sudoeste, enquanto os seus cruzadores continuavam a bater no Kniaz Suvarov com as suas peças de 203 e 153 mm, já tendo destruído todas as superstruturas frágeis como mastros, chaminés e ventiladores. O cruzador Chihaya ainda tentou lançar dois torpedos, mas sem acertar no alvo.

 

Depois, a segunda divisão de contratorpedeiros nipónicos tentou mais um ataque a torpedo, mas foi sempre repelida pelas peças de pequeno calibre do Kniaz Suvarov. Pelas 14h00, os russos ainda tinham intactos três couraçados da classe Borodino que tentaram, por sua vez, cruzar a linha japonesa em T, aproveitando o facto de os nipónicos se aproximarem do navio-chefe a dispararem, apesar do navio estar meio destruído e já não ter intactos telémetros e visores ópticos. O couraçado teimava em manter-se a flutuar e a disparar apesar dos incêndios a bordo. As granadas de alta deflagração japonesas causaram grande número de mortos e feridos, os quais já não cabiam na enfermaria, sendo tratados no camarote do comandante e do almirante. Os muitos estilhaços obrigavam os médicos de bordo a operarem rapidamente sem anestesia com clorofórmio por manifesta falta de tempo. Pela primeira vez foi utilizado a bordo de um navio em combate um aparelho de Raios X para observar a posição dos estilhaços nos corpos dos feridos. Um homem ferido no cérebro teve uma grave perturbação psicótica, pelo que teve de ser metido num colete-de-forças. Nas zonas protegidas do couraçado, o ar tornava-se irrespirável por estarem avariados os ventiladores e todas as escotilhas terem de estar fechadas. Enfim, um inferno de sangue, dor, gritos e calor. Só nos curtos intervalos da batalha é que se podia operar convenientemente. Muitos marinheiros tinham sido treinados para se tornarem enfermeiros auxiliares, mas não tiveram a possibilidade de utilizarem os seus conhecimentos por estarem igualmente feridos.

 

Contra tudo e todos, o couraçado russo Kniaz Suvarov continuava a flutuar e a navegar a 10 nós. Os japoneses flagelavam o navio com as suas peças de 152 mm e pouco conseguiam com os grandes canhões de 305 mm. Num calor infernal, o pessoal das caixas de fogo continuavam a alimentar as caldeiras com quanta força tinham os seus braços. Togo reconheceu então que errava ao tentar com os seus couraçados destruir o navio-chefe russo, deixando a formação inimiga passar, pelo que alterou o rumo para Norte, a fim de apanhar os três outros couraçados russos e enfrentá-los decisivamente, mas mandou as suas flotilhas de torpedeiros tentarem acabar com o Kniaz Suvarov Um deles conseguiu acertar um torpedo no navio russo, fazendo-o adornar uns 10º. O combate do Kniaz Suvaroz permitiu afastar os cruzadores e torpedeiros japoneses dos navios auxiliares e transportes da esquadra russa que assim puderam retroceder e salvar-se de uma destruição certa. Apenas o rebocador Rus foi afundado por engano pelos tiros dos próprios russos, enquanto o transporte armado Ural abalroa outro navio russo, acabando por ser destruído pelo fogo dos couraçados japoneses, impossibilitado como estava de navegar.

 

O comando da esquadra russa passa para o almirante Nebokatov embarcado no Borodino que dirige uma linha formada pelo Orel, Imperator Nikolai I, Apraksin, Seniavin, e Ushakov. O couraçado Imperator Alexander III ficava para trás debatendo-se com as avarias e meio desgovernado. Atrás ainda vinham os pequenos couraçados Sissoi Veliki, Navarin e Admiral Nakhimov. Os transportes armados Anadir, Irtish e Korea seguiam a estibordo com os cruzadores Almaz e Svetlana. A bombordo, Nebokatov organizou uma linha de cruzadores com o Aurora, o Donskoi¸o Monomask, o Yemtchung e o Izumrud. Os contratorpedeiros russos navegavam entre as duas linhas. O Imperator Alexander III era agora o grande castigado, enquanto algum fogo japonês começou a concentrar-se no Borodino. Togo deixou o Orel disparar à vontade a seis mil metros de distância, sem qualquer resultado aparente. Mesmo assim, o couraçado japonês Shikishima foi atingido num dos mastros com uma granada de 75 mm. O Mikasa levou um tiro de 152 mm. O Nishin também teve de encaixar um impacto de 203 mm. Os japoneses pouco preocupados com os tiros recebidos continuavam a desmantelar o Imperator Alexander IIII, a táctica era um por um; concentrar sempre o fogo de todos os navios japoneses numa só unidade inimiga, de preferência um navio-chefe. Pelas 18h50, o Imperator Alexander III decai para bombordo e inclina-se rapidamente até voltar-se e ir para o fundo com 30 oficiais e 806 marinheiros. Apenas quatro homens sobreviveram.



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Linha de Ataque Japonesa ao Largo de Tsushimaao Largo de Tsushima
Linha de Ataque Japonesa.jpg


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Quinta-feira, 21 de Junho de 2007
Torpedeiros Atacam
Torpedeiros ao Ataque.jpg


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